Ferrugem Alaranjada da Cana-de-Açúca

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A ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar é uma doença causada pelo fungo Puccinia kuehnii que ataca, basicamente, a parte aérea da planta, isto é, as folhas. A cana-de-açúcar é atacada por duas espécies de Puccinia, a Puccinia kuehnii, causadora da ferrugem alaranjada e a Puccinia melanocephala, causadora da ferrugem marrom.

A ferrugem marrom se encontra nos canaviais brasileiros desde 1986, enquanto a alaranjada foi notificada oficialmente, no Brasil, em dezembro de 2009, pela ocorrência do primeiro foco da doença na região de Araraquara (SP). Até então, no Brasil, a ferrugem alaranjada era considerada Praga Quarentenária Ausente, ocorrendo basicamente em países como a Austrália, Nova Guiné, China, Filipinas, Tailândia e Índia, entre outros do oriente.

Em 2007, a ferrugem alaranjada foi observada na Flórida e posteriormente na Nicarágua, Panamá, Costa Rica, Guatemala e Venezuela. Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador de Fitossanidade do CTC, Enrico De Beni Arrigoni, a ferrugem alaranjada pode causar a redução na produção agrícola, representado 20 a 40% de perdas em TCH. Além disso, causa a redução no teor de sacarose nos colmos, que pode significar 15 a 20%.

 

Ataques

Basicamente, o fungo Puccinia kuehnii ataca a cultura da cana-de-açúcar. Entretanto, tanto P. melanocephala como a P. kuehnii já foram observadas no gênero Erianthus, e em quase todas as espécies de Saccharum.

De acordo com Mauro Alexandre Xavier, pesquisador científico do Centro de Cana – IAC, em variedades suscetíveis, a grande quantidade de lesões causadas nas folhas compromete a fotossíntese da planta, prejudicando o seu desenvolvimento e, consequentemente, a sua produtividade, inclusive em termos de acúmulo de sacarose, ou seja, toneladas de Pol por hectare.

Sintomas

Os sintomas da ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar são muito semelhantes ao da ferrugem marrom, causada pelo fungo Pucinia meanocephala. A principal diferença visível no canavial a olho nu é estar na cor alaranjada das pústulas sobre a face inferior das folhas, é visto a grande distância em áreas atacadas sobre variedades suscetíveis como SP 89-1115, SP 84-2025 e RB 72454.

Outra diferença ainda pouco avaliada nas condições brasileiras está na época de maior presença das ferrugens sobre as lavouras de cana-de-açúcar. A ferrugem marrom se manifesta com maior intensidade no período de grande desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar. Isso ocorre geralmente dos quatro aos oito meses do plantio ou do corte, enquanto que a ferrugem alaranjada chama mais atenção e se destaca sobre touceiras desenvolvidas, no início da fase de maturação.

Pery Figueiredo, pesquisador científico do Centro APTA Cana/IAC, explica que ambas as ferrugens podem atacar variedades comerciais suscetíveis, onde a doença se manifesta com grande intensidade, e traz danos expressivos à produção de colmos nas lavouras de cana-de-açúcar.

Melhoramento

A principal forma de prevenção às doenças, de modo geral e com melhores retornos à produtividade, é, sem dúvida, o preventivo. Na cultura da cana, os programas de melhoramento para criação de novas variedades resistentes, que é feito em parceria com as usinas, têm sido essenciais na definição das melhores variedades em relação às variações comportamentais do fungo em diferentes regiões.

“Geralmente são escolhidas para o plantio as variedades mais apropriadas para cada ambiente na usina e, além do mais, essa medida vem contribuindo para diminuir os riscos dessas ferrugens e outras doenças, e ainda para aumentar os ganhos de produção”, explica Pery Figueiredo.

O manejo para controlar as ferrugens nas variedades de cana-de-açúcar geralmente exige interação de medidas devidamente conhecidas. A primeira é considerar o nível de resistência das mesmas, que varia numa escala de 1 a 9, sendo que as resistentes se enquadram na escala de 1 a 3, as intermediárias de 4 a 6 e as suscetíveis de 7 a 9.

Outro fator é a máxima predisposição para manifestação da doença, o que acontece para ferrugem marrom nas plantas ainda jovens (três meses) e vai até os oito meses do plantio ou do corte. Em muitas variedades esses sintomas desaparecem rapidamente. É o que se chama de nível de recuperação ou de resistência da variedade.

Pery Figueiredo considera que quanto mais cedo este fenômeno da recuperação aparece, maior é o nível de resistência ao ataque da doença, enquanto que a melhor ocasião de manifestação dos sintomas da ferrugem alaranjada sobre as folhas de cana ocorre sobre touceiras adultas em fase de maturação.

Em muitas situações de resistência intermediária da variedade, fatos observados nas dezenas de experimentos de campo, as ferrugens não apresentam níveis elevados. “Há, geralmente, uma manifestação estável da doença ou adaptabilidade dos clones sem ocorrência de perdas significativas. Seria a resistência horizontal, que é governada por muitos genes e sua efetiva ação sobre os patógenos das ferrugens, em certas condições de campo, sinalizando nos ensaios a passível convivência com a ferrugem e sem grandes perdas”, informa o pesquisador.

Fonte: IAC

http://www.ruralpecuaria.com.br/search/label/%0B%12%10Cana%20de%20A%C3%A7%C3%BAcar%0C

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