Manejo de reprodutores antes da estação de acasalamento

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A eficiência produtiva de um rebanho está diretamente relacionada ao número cordeiros/cabritos desmamados por fêmea ao ano. Neste sentido, a eficiência reprodutiva, representada pelo somatório da fertilidade e prolificidade das fêmeas e ainda, sobrevivência dos produtos ao desmame, contribui substancialmente à eficiência econômica do sistema de produção.

A importância da fertilidade do macho nos programas de reprodução é maior do que a de qualquer fêmea isoladamente. Isto se deve ao fato dos ruminantes apresentarem capacidade de acasalar-se com um elevado número de fêmeas. Adicionalmente, o melhoramento genético é mais facilmente alcançado utilizando-se esta capacidade de maior pressão de seleção dos machos. Assim, além de uma criteriosa seleção de reprodutores e matrizes, a eficiência da estação de acasalamento depende das boas práticas de manejo e avaliação dos reprodutores e matrizes anteriormente ao período de reprodução.

Visto a maior importância dos machos na eficiência reprodutiva do rebanho, estes merecem atenção especial. Cerca de sessenta dias antes da data prevista para início da estação de acasalamento, os reprodutores selecionados devem ser avaliados e manejados adequadamente.

Conforme publicado em 16/04/2009, no artigo “Exame andrológico e avaliação da libido“, o exame andrológico completo fundamenta-se na avaliação de todos os fatores que contribuem para a função reprodutiva normal do macho. Neste sentido, a habilidade para a monta, a libido e sua resistência ao longo da estação de acasalamento são características que devem ser avaliadas. O teste da libido realizado frente a um grupo de fêmea possibilita predizer a capacidade de monta e interesse sexual destes machos. A avaliação criteriosa das características escroto-testiculares e seminais auxiliará e garantirá a introdução de machos aptos à reprodução na estação de acasalamento.

Aspectos sanitários, que em um primeiro momento parecem não estar relacionados ao desempenho sexual dos machos, devem, também, ser cuidadosamente avaliados. Para identificação e controle de verminoses é necessário realizar exame de fezes (OPG). Indica-se a everminação trinta dias antes do início dos acasalamentos. É prudente ainda, realizar um exame clínico do animal, visto que a presença de miíases (bicheiras), entre outras afecções, podem também comprometer o desempenho do animal. Ainda neste aspecto, deve-se atentar ao cumprimento do calendário profilático do rebanho (vacinação). Várias doenças infecto-contagiosas ou metabólicas podem interferir na reprodução.

Os aprumos garantem uma boa desenvoltura do reprodutor na hora da monta. Para tanto, sua avaliação e correção devem ser realizadas por volta de sessenta dias antes da estação de acasalamento, sendo repetida se necessário. Os cascos bem cortados evitam, ainda, a penetração de agentes infecciosos causadores de lesões graves.

A avaliação da condição corporal do macho auxiliará na adequação do manejo nutricional no período pré-acasalamento. A boa condição corporal do reprodutor é mediana, devem-se evitar condições extremas de obesidade ou magreza. Os reprodutores devem receber uma suplementação alimentar nas épocas carenciais, trinta dias antes e durante o período das coberturas. É importante fornecer uma dieta balanceada, evitando, desta forma, a ocorrência de cálculos renais ou uretrais.

Em um sistema com estação de monta definidas, os reprodutores devem ser mantidos juntos às fêmeas apenas no período de acasalamentos. O acesso ao rebanho das fêmeas durante todo ano, pode acarretar desgaste reprodutivo e nutricional do animal, com isso, prejuízos econômicos. Mesmo fora da estação de monta, os reprodutores devem receber um manejo nutricional e profilático adequado a fim de garantir que estes cumpram suas funções reprodutivas nas próximas estações.

Contudo, a avaliação e um bom manejo dos reprodutores são indispensáveis para garantir alta eficiência na estação de acasalamento. Caso contrário, baixos índices de fertilidade e natalidade podem induzir o criador ao descarte de ovelhas que possivelmente são férteis, enquanto o problema é vinculado ao baixo desempenho do macho.

Referências bibliográficas

BARBOSA, R. T.; MACHADO, R.; BERGAMASCHI, M. A. C. M. Circular Técnica, A importância do exame andrológico em bovinos, nº 41, EMBRAPA Pecuária Sudeste, São Carlos – SP, Dezembro – 2005

COLÉGIO BRASILEIRO DE REPRODUÇÃO ANIMAL. Manual para exame andrológico e avaliação de sêmen animal. 2a Ed. Belo Horizonte,1998. 49 p.

LIMA, G. F. C.; HOLANDA JUNIOR, E. V.; MACIEL, F. C.; BARROS, N. N.; AMORIM, M. V.; CONFESSOR JUNIOR, A. A. Criação familiar de Caprinos e Ovinos no Rio Grande do Norte – Orientações para viabilização do negócio rural. EMATER-RN/EMPARN/Embrapa Caprinos, 426p., 2006.

MACHADO, R.; CORRÊA, R. F.; BARBOSA, R. T.; BERGAMASCHI, M. A. C. M. Escore da condição corporal e sua aplicação no manejo reprodutivo de ruminantes, EMBRAPA,Circular Técnica, n. 57, 16p., São Carlos – SP, Dezembro, 2008.

Fonte:  http://www.farmpoint.com.br

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