Feno de Maniçoba é bom

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A vegetação típica do semi-árido brasileiro – caatinga – caracteriza-se por ser uma comunidade com plantas arbustivas arbóreas, caducifólias a espinhosas, que crescem rapidamente durante o período chuvoso, garantindo importante suporte forrageiro para os rebanhos. No final do curto período chuvoso, como parte do mecanismo de preservação, as plantas perdem as folhas, fazendo com que a disponibilidade de forragem aproxime-se de zero, mesmo que não tenha havido pastejo durante as chuvas.

Dentre dezenas de plantas da caatinga, algumas apresentam características forrageiras importantes, como alta palatabilidade, valor nutritivo, produtividade e capacidade de rebrota.

A estacionalidade na produção de forragens, especialmente a baixa disponibilidade na caatinga durante o período seco, tem sido a principal causa das perdas de peso, e até mesmo da mortalidade de animais no semi-árido brasileiro. A saída é usar a maniçoba que permite produzir excelente reserva forrageira para alimentar os animais no período seco. A maniçoba reduz o emagrecimento e a mortalidade de animais e, muitas vezes, promove expressivos ganhos de peso, mesmo nas estações mais críticas do ano.

A maniçoba ou mandioca-brava é uma planta nativa da caatinga, que rebrota rapidamente após as primeiras chuvas, florando, frutificando e perdendo as folhas logo em seguida. Quando cultivada, permite um a dois cortes no curto período chuvoso, com produtividade de 4 a 5 toneladas de matéria seca por hectare. Alguns cuidados, no entanto, devem ser tomados. Como todas as plantas do gênero Manihot, a maniçoba apresenta níveis variáveis de glicosídeos cianogênicos, que podem provocar intoxicação e até a morte, quando ingeridos em grandes quantidades por animais fracos ou mal nutridos.

A planta verde, em início de brotação, apresenta um teor médio de ácido cianídrico (HCN) de 1.000 mg/kg de matéria seca. Isso significa que o animal, se consumir uma grande quantidade, em poucos instantes pode sofrer intoxicação. Por outro lado, quando esta mesma planta é exposta para secar (fenada), o teor de HCN baixa para menos de 300 mg/kg de matéria seca, quantidade insuficiente para provocar qualquer sintoma de intoxicação, mesmo que em grande quantidade. Após o corte, a planta deve ser triturada em máquina forrageira, espalhada em finas camadas no terreiro e revirada, de duas a três vezes por dia, para secar uniformemente. O material deve estar fenado até três dias, estando pronto para ser armazenado para os períodos de maior necessidade.

O feno de maniçoba deve ser armazenado em sacos, ou mesmo a granel, em ambiente livre de umidade. A maniçoba, tanto verde quanto fenada, é uma forragem de alta palatabilidade, sendo a preferida entre as plantas forrageiras da caatinga. O seu valor nutritivo também é dos mais altos entre as plantas nativas (proteína bruta: 20,88%; fibra bruta: 13,96%; extrato etéreo: 8,30% e digestibilidade in vitro: 62,29%). Com estes valores, ela pode até substituir parcial ou totalmente os concentrados na ração de engorda de bovinos, caprinos e ovinos ou para moderada produção de leite nessas espécies animais. Experimentos realizados pela Embrapa Semi-Árido comprovaram que os animais que consumiram feno de Buffel mais feno de maniçoba apresentaram ganho de peso superiores a 700g/cabeça/dia.

01/06/2005Revista O Berro nº 75

Fonte:  http://www.accoba.com.br/ap_info_dc.asp?idInfo=439

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