Manejo da Broca e Bicho Mineiro na Cultura do cafeeiro

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1.      INTRODUÇÃO

A broca do café e o bicho mineiro são as duas principais pragas da cultura do café, podendo apresentar perdas na produção de 80% no estado do Espírito Santo, devido a isto se dá a importância do conhecimento do manejo destas pragas, onde o manejo integrado não significa utilizar somente inseticidas, más sim um conjunto de atividades que tenham a mesma eficiência sobre o controle da praga e que causem menos impactos ambientais. Assim o objetivo deste trabalho é informar corretamente sobre como controlar essas duas pragas que causam grandes danos á produção cafeeira.

2.      BICHO MINEIRO (Perileucoptera coffeella ).

Praga de origem africana, constatada no Brasil a partir de 1851, quando aqui entrou, provavelmente através de mudas de café, provenientes as Antilhas e da ilha de Bourbon. Atualmente encontra-se disseminada por todas as regiões cafeeiras do país. É encontrada também em muitos outros paises das Américas e da África, sendo talvez a praga cafeeira de maior disseminação no globo. É uma praga monófaga, atacando somente o cafeeiro. 2.1. MORFOLOGIA. O Bicho Mineiro na fase adulta é uma mariposa de cerca de 6,5 mm de envergadura e 2,2 mm de comprimento, de coloração geral branco-prateado. As extremidades das asas anteriores apresentam faixas amarelas orladas de preto e uma mancha ocelar também preta. Durante o dia as mariposas escondem-se na folhagem, instalando-se na página inferior das folhas do cafeeiro, ou de outros vegetais. A tarde ou ao anoitecer deixam o abrigo e iniciam a postura, na página superior das folhas do cafeeiro. A lagarta ao nascer passa diretamente do ovo para o interior da folha, alimentandose então do tecido existente entre as duas epidermes e deixando um vazio na área em que se nutriu. As regiões destruídas vão secando e a área atacada vai aumentando com o próprio desenvolvimento da lagarta. Esta lesão é caracteristicamente denominada “mina”, e pode ser reconhecida pela facilidade em levantar-se sua película superior, observando-se desta forma as lagartas e o espaço vazio deixado por elas. É normal encontrar-se várias lagartas numa mesma mina devido a coalescência de lesões. 2.2. CICLO DE VIDA. A lagarta desenvolvida mede 4 a 5 mm de comprimento e 0,75 mm de maior largura. Possui corpo achatado, levemente amarelado e transparente; sai para o exterior por uma fenda em forma de semi-circulo, que a lagarta faz na epiderme superior,e, em seguida, se encrisalida na parte inferior desta mesma folha ou em outras mais próximas do solo, e, neste caso, a elas chegam pendurando-se por um fio de seda produzidos por ela. Esta fase de desenvolvimento do inseto (pupa ou crisálida) pode ocorrer também em folhas de outros vegetais, no solo, em detritos ou folhas secas. É facilmente reconhecida

pela presença de um casulo em forma de X, feito pela lagarta, com fios de seda brancos, para proteção da pupa. Os adultos surgem após o período pupal e tem longevidade média de 15 dias embora possam viver mais de um mês. O ciclo evolutivo varia, de acordo com a temperatura, de 19 a 87 dias. O período de eclosão vai de 5 a 21 dias. Cada mariposa põe em média 36 ovos, no máximo 90 e no mínimo 3, podendo o período de ovoposição chegar até 25 dias. A postura média por noite é de 7 ovos, colocados isoladamente um do outro. O período larval varia de 9 a 40 dias e o período pupal de 5 a 26 dias. No campo, quando as condições são favoráveis, chega a ocorrer 7 ou mais gerações por ano. 2.3. DANOS. Os danos causados ao cafeeiro verificam-se pela diminuição da área foliar fotossintética (ativa), e principalmente pela queda de folha. O reflexo na produção é patente e normalmente se caracteriza na próxima safra. Dados sobre experiências realizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, revelaram uma redução de 37%, 53% e até 80% de capacidade produtiva do cafeeiro, respectivamente. Os prejuízos causados pelo Bicho Mineiro variam principalmente pela intensidade, duração do ataque e época de ocorrência. 2.4. MANEJO INTEGRADO. 2.4.1. Amostragem para avaliação da infestação. Orienta-se o início do controle do bicho-mineiro, quando em amostragens de folhas realizadas quinzenalmente, for encontrado 30% ou mais de folhas minadas nos terços médio e superior. Em lavouras novas, de até três anos, em formação, o controle químico deve ser realizado sem a necessidade de determinação da porcentagem de infestação, ou seja, assim que as primeiras minas ou lesões forem constatadas nos cafeeiros. 2.4.2. Controle biológico natural. Ocorre naturalmente pela ação de parasitóides (micro-himenópteros e vespas predadoras). Estes insetos procuram nas minas ou lesões das folhas do cafeeiro, lagartas do bicho-mineiro para parasitar ou predar. As vespas predadoras constroem os ninhos nos próprios cafeeiros ou em árvores e arbustos, e outros suportes próximos das lavouras de

