“Fita-semente” ajuda pequenos agricultores na hora do plantio

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05/12/2013

O engenheiro agrônomo Mateus Marrafon, de 29 anos, soube relacionar bem a sua experiência de vida com o que aprendeu durante os estudos na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), em Bandeirantes. Observando as dificuldades da mãe no plantio de milho, ele decidiu enquanto ainda estudava propor à disciplina de mecanização agrícola um projeto que facilitasse a semeadura para os pequenos produtores. Passados cinco anos, a fita biodegradável criada pelo então universitário e patenteada como “semeadura de precisão” será financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, entidade mantida pela Microsoft.

A proposta de Marrafon, hoje doutorando, foi escolhida entre 2,7 mil projetos submetidos ao edital deste ano da fundação e obteve um investimento de US$ 100 mil. Os recursos, segundo o engenheiro, serão usados no aperfeiçoamento da iniciativa e em testes no continente africano. A expectativa é que o protótipo contribua para aumentar em até 50% a produtividade na agricultura familiar.

Marrafon explica que a fita, desenvolvida à base de celulose e com micronutrientes, envolve as sementes para o plantio. Quando depositada no solo, ela permite a colocação das sementes com o espaçamento ideal entre elas, sem a necessidade do uso de máquinas agrícolas. “Não é preciso regular a distribuição de sementes, qualquer pessoa consegue plantar”, explica.

Prêmio

Desde que o projeto foi criado, em 2008, o inventor busca parceiros para levá-lo adiante. Antes de ser selecionado pela fundação de Bill Gates, a iniciativa rendeu ao jovem o prêmio Jovem Inventor, promovido pelo Canal Rural e pela empresa Massey Ferguson.

O engenheiro salienta que entre os benefícios está o fato de o produtor não precisar se preocupar com a escolha da semeadura adequada para a região ou com a quantidade de micronutrientes que serão utilizados por hectare. “A vantagem da fita é que o pequeno agricultor, que não tem o agrônomo do lado dele e que não tem a semeadura mais nova do mercado, neste caso passa a ter condições, consegue ver a diferença na plantação”, diz.

O invento pode ser usado para o plantio de qualquer tipo de cultura, desde grãos a hortaliças. Há ainda a possibilidade de adicionar às fitas sementes de abóbora e melancia, por exemplo, para diversificar a plantação. Por enquanto, o material é produzido por Marrafon em Ribeirão Preto (SP). Atualmente, as semeaduras com a fita estão sendo feitas em Minas Gerais e comparadas com o plantio mecanizado na região.

Estímulo

Mais do que um invento técnico, o projeto do agrônomo Mateus Marrafon pode ser uma alternativa de baixo custo para pequenos produtores, opina o professor Marco Antônio Gandolfo, do Departamento de Engenharia e Desenvolvimento Agrário da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). Ele incentivou o estudante a desenvolver a iniciativa em 2008. “O custo é baixo. É um projeto que se aplica à agricultura de baixa renda em todos os aspectos e se firma com altíssima precisão.”

Gandolfo observa que a fita biodegradável pode ser confeccionada pelos próprios produtores rurais. Neste sentido, avalia, o projeto também tem uma vertente educativa. “É uma construção que parte do envolvimento manual. O plano é passar tecnologia para que as pessoas possam construir as fitas em horários que acharem oportunos e depois aplicá-las no solo”, afirma.

O professor diz que esta condição caracteriza o caráter sustentável da proposta, o que representa uma excelente possibilidade de ajudar a reduzir a fome na África. Ele considera, contudo, que será necessário ainda o desenvolvimento de uma máquina que auxilie no uso das fitas. “É um plano de mudança de comportamento, onde as famílias estariam associadas para ter essa tecnologia”, diz.

Fonte: Gazeta do Povo
Autor: Antoniele Luciano