Medidas para o café podem ser anunciadas na próxima semana, diz CNC

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POLÍTICAS PARA O SETOR — Na quinta-feira (18/07), foi realizada a 19ª Reunião Ordinária do Comitê Diretor de Planejamento Estratégico do Agronegócio Café (CDPE/Café), do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC). Os representantes dos setores público e privado debateram, entre outros assuntos, a implantação de ferramentas de mercado que devolvam a renda e a competitividade aos produtores brasileiros. Após esse período de análise, o governo federal deverá anunciar quais serão os instrumentos a serem utilizados até a próxima quinta-feira (25/07), dia em que está prevista a 66ª Reunião Ordinária do CDPC.

CAFÉ NA BM&FBOVESPA — De acordo com dados apurados pelo Valor Econômico, o volume de contratos futuros e opções de café negociados na BM&FBOVESPA, de 2008 a 2012, caiu 69,4%, saindo de 838,6 mil para menos de 256,9 mil. No primeiro semestre deste ano, a movimentação foi de apenas 73,9 mil papéis. O veículo relata que a redução foi intensificada em 2011, quando o governo brasileiro instituiu a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas transações com derivativos, o que afastou os especuladores estrangeiros, responsáveis, à época, por cerca de 40% das posições em aberto.

Dessa maneira, a bolsa brasileira perdeu relevância em relação à de Nova York – referência internacional para os preços do café arábica –, que, em 2012, movimentou 6,12 milhões de contratos de café, montante aproximadamente 25 vezes superior ao da BM&FBOVESPA. Recentemente, o Brasil suspendeu a cobrança do IOF, o que poderá abrir caminho para uma recuperação.

MERCADO — A semana foi marcada por alta nas cotações internacionais dos cafés arábica e robusta. O vencimento setembro do Contrato C da bolsa de Nova York acumulou ganhos de 815 pontos, encerrando a quinta-feira a US$ 1,2755 por libra-peso, após atingir US$ 1,3400 na sessão, o maior valor das últimas oito semanas. A oscilação positiva do mercado de arábica deveu-se, principalmente, às previsões de chuvas e baixas temperaturas em regiões produtoras no Brasil, aumentando os temores dos players em relação a possível ocorrência de geadas.

Na bolsa de Londres, o vencimento setembro do contrato 409 do robusta acumulou ganhos de US$ 95 por tonelada, fechando a quinta-feira a US$ 1.970/t. A valorização do conilon na Euronext Liffe, bem como a retomada das vendas de café pelos produtores, refletiu na queda dos prêmios pagos aos grãos da Indonésia, segundo maior produtor dessa variedade. Os prêmios caíram de US$ 200/t, na semana passada, para o intervalo de US$ 80 a US$ 100/t. A necessidade de renda para a celebração do festival religioso que marca o fim do Ramadã tem incentivado a comercialização do café pelos indonésios. Já os produtores do Vietnã mantém a retração da oferta, efetuando negócios apenas com prêmio de US$ 130/t sobre as cotações de Londres, o mais alto dos últimos dois anos.

Após duas declarações do presidente do Banco Central dos Estados Unidos (FED, em inglês), Ben Bernanke, que reforçaram a tendência de manutenção dos estímulos à economia norte-americana no curto prazo, o dólar manteve a tendência de queda no Brasil. Até o fechamento de quinta-feira, a taxa de câmbio brasileira havia acumulado queda de 1,7%, motivada também por intervenção do nosso Banco Central, com a venda de aproximadamente US$ 1 bilhão em swaps cambiais.

No mercado doméstico, a alta das bolsas internacionais refletiu em ganhos de R$ 16,30/saca e R$ 10,80/saca, respectivamente, nos indicadores dos cafés arábica e robusta calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Avançada (Cepea). No entanto, o indicador do arábica manteve-se abaixo do preço mínimo de R$ 307/sc, encerrando a quinta-feira a R$ 297,55/sc, situação que reforça a necessidade de lançamento, com urgência, de instrumentos de garantia de renda pelo governo federal.

Em função dos baixos preços praticados no mercado, a estimativa de Valor Bruto da Produção (VBP) da cafeicultura em 2013 é de R$ 14,34 bilhões, inferior em R$ 5 bilhões ao resultado obtido no ano passado. Dessa forma, o café foi rebaixado da quarta para a quinta posição no ranking dos produtos que mais geram renda na agricultura brasileira, sendo ultrapassado, pela primeira vez na série histórica – últimos 12 anos –, pela laranja, conforme relatório divulgado, na terça-feira (16/07), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Fonte: Conselho Nacional do Café