café. As vespas voam e procuram nas plantas as lesões, onde rasgam com a mandíbula a epiderme da folha, retiram as lagartas e as comem. Já foram identificados vários predadores, todos da ordem Hymenoptera e da família Vespidae, e parasitos pertencentes a várias famílias que, devido ao seu pequeníssimo tamanho, passam despercebidos pelos cafeicultores. A eficiência dos predadores é de cerca de 69%, enquanto que a dos parasitos é de 18% (Reis & Souza, 1986). 2.4.3. Controle químico. O controle químico não deverá influir sobre o equilíbrio biológico desde que seu uso esteja condicionado ao nível em que os inimigos naturais não estão sendo eficientes e as condições para o aumento da praga estão favoráveis, proporcionando desta forma, uma redução na população do bicho-mineiro, restabelecendo o equilíbrio entre a praga e os inimigos naturais (Reis & Souza, 1994, 1996). É recomendável que o controle químico seja feito somente nos talhões ou parte dos talhões mais infestados, a fim de auxiliar na preservação dos inimigos naturais (Souza et al., 1998). Diversos produtos ou mistura de produtos em pulverizações apresentam eficiência no controle do bicho-mineiro, tais como fosforados, carbamatos e diversos piretróides, (Reis & Souza, 1996). Os inseticidas e concentrações utilizados no controle do bicho-mineiro estão listados conforme a tabela abaixo.

Tabela de inseticidas para o controle do bicho-mineiro.

Fonte: Entomologia agrícola, Domingos Gallo, 2002.3.BROCA DO CAFÉ (Hypothenemus hampei).Originária da África, onde foi referida como praga em 1901 no Congo, a broca do café atingiu o estado de São Paulo, por volta de 1913, em sementes importadas da África e de Java. Somente a partir de 1924 foram sentidos os prejuízos causados pela praga, constando-se então a sua gravidade. De São Paulo, a broca do café espalhou-se por todas as regiões cafeeiras do país. A broca é considerada a principal praga do café, pelo fato de afetar a produção e a qualidade de bebida do café. Para melhor utilizar as diferentes táticas de manejo integrado da broca-do-café, é importante detectar com certa precisão a data de início de “trânsito” das brocas no campo; o “trânsito” não é mais que a emergência das brocas dos sítios de invernação para atacar os novos frutos de café. A broca-do-café Hypothenemus hampei é uma das pragas que provoca maiores prejuízos à cafeicultura, pois, atacando os frutos, afeta diretamente a produção (Nakano et al., 1976). Dependendo do nível de infestação, os prejuízos podem chegar a 21%, somente pela perda de peso (Souza& Reis, 1980). Além disso, a qualidade do café fica prejudicada, uma vez que as porcentagens de grãos brocados e quebrados aumentam proporcionalmente ao aumento da infestação da praga, resultando num produto de tipo e valor comercial inferiore, pois, para cada cinco grãos brocados e/ou quebrados encontrados na amostra, o lote de café correspondente é penalizado com um defeito no sistema de classificação (Toledo1947/1948; IBC, 1985).

Apesar da preocupação existente em controlar biologicamente a broca, logo após sua introdução no Brasil, em 1913 (Hempel 1934, Bergamin 1943, Toledo 1948), os esforços iniciais foram descontinuados frente a popularização dos inseticidas sintéticos. Este fenômeno aconteceu também em outros países do mundo (Waterhouse & Norris 1989). A broca continua a ser um fator limitante para a cultura de café, porque reduz a produtividade da cultura e, principalmente, deprecia a qualidade do fruto. Em alguns países, como a Colômbia, onde foi introduzida recentemente (1988), esta praga está causando a devastação da produção (Baker 1995). Visando elaborar estrategias para o manejo da broca, é preciso interrelacionar os conhecimentos sobre a biologia e a dinâmica populacional do inseto com a dinâmica de produção de frutos pela planta e, futuramente, com a dos quatro parasitóides conhecidos, para poder estimar o impacto de cada um deles no controle da praga. Isto implica na análise

conjunta da dinâmica de três níveis tróficos, sob um determinado clima e condições agronômicas de manejo.

