Manejo de Reprodutores

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O sucesso de um programa de reprodução controlada, com o objetivo de melhoramento genético de um rebanho, depende da escolha do reprodutor.

Fatores que devem ser considerados na escolha de um reprodutor:

1) exame minucioso dos sistemas locomotor, visual e digestivo, que interferem diretamente na capacidade reprodutiva dos machos;

2) exame específico dos órgãos genitais – verificar:
– Ausência de alterações do pênis e prepúcio;
– Integridade testicular e escrotal.

Deverão ser descartados os animais que apresentarem as seguintes anomalias e enfermidades, pois estas alterações comprometem a fertilidade:
– criptorquidia (um ou ambos os testículos presentes no abdome),
– orquite (inflamação dos testículos) e
– hipoplasia (testículos de tamanho menor que o normal),

3) observação do comportamento de cópula – interesse sexual pela fêmea;

4) observação das condições sanitárias – ausências de doenças infecto-contagiosas ou metabólicas que possam interferir na reprodução.

5) os reprodutores devem apresentar um desenvolvimento corporal compatível com a idade e o tipo racial;

6) em criações semi-extensivas, recomenda-se a substituição de reprodutores a cada 3 anos, evitando, desta forma, o acasalamento entre parentes;

7) é importante a avaliação do sêmen dos machos selecionados, antes do seu uso como reprodutor, que deve ser realizado por um médico veterinário capacitado para tal exame;

8) ausência de agnatismo ou prognatismo.

Manejo do Reprodutor
Fora da estação de monta, os reprodutores devem ser mantidos em áreas amplas, limpas e não devem Ter acesso ao rebanho das fêmeas.

A criação do macho junto às matrizes acarreta o desgaste nutricional e reprodutivo do animal, se tornando uma prática anti-econômica e não recomendável.

Os machos devem receber uma suplementação alimentar nas épocas carenciais, 30 dias antes e durante o período da cobrição, todavia, a mineralização deve ser fornecida ao longo do ano. É importante obedecer a uma dieta balanceada, evitando, desta forma, a ocorrência de cálculo renais ou uretrais.

É necessário um cuidado contínuo em relação aos cascos dos animais, que devem ser mantidos cortados para não expor a penetração de agentes infecciosos e causadores de lesões graves e problemas de prumos.

Seleção de Matrizes
Segundo Gonzales(1992) para a maximização da eficiência reprodutiva de um rebanho de pequenos ruminantes é necessária uma cuidadosa seleção de fêmeas a serem utilizadas. A taxa de fertilidade está diretamente ligada a alguns fatores que interagem e afetam a eficiência produtiva do rebanho, como raça, o estado nutricional, a estação sexual, idade das fêmeas e as condições sanitárias.

Considerações na escolha de matrizes:

1) não devem ser utilizadas fêmeas muito jovens ou com idade avançada, evitando baixas taxas de respostas ovulatórias;

2) constatação das condições sanitárias, não devendo as fêmeas apresentar doenças infecto-contagiosas ou alterações no sistema genital, que possam reduzir a fertilidade ao parto;

3) observação da habilidade materna;

4) observação da facilidade de parição – as matrizes devem apresentar gestação e partos normais;

5) avaliação da produção de leite – a fêmea deve ser capaz de garantir a amamentação para a sobrevivência da cria;

6) o animal deve apresentar cascos sadios e o aprumo correto;

7) aconselha-se uma seleção voltada para o nascimento de, no máximo, duas crias, pois do contrário haverá uma disputa maior no desenvolvimento fetal e, conseqüentemente, nascerão crias mais fracas e de menor desenvolvimento corporal, levando a uma maior taxa de mortalidade até o desmame;

8) devem ser eliminadas do rebanho fêmeas com defeitos hereditários (agnatismo, prognatismo, hérnias e outras) e com problemas reprodutivos (fêmeas que são cobertas e não ficam prenhas por mais de dois anos), sendo que a manutenção desses animais torna inviável o retorno econômico para o produto.

Época Ideal para o Acasalamento (Silva, 1987)
Em regiões de clima temperado a estacionalidade sexual é bem definida, ou seja, o aparecimento do cio nas fêmeas dos pequenos ruminantes é condicionado pelo fotoperíodo (duração de horas/luz/dia).

Entretanto, em regiões de clima tropical, como o Nordeste, estas fêmeas ciclão durante todo o ano, sendo essa atividade reprodutiva parece estar mais relacionada com a disponibilidade de alimento, uma vez que a luminosidade não sofre grandes variações durante o ano.

