GEADA – UM PROBLEMA PARA A CANA DE AÇÚCAR

0
86

As geadas são comuns em muitas regiões produtivas de cana, como a Louisiana (EUA), Índia, Austrália, Argentina e ocasionais na Flórida, México, Irã e na região sudeste do Brasil. Segundo estatísticas, ocorrem em média, 4 geadas a cada 20 anos nesta região brasileira.

Este fenômeno ocorreu nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais em 1975, 1979, 1981 e 1988 em algumas poucas regiões e em 1994, quase sempre entre os meses de maio a julho (principalmente).

Os danos na cana são causados pela ruptura das células dos tecidos das partes afetadas com resultado do congelamento do suco celular. Os problemas dependem basicamente da intensidade da geada, das condições ambientais após a geada e do comportamento das variedades cultivadas.

A intensidade da geada depende do tempo que a temperatura permanecer abaixo de zero. A partir daí, podemos ter injúrias que vão desde uma simples queima de folha, até à morte da gema apical e das gemas laterais superiores e até mesmo, a morte de todas as gemas laterais. As partes afetadas adquirem, de início, uma aparência aquosa e em pouco tempo tornam-se focos de infecções por fungos e bactérias. Quando morre somente a gema apical, as gemas que não foram danificadas brotam e ocasionam uma cana com pontas múltiplas ou “envassouradas”. Após a geada (ao redor de 10 dias) deve-se realizar um levantamento dos danos e mapeamento do problema.

O produtor deve proceder da seguinte maneira:

  1. Estabelecer um critério para levantamento, de modo a quantificar a intensidade da geada. Um sistema prático e rápido que pode ser adotado é o critério de notas, que separa as áreas sem geada, com geada leve e geada forte (anexo 1).
  1. Quantificar a quantidade de canaviais atingidos e suas respectivas tonelagens.
  1. Monitorar, através das análises tecnológicas, (Pol, Brix, Açúcares Redutores e Acidez Titulável) das áreas atingidas para iniciar a administração da cana geada.

Nas áreas com danos leves, dependendo das condições climáticas, a perda de qualidade tecnológica demora mais a ocorrer, podendo manter teores de sacarose por 45-50 dias. Entretanto, nos locais onde os danos são severos, a deterioração dos colmos pode começar a ocorrer em menos de 10 dias. Não ocorrendo à morte das gemas laterais, a redução da qualidade ficará restrita aos primeiros entrenós do ponteiro. A altura correta do desponte no momento do corte pode minimizar este problema. Não se deve tomar decisão de cortar os canaviais sem um preciso levantamento da situação. As maiores preocupações estão com a cana de ano e com a cana que foi cortada, na safra anterior, de setembro em diante. Esses canaviais, além de interromperem o processo de desenvolvimento reduzindo a produção, se encontram com menor teor de sacarose por não terem ainda atingido a idade mínima para corte de 12 meses.

O procedimento de colheita deve ser de acordo com o volume de cana mais afetado. Abaixo, temos dois caminhos: ou corta-se tudo de uma só vez ou se libera gradativamente e de acordo com as análises.

Mas, se é alto, deve-se administrar a matéria-prima, priorizando a cana geada mais madura e mais injuriada.

Outros canaviais atingidos são: a cana de ano e meio e socas cortadas antes da geada. Nestes casos temos duas situações a considerar:

  1. Canaviais com poucos perfilhos com entrenós ou sem entrenós formados (não rebaixar).
  2. Canaviais com maioria de perfilhos apresentando entrenós formados (rebaixar).

No próximo ano, poderão faltar mudas bem desenvolvidas na época do plantio de verão.

As maiores diferenças entre variedades estão nas suas capacidades de manter a qualidade da matéria-prima por mais tempo.

Por mais que se faça, os canaviais geados representam riscos de perdas consideráveis, que precisam ser administradas para minimizar os prejuízos. Porém, na maioria das vezes, não se consegue evita-los completamente. 

Um dos maiores problemas será realizar um desponte adequado, principalmente quando se tratar de colheita mecanizada.

Os principais reflexos da geada para este ano 

  1. 1/6 da matéria-prima pode sofrer perdas na qualidade.
  2. Perda de produtividade na cana de final de safra.
  3. Falta de mudas de boa qualidade para plantio da cana de ano.
  4. Maior cuidado no controle de ervas daninhas, principalmente nas soqueiras recém-brotadas e na cana de ano e meio que, com a geada, perde sua massa verde.
  5. Desequilíbrio no manejo de corte, com reflexos futuros.
  6. Necessidade de rebaixamento de algumas áreas afetadas por geada (canaviais com perfilhos novos, já com entrenós).
  7. Necessidade de adubação suplementar com N nas áreas já cultivadas, e na cana de ano e meio que perderam a massa verde.

