Importância na Escolha da Área de Plantio e das Mudas na formação da Lavoura Cafeeira

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Na formação e renovação do cafezal, o produtor deve investir em mudas de alta qualidade genética e sanitária, pois o sucesso da lavoura se inicia na escolha de uma boa muda. As tecnologias para isso existem e são empregadas nas diversas regiões brasileiras produtoras de café. Na medida que a ciência avança com seus trabalhos experimentais, as técnicas de produção de mudas são aperfeiçoadas e aplicadas em viveiros e posteriormente no próprio plantio.

Para o café arábica, Coffea arabica L., a renovação do cafezal pode ser de duas formas: a primeira seria a utilização de podas para recuperar o cafezal depauperado, produtividade média em declínio, porém não há mortalidade das plantas. A segunda situação de renovação do cafezal seria a realização de um novo plantio devido à mortalidade das plantas a partir de 20% da população inicial.

Caso a condução da lavoura cafeeira seja adequada ao longo de seu ciclo produtivo, com pouca ou nenhuma mortalidade de plantas, a renovação da lavoura será em média de 15 a 20 anos. Vale lembrar que não é difícil encontrar lavouras de café plantadas a mais de 40 anos, e que foram renovadas por podas, mas não foi realizado um novo plantio.

Para formação de um novo cafezal, vários aspectos terão que ser avaliados com muito critério tais como: clima favorável ao desenvolvimento produtivo do cafeeiro e também para qualidade da bebida, solo com profundidade mínima de 1 metro e boa drenagem para o bom desenvolvimento do sistema radicular.Evitar solos excessivamente arenosos ou argilosos, para esse parâmetro recomenda-se uma análise física do solo expedida por um laboratório de fertilidade de solo com avaliação feita por engenheiro agrônomo.

            Para renovação do cafezal através da realização de um novo plantio na mesma área antes plantada com café, adotar descanso, pousio ou rotação de culturas com leguminosas de baixa suscetibilidade aos nematóides: Meloidogyne incógnita, M. paranaensis e M. exígua, por pelo menos dois anos.

Um exemplo seria o uso da leguminosa Mucuna-Preta, Stizolobium aterrimum, para assim diminuir o crescimento da população dessa terrível praga de solo, porque no momento que é constatado a presença do nematóide na área, a planta do cafeeiro vai conviver com a praga durante toda sua vida produtiva. Além disso, mesmo após a rotação de culturas, em áreas com nematóides, é obrigatório o uso de mudas enxertadas, o material utilizado e recomendado para porta-enxerto é o cultivar Apoatã – IAC 2258.

            As áreas de plantio devem ser preferivelmente mecanizáveis, pois os tratos culturais sendo realizados de forma mecanizada, geralmente reduzem significativamente o custo de produção do café quando comparado com as operações manuais.          Devem-se buscar facilidades no acesso e suprimento de água, isso favorece todo o deslocamento de insumos para a lavoura; e na colheita facilita o transporte dos grãos para as instalações de lavador, terreiro e secador.

Coletar água de chuva, sem misturar com o solo, próximo às lavouras cafeeiras seria um ponto interessante para refletir, mas ainda demanda pesquisas nesse assunto. A água é importante para os tratamentos de pulverização com herbicidas, fungicidas e adubos foliares, lavagem do café do pano e da varreção, além da disponibilidade para o uso de irrigação, tornando-se um fator relevante para lavouras instaladas em áreas com problema de déficit hídrico.

            Outro ponto positivo é instalar o cafezal em áreas com infra-estrutura regional direcionadas realmente à cafeicultura, e que possua insumos, mão-de-obra especializada, prestação de serviços como colheita e podas mecanizadas, beneficiamento e comercialização dos grãos. Caso a opção seja em áreas distantes dos “polos” de cafeicultura, recomenda-se procurar terras com valores mais acessíveis, e com maior disponibilidade de água, mão-de-obra e facilidades de crédito de formação e custeio de produção de café, pois geralmente haverá investimentos em infra-estrutura própria.