3.1. MORFOLOGIA. O inseto, na sua forma adulta, é um pequeno besouro de coloração escura e brilhante, tendo o corpo cilíndrico, robusto, recurvado para a região posterior, com o primeiro seguimento do tórax bem desenvolvido e recobrindo a cabeça. O corpo é revestido de escamas e cerdas e com os élitros sulcados longitudinalmente. A fêmea possui aproximadamente 1,65 mm de comprimento por 0,73 mm de largura. O macho é um pouco menor, tem as asas rudimentares, não voando, vivendo no fruto onde se origina. Cada macho copula com 10 fêmeas ou mais, dentro do fruto. A razão sexual é de 1 macho para 9,75 fêmeas. A fêmea fecundada perfura o fruto na região da cicatriz floral ou coroa, fazendo uma galeria através da polpa, ganhando o interior de uma das sementes. Abre, então, a galeria, transformando-a em uma pequena câmara onde realiza a postura. A fecundidade média das fêmeas é de 74 ovos (31 a 119 ovos) e a longevidade média, de 156 dias (81 a 282 dias). A fêmea coloca 2 ovos por dia e o numero de ovos por câmara dificilmente ultrapassa a 20. O período médio de incubação dos ovos é de 7,6 dias (4 a 16 dias). O período larval é de 13,8 dias em média (9 a 20 dias) e o período pupal de 6,3 dias em média (4 a 10 dias). O número de gerações, em nossas condições, pode chegar até a 7 por ano, sendo que 4 a 5 evoluem no período de novembro-dezembro a julho-agosto. O ciclo evolutivo médio da praga é de 27,7 dias (17 a 46 dias). 3.2. CICLO DE VIDA. Ovos Os ovos são pequenos, brancos, elípticos e com brilho leitoso. A fêmea põe em média dois ovos por dia. Após 20 dias apenas um ovo por dia. A longevidade da fêmea é de 156 dias. Larvas As larvas começam a alimentar-se de pequenas partículas das câmaras de onde nasceram, depois de alguns dias as larvas em pleno desenvolvimento provocam o dano na semente/grão (perda total do peso) .Pupa Após o período larva de 14 dias, a larva transforma-se em pupa de coloração branca e com decorrer dos dias escurece até castanho claro. Período pupal é de 7 dias em média. Adulto O adulto da broca do café é um besouro preto luzidio, corpo cilindrico e recurvado para a região posterior. Os machos possuem as mesmas características das fêmeas, sendo porém menores e com asas rudimentares. A razão sexual é um macho para dez fêmeas. Nunca deixam os frutos onde se originaram, pelo fato de não voar. 3.3. DANOS. A broca ataca o café nos vários estágios de desenvolvimento : frutos verdes, maduros e secos. Frutos chumbinhos não são os preferidos, mas também são atacados. Neste estágio a praga faz uma galeria rasa, ficando com a parte posterior do corpo para fora. Ocorre quedas de frutos, mas via de regra não ovopositam por estarem nos frutos muito aquosos. O ataque se acentua na fase de granação e maturação. Após a fêmea penetrar no fruto e fazer galerias com a respectiva câmara de postura, surgem as larvas que vão destruir total ou parcialmente a semente. Altas infestações diminuem a porcentagem de grãos perfeitos e aumentam a de grãos perfurados, de escolha e de grãos quebrados, determinando, em conseqüência, uma sensível perda de peso além do mal aspecto e sabor. Normalmente um lote de café coco com 85% de infestação de broca, apresenta uma perda de peso, após o beneficiamento, de aproximadamente 20%. Evidentemente infestações menores acarretam proporcionalmente menores redução de peso. Outro prejuízo atribuído a broca é aquele referente a queda de frutos. Durante o desenvolvimento dos frutos observou-se que a broca foi responsável pela queda de 46% dos frutos em um cafezal com 61% de infestação no final da safra, e a proporção da queda entre frutos broqueados e frutos sadios foi de 4,6 : 1 para aquela infestação, verificando-se uma proporção de 3 por 1 entre frutos broqueados que caíram e frutos broqueados que permaneceram. A inferiorização do tipo é também um dos prejuízo, pois a cada 5 (cinco) grãos perfurados atribui-se um defeito. Um lote de café pode passar do tipo 2 ou 3 para o tipo 7 ou 8, devido exclusivamente ao ataque da praga. Observa-se, portanto, que além de se ter menor quantidade de café devida a redução do peso e à queda de frutos, consegue-semenor preço pelo produto devido à perda da qualidade. 3.4. MANEJO INTEGRADO. 3.4.1. Amostragem para avaliação da infestação. A forma mais adequada para acompanhar a infestação da broca e realizar o controle no momento oportuno, é fazer amostragem mensal na lavoura, de novembro até cerca de 70 dias antes da colheita. O cafeicultor deverá programar-se para fazer a última pulverização respeitando a carência do produto. O inseticida mais eficiente para esse fim é o Endosulfan (princípio ativo), cuja carência é de 70 dias, ou seja, o intervalo mínimo de dias permitido entre a aplicação do produto e a realização da colheita. Outra indicação para iniciar a amostragem é quando os frutos estiverem na fase de chumbo e chumbões, período em que as sementes já estão formadas e, portanto, na fase em que a broca perfura o fruto, podendo ovipositar. A amostragem deve ser feita percorrendo-se o talhão em zig-zag e tirando ao acaso 100 frutos de cada planta escolhida (25 em cada face). O número de plantas a ser amostrado depende do tamanho do talhão, conforme apresentado no Quadro 1. Em seguida, faz-se a separação dos frutos brocados e não brocados para a determinação da percentagem de infestação.

