Lixo pode virar Fertilizante Orgânico

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Processo de decomposição acelerada pode ser feito até mesmo em residências
 

Prática evitaria o despejo de milhares de toneladas de lixo por dia em aterros

Depois da decomposição, resíduos tranformam-se em um eficiente adubo orgânico

(Fotos: Kyodo e Yoko Fujino/NB)

A cada dia, o lixo torna-se um problema maior para os governos de todo o mundo. Se a reciclagem é possível e amplamente adotada em produtos como vidros, plásticos e eletrônicos, o reuso de dejetos orgânicos não é exatamente uma unanimidade. Estima-se que os brasileiros produzam mais de 240 mil toneladas de lixo por dia. Desse número, 60% são formados por resíduos orgânicos que podem se transformar em excelentes fontes de nutrientes para as plantas pelo processo de compostagem, um conjunto de técnicas para acelerar a decomposição de material orgânico.

A ideia é simples: separar itens como restos de legumes, verduras, frutas e alimentos e, em vez de destiná-los a depósitos a céu aberto – destino de 76% do lixo brasileiro –, realizar um processo de decomposição assistido e reaproveitá-los como um eficiente fertilizante orgânico. Outro ponto interessante da técnica é o fato de que o processo pode ser realizado até mesmo em casa, em pequenas câmaras de compostagem.

Isso, por sinal, é o que está sendo feito no Japão, onde os governos locais concedem subsídio para a compra de máquina de tratamento de lixo orgânico ou recipientes para compostagem. O valor do auxílio varia de cidade para cidade, e também conforme o tipo de equipamento adquirido, mas a média fica entre 20 a 30 mil ienes (R$407,30 a R$ 610,95), aproximadamente metade do preço de uma máquina recicladora. De acordo com a Associação de Fabricantes de Eletrônicos do Japão, em 2009, foram contabilizadas 1.179 prefeituras que davam alguma forma de auxílio para a compra de equipamento elétrico de tratamento de lixo.

Outro dado interessante é que, de acordo com uma pesquisa realizada pela prefeitura de Yokohama, apenas 5,1% dos usuários do sistema reclamaram do mau cheiro constante do processo, enquanto 60,5% afirmaram que o odor gerado pelos resíduos não chega a incomodar. Além disso, 91,2% dos entrevistados sentiram algum tipo de redução na quantidade de lixo jogado fora.

No Brasil ainda não são concedidos subsídios, mas diversas prefeituras e até a iniciativa privada já têm projetos de reutilização de lixo orgânico. No entanto, um pesado investimento na área será necessário, já que estima-se que, atualmente, as usinas de compostagem do País tenham capacidade de processamento de 3.000 toneladas de lixo por dia. Apenas 2% da produção diária brasileira.

 
Entenda a compostagem
O que pode ser compostado Todo lixo de cozinha e de jardim facilmente putrescível, como:
– Restos de legumes, verduras, frutas e alimentos
– Borra de café, cascas de ovos e saquinhos de chá
– Galhos de poda, palha, flores de galho e cascas de árvores
– Papel de cozinha, caixas para ovos e jornal
– Palhas secas e grama (em pequenas quantidades)
O que não deve ser compostado Materiais não putrescíveis ou de difícil decomposição, e outros, por razões de higiene ou por conterem substâncias poluentes. Exemplos:
– Carne, peixe, gordura e queijo (podem atrair roedores)
– Plantas doentes e ervas daninhas
– Vidro, metais e plásticos
– Couro, borracha e tecidos
– Verniz, restos de tinta, óleos, todo tipo de produtos químicos e restos de produtos de limpeza
– Cinzas de cigarro, de madeira e de carvão, inclusive de churrasco, saco e conteúdo de aspirador de pó (valores elevados de metais e poluentes orgânicos)
– Fezes de animais domésticos, papel higiênico e fraldas (por poderem apresentar microrganismos patogênicos, que causam doenças)
Duração do processo O tempo para decompor a matéria orgânica depende de diversos fatores. Quanto maior for o controle, mais rápido será o processo. Normalmente, no entanto, o composto será bioestabilizado no período de 30 a 60 dias, e a maturação demora entre 90 a 120 dias.
Vantagens – O composto ajuda a melhorar as características de solos, como sua estrutura.
– Os solos enriquecidos com o adubo são menos afetados pela erosão;
– O uso eleva a quantidade de nutrientes desse solo, reduzindo a utilização de fertilizantes químicos.
– A compostagem dos resíduos diminui consideravelmente o volume de resíduos encaminhado para os aterros sanitários.
– Não requer grande conhecimento técnico ou equipamentos. Todo o processo pode ser realizado manualmente.
– O material fornecido pela compostagem é rico em nutrientes, melhorando o desenvolvimento de plantas.

Fonte:

http://www.nippo.com.br/campo/especiais/especial541a.php

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