Forrageiras mais indicadas para ovinos

0
1576

Os ovinos tem por hábito pastejar preferencialmente o topo das plantas, rebaixando a altura da pastagem pouco a pouco, como se estivesse retirando a forragem em camadas. Todavia, em função da anatomia bucal, caracterizada pela extrema mobilidade dos lábios e pela forma de apreensão do alimento com uso de lábios, dentes e língua, conseguem ser bastante eficientes na separação e escolha do alimento a ser ingerido, conseguindo apreender, com facilidade, partes específicas da forragem, mesmo as de menor tamanho. Isso possibilita ao animal, quando em pastejo, escolher as partes mais tenras e palatáveis da planta, rejeitando as mais fibrosas e portanto de menor valor nutritivo.

Dessa maneira os ovinos conseguem realizar o pastejo bastante seletivo e rente ao solo.

Em função disso as forrageiras mais indicadas são aquelas que suportem o manejo baixo, apresentem intensa capacidade de rebrota através das gemas basais e que possuam sistema radicular bem desenvolvido, garantindo boa fixação ao solo.

O ovino mostra acentuada preferência por forrageiras de porte médio a baixo. Em pastagens com plantas de porte mais elevado, com altura acima de 1,0 m, os animais tendem a explorar mais intensivamente as áreas marginais, resultando em subaproveitamento da forragem das áreas centrais. Outra característica típica é o comportamento extremamente gregário apresentado pela espécie, que dificilmente explora a pastagem isoladamente, movimentando-se sempre em grupos. Face a isto, quando em pastagens de porte mais alto, que dificultam a visualização entre os animais do rebanho, os ovinos tendem a apresentar intensa movimentação pela área, mostrando maior preocupação em se manterem próximos aos demais, o que prejudica o nível de ingestão de alimento e resulta em aumento de perdas por acamamento devido ao pisoteio excessivo.

Tomando-se em conta somente esses aspectos, as forrageiras mais indicadas seriam aquelas de hábito estolonífero (prostrado), tais como Coast Cross, Tiftons e Estrelas (gênero Cynodon), Pangola (gênero Digitaria), Pensacola (gênero Paspalum). Estas gramíneas atendem relativamente bem às exigências da espécie e seus hábitos de pastejo peculiares, no entanto e apesar de serem as mais utilizadas atualmente com ovinos, apresentam dois pontos bastante negativos: a maioria apresenta propagação por mudas, o que dificulta e encarece a formação de áreas maiores de pastagens e, mais importante, em função do hábito de crescimento prostrado, formam uma massa vegetal fechada que, mesmo quando rebaixada, impede a penetração mais intensa da radiação solar e mantém um microclima favorável à sobrevivência das larvas dos helmintos. Isso dificulta o controle da verminose, principal problema sanitário para os ovinos, sendo essa dificuldade tanto maior quanto maior a lotação das pastagens, podendo chegar à inviabilização da atividade.

Em face disso e em determinadas circunstâncias, essas forrageiras começam a ser preteridas por alguns criadores.

Outras forrageiras, normalmente utilizadas em pastagens para bovinos, tem sua utilização dificultada para ovinos por apresentar porte excessivamente elevado ou por não tolerarem o pastejo rente ao solo e pisoteio intensivo promovido pelo ovino. Nesse grupo estão incluídas a maiorias das gramíneas dos gêneros Panicum (colonião), Chloris (rhodes) e a Setária, que ainda tem o agravante da baixa aceitabilidade.

As gramíneas do gênero Brachiaria, apesar da vantagem de propagação por semente e da acentuada persistência e rusticidade, apresentam problemas de baixo valor nutritivo, limitando a sua utilização àquelas categorias de menor exigência nutricional. Além disso, em função do hábito de crescimento prostrado, dificultam o controle da verminose.

Esses aspectos são ainda agravados pela maior possibilidade de ocorrência de fotosensibilização em ovelhas paridas e animais jovens mantidas exclusivamente sobre essa forrageira.

Uma das alternativas que tem mostrado melhores resultados é o capim Aruana (Panicum maximum cv. Aruana), um cultivar do “colonião” selecionado no Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa. O Aruana é um cultivar do colonião introduzido no Instituto em 1974, através de sementes provenientes da África, sendo selecionado a partir daí pelos técnicos da então Seção de Agronomia de Plantas Forrageiras, tendo sido lançado comercialmente em 1995. Dentre as características mais interessantes destacam-se:

  • Elevado valor nutritivo e excelente aceitabilidade pelos animais;
  • Alta produtividade de forragem, variando de18 a 21 ton. de matéria seca (MS)/ha/ano, com 35 a 40% dessa produção ocorrendo no “inverno” (período seco do ano);
  • Porte médio (adequado ao ovino), atingindo aproximadamente 80 a 100 cm de altura;
  • Grande capacidade e rapidez de perfilhamento, com grande número de gemas basais rebrotando após cada ciclo de pastejo;
  • Boa capacidade de ocupação da área de pasto, não deixando áreas de solo descoberto, evitando o praguejamento e auxiliando no controle da erosão;
  • Propagação por sementes (formação mais fácil, rápida e de menor custo);
  • Boa produção de sementes, garantindo o restabelecimento rápido da pastagem em caso de necessidade de recuperação (após eventuais “acidentes” como queima, geadas, pragas ou degradação por falha de manejo);
  • Boa tolerância ao pastejo baixo (rente ao solo) promovido pelo ovino, o que possibilita a adoção dessa técnica de manejo como parte da estratégia no controle de helmintos parasitas, favorecendo a exposição de larvas às intempéries climáticas (radiação solar e vento);

Arquitetura foliar ereta e aberta, típica das forragens cespitosas (em touceiras), que propicia uma maior incidência de radiação solar e maior ventilação dentro do perfil da pastagem. Isso força a migração das larvas para a base do capim logo às primeiras horas da manhã, após a secagem do orvalho, favorecendo o controle da verminose.

mostrou-se relativamente tolerante à geadas e ao ataques de cigarrinha Outra alternativa de interesse é o Tanzânia, também cultivar de Panicum maximum, que apresenta algumas características semelhantes ao Aruana, apresentando, todavia, porte um pouco mais elevado e capacidade de perfilhamento um pouco menor (menor quantidade de gemas basais).

Essas forrageiras, em função do hábito de crescimento cespitoso, apresentam um manejo mais complexo que aquelas de hábito prostrado, todavia o ganho em desempenho e, principalmente, o aspecto favorável com relação ao controle da verminose, justificam a sua indicação como forrageiras ideais para ovinos, prestando-se tanto para pastejo como para fenação.

 Fonte:

http://br.monografias.com/trabalhos/alimentacao-ovinos-producao/alimentacao-ovinos-producao2.shtml

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here