Quadro 1. Número de plantas amostradas em função do tamanho do talhão. Número de plantas no Talhão Até 1000 1000 a 3000 3000 a 5000 Acima de 5000 Adaptado de Souza & Reis, 1997. O controle deverá ser iniciado quando a infestação atingir 3% a 5%, iniciando-se pelas partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente, recomenda-se o controle apenas para os talhões, cuja infestação da praga já tenha atingido 3 a 5%. Procedendo-se dessa forma, evitam-se gastos desnecessários com mão-de-obra e Nº de plantas amostradas 30 50 75 1,5% das plantas

inseticida, como também, diminuição dos problemas relacionados ao uso do defensivo. Mesmo após o controle, o monitoramento deve continuar e quando a infestação alcançar os índices recomendados, fazer o controle novamente, respeitando os limites de carência do inseticida usado. Para produtores que utilizam ou não inseticidas, uma das alternativas para a redução do ataque da broca, é uma colheita bem feita e um repasse na lavoura se necessário, não deixando frutos na planta ou no chão, para evitar a sobrevivência dessa praga e reinfestação na próxima safra. Deve-se destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca encontra abrigo e se multiplica livremente, e também, alertar o vizinho para que controle o ataque de broca, evitando focos para outras lavouras. 3.4.2. Controle químico. O controle deve ser iniciado quando a infestação atingir o nível de controle (3% a 5%), pulverizando-se as partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente, recomenda-se o controle apenas para os talhões em que a infestação da praga já tenha atingido 3 a 5%. Procedendo-se dessa forma evitam-se gastos desnecessários com mão-de-obra e inseticida, como também, tem-se uma diminuição dos problemas relacionados ao uso do produto. Mesmo após a aplicação do inseticida, o monitoramento deve continuar, e quando a infestação alcançar o nível de controle, pulverizar novamente, respeitando o período de carência do produto usado.Detectada a necessidade de controle da praga, recomenda-se o inseticida Endosulfan 350 g/l CE (Dissulfan CE, Endofan, Endosulfan Fersol 350 CE, Thiodan CE) na dosagem de 1,5 a 2,0 l/ha (Ministério da Agricultura., 2001). 3.4.3. Controle cultural. A redução do ataque da broca pode ser obtida fazendo-se uma colheita bem feita e um repasse na lavoura, se necessário, para evitar a sobrevivência dessa praga e que passe para os frutos novos da próxima safra. Devem-se destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca encontra abrigo e se multiplica livremente, e também alertar o vizinho para que controle a praga, evitando focos para outras lavouras. 3.4.4. Controle Biológico. A Embrapa Rondônia vem desenvolvendo pesquisa com a vespa-da-costa-do-marfim (Cephalonomia sp.), que é um importante inimigo natural da broca-do-café. Contudo, o estudo encontra-se em fase preliminar, para conhecer aspectos referentes à biologia da vespa e possibilidade de multiplicação em larga escala para testes em campo. Em cafezais