 Os principais reflexos da geada para o próximo ano

  1. Mudas pouco desenvolvidas.
  2. Matéria-prima imatura nos primeiros meses de safra (abril, maio, junho).
  3. Redução na produção dos canaviais novos (cana planta) e nas soqueiras afetadas pela geada, se forem colhidos nos meses iniciais da próxima safra.

CRITÉRIOS PARA APURAÇÃO DE DANOS POR GEADA NA CANA DE AÇÚCAR

Esperar 10 dias para manifestação completa dos sintomas

  • Notas de 0 a 5
  • Mapeamento (utilizar a simbologia das cores)
  • Realizar corte longitudinal dos colmos e corte transversal das gemas laterais, se afetadas
  • Nota 5– Praticamente todas as gemas afetadas  (Cor PRETA no mapa)
  • Nota 4– Morte da gema apical ao redor de 50% ou mais de gemas laterais mortas (tecido enegrecido), tecidos internos dos colmos de coloração amarronzada, aparência aquosa e forte odor característico de cana queimada e velha (Cor cinza no mapa)
  • Nota 3 – Morte da gema apical entre 26% e 50% de gemas laterais mortas, tecido interno com apenas alguns locais com coloração amarronzada e aparência aquosa. Colmos parcialmente afetados (Cor vermelha no mapa)
  • Nota 2 – Morte da gema apical até 25% de gemas laterais mortas (principalmente as do ponteiro) e apenas um ou dois entrenós da ponta com coloração alterada e aquosa. ( Cor  AMARELA no mapa)
  • Nota 1 – Somente morte da gema apical ( cor VERDE no mapa)
  • Nota 0 – Sem danos graves / gema apical normal ( cor AZUL no mapa)

Chamamos a atenção para os seguintes pontos:

a)      As gemas laterais podem estar levemente escurecidas, mas não mortas. Se for muda, recomendamos a realização de um teste de germinação em uma estufa ou similar antes de utilizá-la.

b)   Não é necessário realizar análises imediatas de acidez titulável nos canaviais pouco afetados (somente gema apical). Este procedimento é importante somente após a temperatura ambiente e a umidade do solo se elevar.

c)   Muitos talhões têm intensidade  de danos variáveis. Neste caso, recomenda-se muito bom senso no mapeamento  e no manejo.

d)      Para avaliação dos danos, deve-se tomar 3 amostras de 10 colmos do interior dos talhões afetados os quais devem ser abertos longitudinalmente para melhor visualização dos danos. As gemas laterais devem ser cortadas transversalmente, sendo que as mortas apresentarão um fundo enegrecido.

e)      Os melhores indicadores de deterioração são:

  • Um novo levantamento a cada 12 a 15 dias, conforme item d.
  • Análises tecnológicas completas com Pol% cana, Brix% cana, Açúcares Redutores e Acidez Titulável.

f)  Algumas empresas, em 1994, empregaram somente a simples determinação do pH do caldo com ótimos resultados indicativos de deterioração dos colmos. Quando o pH começava a se situar abaixo de 5,0 indicava inicio de deterioração do caldo.

ACIDEZ DO CALDO – Método 1

Material

  • Pipeta volumétrica de 20 ml
  • Bureta de 25 ml
  • Copo Becker de 150 ml
  • Agitador magnético
  • pH Metro

Reagentes: Hidróxido de sódio 0,1 padronizado

Técnica:

  • Pipetar 20 ml de caldo a adicionar 50 ml de água destilada em um Becker de 150 ml
  • Emergir o eletrodo no Becker com a amostra, colocando sobre o agitador magnético e ligar o pH Metro juntamente com o agitador
  • Titular com a solução de hidróxido de sódio 0,1 N até o pH 7,0 e anotar o volume de soda gasto

Quando o consumo de NaOH na titulação ficar entre 2,5 e 4,5 ml, a matéria prima está em processo de deterioração.

ACIDEZ NO CALDO – Método 2

Esta metodologia é mais simples e rápida.

  • Em 25 ml de caldo, são adicionado 5 ml de uma solução de NaOH 0,1 N.
  • Em seguida, medir o pH

Se o pH for maior que 7,7  a cana está em ótimas condições

Se o pH for menor do que 5,25 a matéria prima está em estágio avançado de deterioração

Quando o pH da solução estiver entre 5,25 e 7,7 significa que a cana está em processo de deterioração e precisa ser monitorada.

Fonte: http://dibnunes.wordpress.com/page/2/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here