Mais qualidade de leite para pequenos agricultores

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Programa prevê a melhora na produção através da distribuição de tanques de resfriamento e máquinas forrageiras que auxiliam na alimentação animal

Breno Fonseca
02/02/2011

Oriundo de outro projeto da Secretaria do Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, o programa Alagoas Mais Leite vai muito além dos objetivos iniciais de adquirir a produção de agricultores familiares através de cooperativas e distribuir para comunidades carentes. A questão agora é outra: padronizar, qualificar e ter o contato direto com os pecuaristas alagoanos. Só o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome é responsável pela compra de cerca de 24% do que é produzido no Estado, o que representa oportunidade de organizar os pequenos criadores bovinos em associações para a instalação de equipamentos fundamentais para a manutenção da qualidade do leite.

De acordo com Edson Iutaca Maruta, superintendente de desenvolvimento agropecuário da Secretaria, serão disponibilizados para uso 30 tanques de resfriamento com recursos do Fundo de Combate à Pobreza e mais 17, do Governo de Alagoas. Os pecuaristas poderão, com isso, abandonar tambores de metal ou plástico que facilitam a deterioração do leite, que é altamente perecível. Edson Maruta explica que os tanques de resfriamento mantem o líquido em movimento constante em temperaturas que variam de 4° a 7°C, o que diminui a atividade microbiana.

— Esses equipamentos facilitam a logística, pois as grandes empresas de laticínios não precisarão passar de porta em porta coletando pequenas quantidades de leite. Nos tanques, um caminhão já é carregado com dois ou três mil litros. Ainda é possível monitorar a produção leiteira, com a verificação do que está chegando aos reservatórios. Com o resfriamento, o leite pode ficar armazenado por até quatro dias, o que faz com que não ocorram perdas em períodos de meio dia por conta da redução das ações bacterianas — comenta Maruta.

Outra medida eficaz do programa é, por meio de uma permissão de uso, o recebimento de 20 máquinas forrageiras para os agricultores cadastrados. Utilizadas no preparo do alimento para os rebanhos, os instrumentos processadores trituram alimentos como a palma, o capim, o sorgo e a cana-de-açúcar, facilitam o consumo animal e favorecem o aproveitamento nutricional, além de agilizarem o processo para o pecuarista. Edson destaca que as técnicas serão acompanhadas por equipes técnicas da Secretaria e os criadores saberão os valores nutricionais ideais a serem usados com os menores custos. A partir da metodologia do Balde Cheio, projeto da Embrapa Pecuária Sudeste, serão contemplados 500 agricultores com assistência para a comercialização.

— O Estado de Alagoas sempre despontou como centro produtor leiteiro e de desenvolvimento tecnológico e genético. Nós é que formamos todos os rebanhos genéticos do Nordeste como um todo. Porém, há 10 anos, Alagoas está sem crescimento no setor, enquanto que todos os outros Estados nordestinos estão em franca expansão. Em produção absoluta, estamos entre os últimos maiores produtores da região. Quando falamos em produção relativa, isto é, leite por dia/vaca, o Estado detém uma das melhores médias nacionais — observa Edson, completando que, no programa, a inseminação artificial também será tratada. Além da capacitação dos criadores, serão distribuídos 25 mil doses de sêmens de alta qualidade, 50 botijões coletivos de sêmens e um kit de inseminação.

Segundo o superintendente de desenvolvimento agropecuário, a finalidade do programa Mais Leite é estimular a competição saudável entre os pecuaristas com a realização de torneios leiteiros. Grupos de cada 20 pecuaristas devem estar organizados para serem atendidos. Os módulos vão ser implantados na região semiárida de Alagoas, onde se encontra a Bacia Leiteira do Estado. Entre as comunidades que já foram beneficiadas estão Paus Pretos e Agreste, em Monteirópolis, Samambaia, em Olho D’Água das Flores, Baixas e Alto da Madeira, em Jacaré dos Homens. E os resultados já podem ser observados, com vacas fornecendo em torno de 40 litros de leite por dia, um valor excepcional e difícil de ser alcançado, mas que demonstra que o acesso à genética de qualidade pode ser muito lucrativo.

Para maiores informações, basta entrar em contato com a Secretaria do Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário de Alagoas pelo telefone (82) 3315-1391.

Fonte: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=23609&secao=Pacotes%20Tecnol%F3gicos&c2=Bovinos%20Leiteiros#null

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