Massacre, Crime Ambiental e Desperdício!

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O Massacre:

Amigos, a Toninha é um pequeno (1,70m no máximo) mamífero aquático que ocorre no Uruguai, Argentina e Brasil, Pontoporia blainvillei. Tem coloração cinza-acastanhada tendendo para amarelo no ventre. Apresenta rostro afilado e longo, com 210 a 242 dentes aguçados, nadadeiras peitorais largas e nadadeira dorsal triangular ligeiramente falcada.

Caça seu alimento próximo a costa e freqüentemente são capturadas “acidentalmente” pelas redes dos barcos de pesca que são colocadas fora dos limites determinados pelo IBAMA.

Seus corpos aparecem na areia da praia.

Na maioria das vezes são abatidas a tiros pelos barcos de pesca para garantir a segurança de quem tem o trabalho de retirar o animal das redes.

Em uma contagem que fizemos recentemente, em 50 quilômetros de praia encontramos mais de 50 desses animais mortos.

O Crime Ambiental:

Todos nós já vimos documentários sobre o importante trabalho ambiental que vem sendo realizado no Brasil a mais de 25 anos que é o Projeto Tamar.

O nome TAMAR foi criado a partir da contração das palavras “tartaruga marinha”. A abreviação se mostrou necessária ainda no início dos anos 80, para a confecção das pequenas placas de metal utilizadas na identificação das tartarugas marcadas pelo Projeto para estudos de biometria, monitoramento das rotas migratórias e outros.

Desde então, o Projeto TAMAR passou a designar o Programa Brasileiro de Conservação das Tartarugas Marinhas, que é executado pelo IBAMA, através do Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas (Centro TAMAR-IBAMA), órgão governamental; e pela Fundação Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisas das Tartarugas Marinhas (Fundação Pró-TAMAR), instituição não governamental, de utilidade pública federal.

Resumindo, o Projeto Tamar busca preservar as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil.

É sabido que de cada mil tartarugas que nascem, apenas uma ou duas chegarão a maturidade.

Em uma recente saída de pesca que fizemos, encontramos ao longo de 120 quilômetros de praia dezenas de carcaças de tartarugas marinhas, notadamente de duas espécies, Tartarugas Cabeçudas e Tartarugas de Couro.

São animais que chamam a atenção por seu tamanho e por estarem ali mortas na areia. Por curiosidade paramos e fomos verificar. Por incrível que pareça várias dessas tartarugas tinham perfurações que nos levam a pressupor que foram abatidas a tiros.

Tartaruga de Couro com aproximadamente dois metros de comprimento, apresentava uma perfuração lateral e grande ferimento na cabeça.

O Desperdício:

A pesca comercial é classificada de acordo com seus objetivos e pode ser:

Empresarial, realizada por empresas de pesca que possuem barcos próprios e capturam os peixes utilizando redes de cerco, redes de arrasto, espinhéis e linhas de fundo.

Artesanal, realizada por pescadores profissionais nas proximidades da costa, embarcada ou não. Os meios de captura são redes de espera, redes de arrastão de praia, espinhéis, linhas de fundo, tarrafas e armadilhas.

É uma atividade econômica importante em todo o mundo e busca abastecer as populações com esse alimento tão necessário para o ser humano que é o peixe.

O que nos choca é estarmos rodando por uma praia e encontrarmos uma cena como essa.

A “escolha” é o que sobra na areia depois que o pescado que possui valor comercial é retirado. Milhares de peixes são descartados na areia em cada redada. Arraias de até 4 ~ 5 quilos, cações com 20 ~ 30 cm, Papa terras, pescadas, corvinas, anchovas, sardinhas, savelhas, linguados, centenas de siris, bagres, pampos, xareus, palombetas, robalinhos, pequenas lulas, pijaminhas, marias luizas e tudo o mais que estiver pela frente da rede.

Normalmente ocorre quando é feito o arrasto e o fruto desse descarte fica espalhado por muitos quilômetros de praia.

Para que vocês tenham uma pequena idéia do que estou falando veja o que testemunhamos.

Isto é a “escolha”.

Como podem ver, centenas de peixes foram simplesmente descartados na areia. Provavelmente não teriam condições de serem devolvidos à água com vida, mas no mínimo, poderiam servir de alimento para pessoas carentes.

Em destaque, no canto superior esquerdo vemos um filhote de cação martelo uma espécie protegida. As arraias tiveram suas asas cortadas enquanto ainda estavam vivas.

Esclarecimento, tudo o que aparece nesta foto são peixes e restos de peixes, nessa praia não tem nenhum tipo de pedra.

Denúncias:

Denúncias formais foram e continuam sendo feitas, imprensa, órgãos públicos, órgãos que deveriam ser competentes, são informados do que acontece e via de regra nada é feito.

Pescadores da Plataforma de Cidreira vem sistematicamente denunciando a presença de barcos pescando na proximidade da costa (fora dos limites estabelecidos, 2 milhas). Fazem arrasto, pescam de parelha e soltam redes a 150 ~ 200 metros da praia.

Em troca, receberam uma visita dos fiscais do IBAMA que proferiram uma palestra aos pescadores amadores, falando das punições (inclusive detenção e processo por crime ambiental) que os mesmos poderiam receber se pescarem sem ter as licenças ou capturarem espécies protegidas ou fora de medida.

Fotografam os barcos, ligam para o “Linha Verde”, se propõem a buscar os fiscais do IBAMA com seus próprios carros (diante da argumentação de que estão sem viatura) e nada acontece.

Da beira da água até o barco, uns 150 metros no máximo. A identificação do barco, onde está?

Normalmente nos mercados públicos vendem a “mistura”, a “sobra”, a “escolha” por alguma pouca merreca, não condeno isso, é uma forma de aproveitar um pescado de baixo valor comercial, que não sobreviveria se fosse devolvido à água, e que irá alimentar alguém. Esse pescado poderia simplesmente ter o mesmo destino daquele que vimos nas fotos.

Sejamos realistas, a pesca comercial precisa existir, é uma fonte que alimenta milhares de cidadãos, uma atividade econômica importante para o país.

O que condenamos, é o descumprimento das leis de uma forma completamente impune. Condenamos a prática de técnicas de pesca predatórias e proibidas. Condenamos o desperdício que vimos, por que estão matando simplesmente por matar.

Isso é total desrespeito a vida.

Os paladinos da justiça, defensores da proibição do corte dos esporões dos bagres não estavam lá, nem se manifestam sobre fatos como esse que ocorrem diariamente em todo o nosso litoral.

Da escrivaninha onde sentam fica difícil ver esse massacre.

IBAMA. Sugestões, reclamações, pedidos de informações e denúncias sobre agressões ao meio ambiente podem ser feitas através da Linha Verde 0800-61-8080, a ligação é gratuita de qualquer ponto do país.
E-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br
Fax: (61) 321-7713

Um grande abraço.

Autor: José Reis

 

Fonte: http://www.guiapescadepraia.com.br/crime.html

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