            Sempre adotar espaçamento de plantio adequado às estruturas da propriedade e ao nível do produtor rural, nunca esquecendo de que independente do material genético presente nas mudas de café, o importante é adquirir mudas de qualidade provenientes de viveiros idôneos. Somente a muda de boa qualidade é capaz de expressar todo o potencial genético que influenciará diretamente na formação ou desenvolvimento da estrutura do sistema radicular e da parte aérea da planta.

Além de todos os fatores citados anteriormente, recomenda-se sempre uma análise química de solo para corrigir quimicamente a fertilidade do solo, efetuando-se um bom preparo, correção e fertilização ou adubação do mesmo.

            Todas as recomendações acima determinarão o vigor e a produtividade que a planta pode demonstrar no campo. É importante que no momento de escolha de área para o plantio de café, procure um engenheiro agrônomo de confiança, pois a cafeicultura é uma atividade que exige investimentos durante os três primeiros anos com retorno financeiro de médio a longo prazo.

            No momento do plantio, as mudas de café devem apresentar as seguintes características:

– mudas contendo de 3 a 5 pares de folhas (sem contar o par vulgarmente chamado de orelha-de-onça), com parte aérea bem formada, ausência de bifurcação e plantas tipo “macho”, caule torto e estiolamento. Esse porte da muda ajuda a diminuir os problemas de pós-plantio como sensibilidade a seca, e prejuízos provocados pelo vento que podem ocasionar tumores e tombamento das mudas, o que exige estaqueamento individual, onerando os custos de produção;

– ausência de pragas e doenças tanto na parte aérea como no sistema radicular,

– ausência de deficiências minerais,

– mudas aclimatadas a pleno Sol por pelo menos 20 dias,

– mudas originadas de sementes certificadas oriundas de produtores registrados nas entidades fiscalizadoras,

– presença da orelha-de-onça intacta e sadia (primeiro par de folhas que surge após a germinação),

– sistema radicular bem formado com raíz principal reta sem enovelamento e as demais radicelas bem distribuídas ao longo do substrato,

– parte aérea da muda com desenvolvimento vegetativo proporcional ao sistema radicular.

– ausência de plantas invasoras.

Com relação à produção da muda cafeeira, cuidados devem ser tomados para que essa tenha ótima qualidade. Inicialmente na instalação do viveiro, evitar locais próximo às lavouras de café adulta, pois favorecem a entrada de doenças como a cercosporiose e pragas como o bicho mineiro.

            Utilizar substrato com ausência de plantas invasoras e nematóides, apesar que a primeira pode ocorrer durante a formação da muda devido a presença de pássaros, ventos e pelos trabalhos manuais diários.

            Aperfeiçoar ou buscar mão-de-obra especializada para enchimento dos recipientes, semeadura e também no processo de enxertia caso deseja produzir mudas enxertadas.

            Durante o manejo empregado na formação das mudas cafeeiras é importante e necessário a realização de capinas, controle de irrigação, adubações, desbaste, controle de pragas, controle de doenças e aclimatação das mudas.

            Os cuidados fitossanitários em mudas cafeeiras também são de grande importância. Pois o maior veículo de propagação dos nematóides nocivos ao cafeeiro é a própria muda de café. Os nematóides são pequenos vermes que atacam as raízes das mudas formando galhas, e apresentando sintomas de baixo desenvolvimento e amarelecimento com ataques em forma de reboleira na área de produção de mudas e também em lavouras adultas.

            O controle para essa praga de solo tanto pelo substrato empregado ou pela água de irrigação deve ser rigoroso, pois a presença dos nematóides Meloidogyne incógnita, M. paranaensis, M. exígua e M. coffeicola nas mudas de café já é motivo de condenação imediata do viveiro, proibindo a comercialização das mesmas.

            Além dessa praga, existem outras que necessitam de controle: bicho mineiro, lagartas, formigas cortadeiras, cupins, cochonilhas, grilos, lesmas e ácaros.

            Para o controle de doenças, as mais comuns nos viveiros são o tombamento e a cercosporiose, podendo ocorrer ainda em períodos frios, a mancha aureolada e phoma.

            Para o viveiro, recomenda-se adotar um planejamento ou um programa preventivo de controle fitossanitário.

            E sempre observar as condições ambientais favoráveis às doenças (umidade, vento) e adequar o manejo, aumentando insolação, proteção lateral contra ventos e redução da irrigação.