de diversos municípios do Estado, tem-se observado a ocorrência do fungo Beauveria bassiana fazendo o controle da broca. É fácil perceber a presença do fungo, que fecha o furo feito pela broca em forma de um tufo branco. Nos cafezais onde ocorre o fungo, é comum encontrá-lo envolvendo broca morta no interior do fruto. Nessas lavouras recomenda-se não fazer aplicação de agroquímicos, a não ser que a infestação da broca ultrapasse 5% de frutos broqueados sem infecção de B. bassiana. Além de ser uma tecnologia econômica e ambientalmente sustentável, o controle da broca com fungos apresenta uma série de vantagens ao cafeicultor. O bioproduto não é tóxico ao agricultor, não deixa resíduo e não altera a qualidade ou sabor do produto final, sendo melhor aceito pelo mercado consumidor nacional e internacional. Seu impacto sobre o ambiente e outros agentes de controle biológico das pragas é muito pequeno, podendo ser associado com outros métodos de controle. Pode manter-se na lavoura naturalmente, controlando o inseto mesmo após a aplicação. Contudo, o cafeicultor não deve entender essa modalidade de controle como uma simples substituição do produto químico convencional pelo biológico. Trata-se de uma mudança mais profunda e que deve ser encarada com uma visão mais ampla, dentro de um contexto de manejo integrado. Deste modo, qualquer ação dentro do manejo fitossanitário na cultura pode influenciar positiva ou negativamente no sucesso do uso do produto biológico. Antes das aplicações é indispensável o monitoramento da população do inseto no campo. A broca, como para a maioria das pragas, distribui-se na lavoura de forma irregular, podendo ocorrer talhões de maior incidência do inseto. Talhões velhos, adensados e em locais mais úmidos, como baixadas, são geralmente mais infestados.Esses focos da praga são importantes fontes de infestação de novas áreas e devem ser controlados rapidamente. As aplicações do bioproduto podem ser feitas pulverizando-se toda a planta, durante o período de trânsito da broca , ocasião em que os insetos provenientes dos frutos remanescentes da safra anterior atacam os frutos novos, e quando o índice de infestação atingir cerca de 2% de frutos atacados. Deve-se usar entre 1×10 e 2×10 conídios por hectare, em 200 a 400 litros de calda, sempre em agitação. A concentração da calda deve variar entre 2×10 (elevado a 9) e 5×10 (elevado a 9) conídios por litro. Os insetos são infectados durante o caminhamento sobre os ramos e a folhagem ou quando iniciam a perfuração do fruto. É importante que o produto atinja os locais da planta com maior concentração de broca. Estes locais são os mais internos e mais baixos na planta, justamente por serem os mais sombreados e úmidos, preferidos pelo inseto. O polvilhamento, para produtos na forma de pó, é outro modo de aplicação que pode ser empregado. Nesse caso pode-se associar ao produto talco ou outro inerte que seja compatível com o fungo. Um aspecto importante no manejo da broca, onde se utiliza o controle biológico, está relacionado ao efeito dos agrotóxicos sobre o entomopatógeno. O uso de fungicidas para o controle da ferrugem e da cercosporiose, de herbicidas e inseticidas na cultura do cafeeiro convencional é inevitável e freqüente. Esses produtos químicos afetam diretamente o inóculo natural de B. bassiana no campo ou o bioproduto a ser aplicado. Mesmo produtos naturais utilizados pelos cafeicultores orgânicos podem afetar o desempenho do entomopatógeno no campo. Desse modo, é importante que o cafeicultor busque, em centros de pesquisa e no fornecedor do produto biológico, informações sobre agrotóxicos compatíveis. Mesmo para agrotóxicos pouco seletivos, existem outras formas de evitar o efeito negativo desses produtos sobre o fungo. O uso de inseticidas e fungicidas granulados de aplicação no solo e respeitar intervalos de pelo menos 15 dias entre aplicações do bioproduto e do agrotóxico fazem com que não ocorra o contado direto entre o produto químico e o fungo.

4.

CONCLUSÃO.

O conhecimento do manejo integrado para o controle da broca e bicho-mineiro é de extrema importância para a produção caffeira. O responsável técnico tem que ser bem capacitado para que a tomada de decisão seja bem programada e precisa, sendo a tomada de decisão a principal etapa do manejo, onde nesta que é decidido quando e como realizar o controle. O sucesso de um programa de manejo depende do esforço conjunto entre extensionistas, agricultores, indústrias químicas e pesquisadores, para desta forma ser um manejo eficiente e que cause menos impactos ambientais, melhorando a qualidade de vida do produtor com uma produção sustentável.

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Fonte: http://www.ebah.com.br/manejo-da-broca-e-bicho-mineiro-pdf-a91389.html

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