Manejo contra CVC

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Abusca por variedades cítricas resistentes à  Clorose Variegada dos Citros (CVC) teve início nos primeiros anos da década de 90 e intensificou-se a partir de 1997, com ênfase na avaliação de todas as variedades de laranjeiras doces da coleção do Centro Apta Citros/IAC, e na busca de plantas assintomáticas (escapes) em pomares com alta incidência e severidade da doença. Todas as variedades de laranjeiras doces da coleção do Centro Apta Citros foram suscetíveis à CVC. Quanto às plantas eleitas como escape, foram selecionadas 68 plantas, encontradas nas regiões produtoras do Estado de São Paulo e Triângulo Mineiro, entretanto, após testes com inoculação através de material propagativo doente e por vetor, as plantas começaram a expressar os sintomas da CVC, indicando que essas, em detrimento à sua resistência, foram na verdade as últimas plantas a serem infectadas, não apresentando sintomas no ato da coleta de suas borbulhas. Em suma, não se tem, até o momento, uma variedade cítrica resistente ao patógeno e nem mesmo uma variedade que infectada por X. fastidiosa não sofra danos (tolerante ao patógeno).

Estratégias de manejo

Resta aos produtores a adoção de estratégias de manejo para diminuição da incidência e perdas decorrentes da CVC, que são: 1) plantio de mudas sadias (isentas do patógeno); 2) eliminação de plantas sintomáticas com menos de três anos ou plantas adultas severamente atacadas e, poda de ramos em plantas doentes com mais de 3 anos com estágio inicial da doença; e, por fim 3) controle químico do vetor.

Ao iniciar um novo plantio ou reformar um talhão, o citricultor deve se preocupar com a qualidade e sanidade das mudas. A melhor opção é a compra de mudas de viveiros protegidos e de preferência que produzam mudas certificadas ou inspecionadas. Em São Paulo só é permitida a produção de mudas em viveiros protegidos, mas caso o citricultor esteja plantando em Estados, onde não vem sendo adotada essa prática, a melhor opção é a compra de mudas em viveiros afastados de áreas com a presença da CVC, onde o viveirista adota a prática de controle sistemático dos vetores e que a borbulha utilizada seja proveniente de borbulheiras com plantas livres da doença.

Estudos comprovaram que, plantas infectadas até 3 anos de idade devem ser eliminadas, pois quando se observam sintomas em folhas, mesmo de um único ramo primário, a bactéria já se encontra disseminada por toda a copa, inclusive no tronco. A partir de 3 anos, quando o sintoma é inicial, restrito a um ramo da planta, pode-se realizar a poda do ramo infectado, lembrando sempre que se deve podar a uma distância superior a 70 cm da última folha com sintoma, de preferência na base do ramo, evitando assim manter pedaços de ramos onde normalmente ocorrem brotações intensas, que podem atrair os vetores e conseqüentemente ocasionar uma nova inoculação da bactéria. A poda deve ser iniciada o mais rápido possível, pois em talhões de alta incidência de plantas doentes, a prática torna-se inviável.

Como controlar o vetor

Quantas vezes deve-se fazer a poda em uma área durante o ano? Não existe um número indicado, mas quanto mais vezes realizar inspeções, maior a chance de eliminar as plantas doentes e conseqüentemente fontes de inóculo, onde os vetores podem se contaminar.

O controle do vetor é prática importante em áreas onde a doença está presente, principalmente em talhões em que a decisão é não realizar a poda, devido ao grande número de plantas sintomáticas, e que a sua manutenção, todavia, é economicamente viável. Nesses e nos demais talhões da propriedade, deve-se intensificar o monitoramento das cigarrinhas, seja através da observação visual feita por “pragueiros” treinados ou pelo uso de armadilhas adesivas amarelas que atraem e aprisionam os vetores em sua superfície. Com a constatação da presença de vetores na área, deve-se proceder o seu controle, por meio de tratamento das plantas com inseticidas, diminuindo dessa maneira a possibilidade de contaminação de plantas sadias e principalmente de novos plantios ao redor dos talhões doentes. Pomares novos, de até 3 anos de idade, são os mais suscetíveis à contaminação e devem ser protegidos. Nesses pomares, o ideal é a proteção da muda por um maior tempo possível durante o ano, pois ainda não se conhece com grande precisã
o o momento de contaminação da laranjeira, além do fato de vegetarem mais freqüentemente, apresentando tecidos onde as cigarrinhas podem alimentar-se e conseqüentemente transmitir o patógeno.