            É importante enfatizar que viveiros idôneos dão garantia de qualidade da muda; e se depois de realizado o plantio das mudas, a planta não for bem conduzida, nunca poderemos garantir a boa produtividade da lavoura.

            Viveiros idôneos adquirem sementes certificadas, ou seja, são sementes oriundas de produtores credenciados nas entidades fiscalizadoras, não ocorrendo mistura varietal num mesmo lote de produção de mudas, controle de pureza e germinação.

            Normalmente os viveiros são credenciados ou registrados em Órgãos de Defesa Sanitária Vegetal, como por exemplo, a Coordenadoria de Defesa Agropecuária de São Paulo que possui atualmente 70 viveiros de produção e comercialização de mudas de café devidamente registrados e fiscalizados.

            Os viveiros aptos e competentes trabalham com mudas formadas pelo processo de semeadura direta para evitar problemas de entortamento de raíz, “pião da raíz torto”, e trabalham com rigoroso controle de pragas e doenças. Seguem uma adequada adubação para não favorecer a produção de mudas com parte aérea vigorosa e baixo desenvolvimento das raízes.

            Além dos viveiros idôneos possuírem mão-de-obra especializada na produção de mudas, também apresentam um eficiente controle de irrigação, e de mato ou plantas invasoras no local de produção. Alguns por iniciativa própria podem até oferecer o serviço de transporte das mudas do viveiro para o local de plantio.

            No caso de produção de mudas de café enxertadas, os viveiros trabalham com o processo de semeadura indireta para assim facilitar a operação da enxertia hipocotiledonar.

            Com relação aos valores das mudas no custo total de produção, pode-se dizer que da semente até a primeira colheita significativa de café são necessários no mínimo 3 anos; durante esse período o cafezal ou a lavoura cafeeira está na fase de formação, o custo com a aquisição das mudas nesse período citado é de aproximadamente 15%, lembrando que após o plantio, essas mudas se transformarão em plantas que poderão produzir por mais 15 anos dependendo da tecnologia empregada, o que dilui o custo da muda a cada ano de produção.

            Portanto, não compensa economizar nessa etapa, e sim procurar viveiros idôneos e negociar bons preços ou conseguir facilidades de pagamento na hora de comprar essas mudas.

            Mudas de baixa qualidade levam a um aumento no custo de produção por vários motivos:

– aumento de gastos na operação de replantio devido a maior aquisição no número de mudas e aumenta o custo de transporte até o local de plantio,

– necessidade de mais capinas ou controle de mato durante a fase de formação do cafeeiro porque diminui o desenvolvimento inicial das plantas, o que pode levar a fase de formação para 4 anos ou mais em vez de 3 anos para a primeira colheita significativa,

– aumenta o número de aplicações de defensivos agrícolas ou agroquímicos para o controle de doenças e pragas visto que as mudas não estão totalmente sadias,

– pela má formação do sistema radicular e da parte aérea a absorção de água, nutrientes e luz será afetada o que resultará em baixas produtividades ao longo dos anos de produção, encarecendo a atividade, e desestimulando o produtor rural a continuar investindo na cafeicultura.

            É importante ressaltar que viveiros de mudas trabalham normalmente com 2 tipos de recipientes:

            O primeiro e mais utilizado são sacos plásticos pretos perfurados da metade para o fundo com dimensões de 9 a 11cm de largura x 18 a 20cm de altura x 0,006 cm de espessura do plástico, o que alcança um volume aproximado de 600ml com substrato.

O outro tipo de recipiente muito utilizado são pequenos tubos de plástico duro de cor preta, tendo uma extremidade superior com cerca de 4 cm de diâmetro e a parte inferior com uma abertura menor para permitir a retenção do substrato dentro do tubo. Apresentam 14 a 15 cm de comprimento e volume de aproximadamente 120ml com substrato.

            Convém alertar que apesar de se trabalhar com mudas de alta qualidade é normal ocorrer de 5 a 10% de replantio na implantação de um cafezal. Para mudas enxertadas esse valor pode ser maior.

            Para maiores informações procure sempre um engenheiro agrônomo de sua confiança.

Fonte: http://www.infobibos.com/Artigos/2010_1/cafe/index.htm

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