Extrativismo é fonte de renda em reservas de Colniza

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Fonte: Da Assessoria/ Elvio Lopes

O extrativismo vegetal, da seringueira, da copaíba e da castanheira, ainda é fonte de renda para centenas de famílias que vivem na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, confirmada pela equipe da Caravana do Projeto Promotoria Itinerante, que percorreu as comunidades estabelecidas às margens dos rios Guariba e Roosevelt, nos municípios de Colniza e Aripuanã, na última semana.

A caravana teve como finalidade atender as principais demandas por serviços públicos das comunidades ribeirinhas e foi coordenada pelo promotor de Justiça de Colniza, Augusto Lopes Santos, com apoio de uma equipe da Prefeitura de Colniza e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

A caravana percorreu, nos dois primeiros dias, quinta-feira (09/06) e sexta-feira (10/06), o rio Guariba o trecho acima da ponte sobre a BR-174, que liga Colniza à divisa com os Estados de Rondônia e Amazonas, no extremo noroeste de Mato Grosso.

Na Comunidade de São Lourenço, localizada a cerca de 27 quilômetros rio acima, em linha reta, porém, que pode triplicar – chegar a quase 90 quilômetros por causa das curvas do rio – a caravana se deparou com uma comunidade praticamente abandonada, que vive do extrativismo e usa como meio de transporte seus pequenos barcos de madeira, com motores artesanais para chegar aos centros comerciais da região – os distritos de Guariba, no município de Colniza e Conselvan, no município de Aripuanã, ou ás duas cidades.

Para chegar a Guariba, os ribeirinhos percorrem o rio com sua embarcações artesanais, com até meio dia de viagem rio abaixo e, se precisam chegar a Colniza, têm que embarcar em um ônibus até a cidade, devendo percorrer mais 150 quilômetros.

Para chegar a Conselvan, a cerca de 80 quilômetros de distância, os ribeirinhos percorrem, também de barco, cerca de 10 quilômetros, até chegar à ponte caída, na rodovia de acesso a Aripuanã, onde devem aguardar carona até o distrito. Em Conselvan, as pessoas que precisam receber benefícios como o bolsa-família, devem embarcar em um ônibus até Aripuanã, mais  90 quilômetros de estrada de chão, totalizando 170 quilômetros da comunidade.

Essas comunidades trabalham na extração vegetal, que comercializam na região, com exceção da borracha, que é entregue à associação, que a negocia com uma empresa estabelecida em Itiquira, no sul de Mato Grosso. A empresa paga R$ 4,50 por quilo de borracha processada artesanalmente, colocada em Colniza, ou Aripuanã.

No ano passado, os seringueiros das associações extrativistas do Guariba e Roosevelt, produziram quase duas toneladas de borracha, que foram entregues à empresa processadora do produto, rendendo R$ 8.824,50, divididos proporcionalmente, de acordo com a produção de cada família.

O seringueiro Francisco Brito Nascimento, o “Chico Preto”, morador à margem do rio Roosevelt, na Comunidade Livramento II, produziu, sozinho, 1.303 quilos de borracha e garantiu, para os membros da caravana, que este ano pode chegar a uma tonelada e meia do produto. Ele mostrou os fardos de borracha já processados em sua casa.

Segundo o presidente da Associação de Moradores Agroextrativista da Resex Guariba-Rossevelt – Rio Guariba, Raimundo Nonato Constâncio de Alemeida, morador  na margem esquerda do rio Guariba, a parceria com a empresa processadora de borracha Michelin e a consolidação da área como reserva extrativista trouxe novo ânimo para os seringueiros continuarem e até mesmo aumentarem os cortes para extração da borracha.
Ele explicou que os cortes são feitos alternadamente em árvores de cada comunidade, previamente demarcadas, em rodízio, para obter o látex, ou “coalhada”, que é levado ao fogo e, ao contrário das “bolas” do passado, são processadas em camadas, formando fardos de até 60 quilos.

O seringueiro Chico Preto apresentou à caravana seis fardos de borracha já processada e prensada, totalizando quase 400 quilos. Ele afirmou que pretende colher, até o final da safra, que termina em agosto, cerca de 1.500 quilos de borracha e ser o campeão do extrativismo de seringueira este ano.

Outro seringueiro, Antonio Ferreira dos Santos, da comunidade Rabo do Macaco, já produziu três fardos de borracha e também pretende colher mais seiva de seringueira para aumentar a produtividade e a renda este ano. As duas comunidades juntas podem produzir mais de cinco toneladas de borracha, com a reativação da atividade desde o ano passado.

“Esse é um trabalho que tivemos que realizar com cada família da comunidade, que vinha trabalhando em outras atividades, deixando a extração vegetal de lado, mas conseguimos conscientizar os líderes das comunidades a produzir a borracha para vender à empresa (Michelin)”, afirma o presidente da Associação de Moradores da Resex Guariba-Roosevelt – Rio Roosevelt, Saule Luís Petry, o “Polaco”, que acompanhou a caravana nas visitas a ribeirinhos no rio Roosevelt.

Segundo ele, com a transformação da maior parte da área à margem esquerda do rio Roosevelt, rio acima e nas duas margens rio abaixo, até a divisa com o Amazonas em reserva extrativista, a população ribeirinha volta a ter opções em produzir e comercializar a borracha durante o verão (período de safra que vai de maio a agosto), sem chuvas.

Nas fotos, Antonio dos Santos conversa com o promotor e mostra borracha prensada; produção de borracha de Chico Preto e seringueiras do Zig Zag, no rio Guariba, onde Walmir Santos já produziu um fardo.

 

Fonte: http://www.topnews.com.br/noticias_ver.php?id=5277

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