Com isso, uma ovelha que receba uma suplementação energética – protéica e mineral, durante a época da estiagem, apresentará cios durante o ano inteiro.

A escolha da estação reprodutiva para as fêmeas de pequenos ruminantes, mesmo com a sua condição de atividades cíclica contínua, depende de uma série de fatores inerentes ao macho e à fêmea:
– período de maior atividade sexual dos animais, tanto machos quando fêmeas;
– avaliação do período em que ocorrerá o terço final da gestação, devido à importância do peso da cria ao nascer, aumentando a taxa de sobrevivência.
– observar que a época dos nascimentos coincida com o período de maior disponibilidade quantitativa de forragens no campo, proporcionando uma produção láctea suficiente para promover maiores taxas de desmame;
– verificar o período em que as crias serão separadas das mães, tentando-se obter o mínimo de 30 dias de permanência destas em uma boa alimentação verde, após o desmame, minimizando, desta forma, o estresse provocado pela suspensão do leite

Sistema de Acasalamento – Monta Natural Controlada
De acordo com Ribeiro (1989), este sistema de acasalamento é o mais recomendado em criações semi-extensivas, e utiliza o rufião para a detectação das fêmeas em cio.

O ciclo estral da ovelha dura, em média, 17 dias e a ocorrência do cio dura 24 – 42h, sendo que o momento da ovulação ocorre 25 – 30h após o início do cio. Como a ovelha, em muitos casos, não apresenta sinais de cio visíveis, há necessidade de utilização de rufiões (machos deferectomizados).

O rufião deve ser colocado pela manhã e à tarde com o rebanho de fêmeas, na proporção de 4 rufiões para 100 ovelhas. As fêmeas que aceitarem ser cobertas pelo rufião deverão ser separadas para cobertura pelo reprodutor a cada 12 horas, até que as mesmas não mais aceitem o acasalamento.

Após a detecção e separação das ovelhas em cio pela manhã, os rufiões devem ser retirados do rebanho e devem permanecer em piquetes próprios para machos até o período da tarde, quando então serão repassados para o lote das fêmeas.

Recomenda-se um período de 60 dias para a estação de monta. Durante os primeiros sete dias da estação de monta, as fêmeas permanecerão apenas com o rufião e, a partir do oitavo dia, serão cobertas pelo reprodutor.

Durante a estação de monta, os reprodutores devem permanecer em piquetes próximos aos das matrizes, somente sendo trazidos às fêmeas no momento da cobertura.

Este sistema de acasalamento é o mais indicado quando se objetiva uma reprodução econômica.

Entretanto, quando este tipo de sistema é inviável para o produtor sugere-se, pelo menos, alguns cuidados de manejo, como:
– manter os reprodutores com as fêmeas somente durante as épocas de maior atividade sexual dos machos e fêmeas;
– substituir, periodicamente, os reprodutores para não ocorrer desgasta reprodutivo nos mesmos;
– obedecer à proporção de 4% de machos para as fêmeas (4 reprodutores para 100 fêmeas);
– fazer uma revisão periódica rigorosa do estado nutricional dos machos, pois o desgaste destes é muito grande quando mantidos permanentemente com o lote de matrizes.

Prenhez
A gestação da ovelha dura, em média, 150 dias e sua manutenção até à parição normal é a resposta do lucro econômico da exploração.

As matrizes prenhas devem permanecer em piquetes e serem submetidas a determinados cuidados como:
– não devem receber medicamentos que possam desencadear o parto prematuro (Ocitocina, PGF2-a, dexametasona);
– devem receber uma complementação alimentar compatível com o seu estado f fisiológico, pois é importante considerar que ocorre um grande aumento das necessidades nutricionais da  fêmea no terço final da gestação;
– deve evitar-se administração de anti-helmínticos nos primeiros 60 dias de prenhez, evitando-se desta forma, o estresse das ovelhas;
– os animais devem ser recolhidos à noite, em abrigos para a proteção contra chuvas, ventos fortes e frio excessivo.

Enfermidades metabólicas ou infecciosas podem ocorrer no período pré e pós-parto, como:

Cetose: Ocorre no período próximo ao parto e apresenta, como causa uma alimentação deficiente, antes e durante a prenhez.

Febre do Leite: Ocorre no período final da gestação ou no início da lactação, em conseqüência de uma deficiência de cálcio.

Mamite: Inflamação no úbere, devido a infecções bacterianas ou traumatismo (Rieira, 1982).

Fonte: www.nogueirafilho.com.br

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