Manejo alimentar de ovelhas lactantes

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A quantidade de leite produzida pelas ovelhas, independente do sistema de exploração, é de suma importância devido ao seu efeito sobre o crescimento dos cordeiros. Nas quatro primeiras semanas de vida, o crescimento dos cordeiros é determinado principalmente pela quantidade de leite produzido pela sua mãe (Treacher, 1982).

No início da lactação, as exigências nutricionais das ovelhas sofrem grande aumento, principalmente se ela estiver amamentando dois ou três cordeiros. As exigências de energia para ovelhas com dois cordeiros é cerca de duas vezes maior do que durante o final da gestação (NRC, 1985).

Ovelhas amamentando gêmeos produzem cerca de 20% a 40% mais leite do que amamentando um só cordeiro. O pico de produção de leite em ovelhas ocorre por volta de três a cinco semanas pós-parto.

Muitas vezes é difícil fornecer nutrientes em quantidades suficientes para a ovelha lactante.

Como resultado, ela é forçada a usar suas reservas corporais durante o início da lactação. Entretanto, a alimentação nas quatro primeiras semanas de lactação é muito importante, afetando subseqüentemente o rendimento da produção leiteira da mãe, portanto, afetando também o crescimento da(s) cria(s). Para Figueiró & Benavides (1990), a boa alimentação na época de aleitamento determina ritmos de crescimento elevados, redução na mortalidade e evita restrições na produção futura do animal ou no desenvolvimento pós-desmame.

 Em ovelhas lactantes, assim como em vacas, o consumo de alimento aumentará gradativamente com a demanda de energia no decorrer da lactação; no entanto, a demanda energética aumenta mais rapidamente do que o consumo de matéria seca no início da lactação. Por isso, as reservas corporais da ovelha são importantes para a produção de leite e o acúmulo se dará no final da lactação, quando o consumo supera a demanda energética (Speedy, 1980).

 Uma dieta à base de cereais, suplementada com farinha de peixe (proteína não degradável no rúmen), além de sais minerais e vitaminas, constitui a ração ideal para o início da lactação. Essa proteína suplementar deve ser reduzida gradualmente, à medida que a produção for diminuindo e o consumo de alimento for aumentando (Speedy, 1980). Além da energia, a proteína também é um nutriente que deve ser levado em consideração na suplementação da ovelhas lactante. Antigamente, o consumo de proteína por ovelhas lactantes tinha pouca importância relativa. Porém, atualmente se dispõem cada vez de mais provas de que o consumo de proteína, principalmente no início da lactação quando o animal está em balanço energético negativo, é de suma importância, pois influencia a repartição dos nutrientes entre a produção de leite e a perda de peso (Treacher, 1982).

 Isto ocorre porque existe uma relação entre a proteína e a energia nas respostas das ovelhas em lactação. Esta relação implica que, para um determinado nível de consumo de energia e produção de leite, existe um nível ideal de proteína a ser consumido, abaixo do qual a produção de leite passa a ser comprometida (Treacher, 1982). Por outro lado, ovelhas recebendo alto teor de proteína irão aumentar a produção de leite, entretanto, passarão a perder peso para compensar o deficit energético. Isso explica a mobilização das reservas corporais que ocorre devido ao estímulo de dietas com alto teor de proteína (Speedy, 1980).

 Além da influência direta dos nutrientes sobre a lactação, outros fatores como a nutrição recebida pelos animais em etapas anteriores do ciclo produtivo também afetam diretamente a produção de leite das ovelhas.

 Treacher (1982) verificou que o pico de produção de leite foi diretamente influenciado pelo ganho de peso no final da gestação. Isso porque 95% do tecido secretor do úbere da ovelha é formado durante as oito últimas semanas de gestação e uma desnutrição nesta fase pode reduzir a quantidade de tecido secretor formado.

 Pesquisas têm demonstrado que a melhora na nutrição da ovelha durante o início da lactação afetará a sua produção de leite e também o peso à desmama do(s) cordeiro(s). No entanto, Coffey et al. (1986) sugeriram que, mesmo que a produção de leite seja maior, isto não resultará necessariamente em maior ganho de peso dos cordeiros, principalmente se eles forem alimentados com “creep”.

 No período final da lactação, as necessidades nutritivas passam a ser bem menores que durante a fase anterior e levemente inferior ao terço final da gestação. Entretanto, são bem superiores às do período seco.

Fonte: http://www.sheepembryo.com.br/files/artigos/202.pdf

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