Controle químico

Em plantios novos podem ser aplicados inseticidas sistêmicos na copa da planta, via solo ou via tronco e inseticidas de contato. Os inseticidas sistêmicos são aplicados nos períodos das chuvas, e os de contato podem ser aplicados tanto nos períodos das chuvas como da seca. Ambas as modalidades de aplicação apresentam vantagens e desvantagens. Em geral, os inseticidas sistêmicos aplicados na copa apresentam um maior período residual e de controle, enquanto que os de contato são os que apresentam um custo menor, mas devem ser aplicados com maior freqüência devido ao menor período residual, que não ultrapassa 30 dias. Os inseticidas sistêmicos via tronco e via solo também apresentam as suas vantagens e desvantagens, apesar de ambos serem parecidos quanto à eficiência e período de controle das cigarrinhas. Em geral, os sistêmicos via tronco, apresentam um controle mais eficiente do minador-dos-citros (Phyllocnistis citrella), enquanto que alguns sistêmicos via solo podem controlar desde nematóides até ácaros, principalmente o da ferrugem (Phyllocoptruta oleivora). Outra vantagem dos sistêmicos é a seletividade aos inimigos naturais das pragas devido ao modo de aplicação.

Apesar da baixa população de cigarrinhas no inverno, há a necessidade do seu controle. Em levantamentos realizados em pomares novos foi observada a presença de vetores nos períodos de seca e de baixa temperatura, que conjuntamente com a ocorrência de brotações podem levar à contaminação das plantas cítricas.

Em pomares em produção, após o terceiro ano, apesar de ser menos suscetível à infecção por X. fastidiosa, caso haja inoculação constante, a planta pode ser severamente atacada e comprometer a produção da laranjeira. Apesar de não necessitar um esquema tão rigoroso quanto em pomar novo, deve-se eliminar as altas infestações dos vetores, podendo ser aplicados produtos específicos quando a inspeção indicar a presença de cigarrinhas no talhão, separadamente ou em conjunto com outros produtos fitossanitários, para diminuir o custo de aplicação.

Ações integradas

Devido ao fato de ainda não se ter uma variedade resistente à CVC, a adoção de manejo da doença torna-se prática essencial para que não haja danos severos e prejuízos aos citricultores. As estratégias de manejo, aqui comentadas, devem ser utilizadas em conjunto para que se tenha sucesso no controle da CVC. Uma estratégia utilizada isoladamente não será efetiva para evitar a contaminação dos pomares e para manutenção dos níveis de incidência baixo. Além das estratégias discutidas pode-se ainda nutrir adequadamente as plantas e, se possível, irrigar os pomares de modo a diminuir os prejuízos relacionados ao efeito que a doença causa ao tamanho dos frutos.

Doença e os avanços da pesquisa

Desde a descoberta da Clorose Variegada dos Citros (CVC) ou amarelinho, ocorrida em 1987, a incidência de plantas com a doença vem aumentando gradativamente ano a ano. Em 2003, o levantamento realizado pelo Fundecitrus indicou que 43,5% das plantas cítricas do Estado de São Paulo e Triângulo Mineiro apresentavam sintomas de CVC em diferentes níveis de severidade. Isso representa aproximadamente 70 a 80 milhões de plantas infectadas, o que torna a CVC uma das doenças mais importantes da citricultura paulista.

Após 16 anos de convívio com a doença no campo, a cura da CVC ainda parece estar longe de ser alcançada. Importantes resultados gerados pela pesquisa foram obtidos nesse período, entretanto, até o momento, não foi descoberto produtos que possam ser utilizados para eliminar a bactéria Xylella fastidiosa, agente causal da CVC, que vive confinada nosvasos do xilema das plantas, assim como variedades cítricas resistentes ou tolerantes à bactéria.

Pedro Takao Yamamoto, Marcel Belato Spósito, Renato Beozzo Bassanezi e José Belasque Júnior,
Fundecitrus

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/artigos/artigo.asp?id=656

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