EUA tem 24 mi de t de soja armazenada para manejar antes da nova safras

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allybally4b (CC0), Pixabay

Publicado em 14/03/2019

Uma estimativa do governo americano aponta que os produtores rurais dos Estados Unidos estariam carregando uma montanha de soja em seus armazéns de US$ 8 bilhões, ou 24,49 milhões de toneladas, ou ainda, 900 milhões de bushels. Ainda assim, eles se preparam para a safra 2019/20 e, apesar de uma redução de área prevista para a temporada, esta pode ser a terceira maior safra de soja da história dos EUA.

Segundo a Reuters Internacional, com investimentos de longo prazo feitos, principalmente, em maquinários e armazenagem, os produtores alegam que por ser algo específico a mudança da soja para o milho ou outra cultura não é tão simples como parece.

Além disso, explicam ainda que, apesar da baixa e da demanda ainda limitada por sua soja, a oleaginosa segue dando melhor renatabilidade do que o milho em alguns casos. Segundo especialistas internacionais, afinal, os preços da commodity, inclusive, teriam registrado um desempenho “melhor” do que o esperado diante dos números e dos fundamentos presentes no mercado.

“Com uma boa safra, uma boa produtividade, podermos manter algum lucro”, diz o produtor Austin Ricker, produtor de grãos em Moweaqua, Illinois, à Reuters. O agricultor deverá dividir sua área em 50% para soja e 50% para o milho nesta nova safra. A decisão é semelhante a de 2018 e qualquer ampliação no milho, segundo ele, poderia aumentar suas despesas.

Produtores Americanos x Guerra Comercial

E os produtores rurais norte-americanos têm consciência de que suas decisões, apesar de serem suas, estão intimamente ligadas ao que será definido entre os líderes chineses e americanos. Segundo Gary Cohn, ex-dirigente do Conselho Econômico do presidente Donald Trump, os EUA estariam “desesperados agora” por um pacto com a China.

“O presidente (americano) precisa de uma vitória”, disse ele ao podcast internacional Freakonomics e reportado pela agência internacional Bloomberg. A declaração do executivo, porém, diverge dos recentes anúncios de que Trump estaria sem pressa de alcançar um consenso e de especulações de que ele estaria, inclusive, pronto para deixar as negociações.

“Eu não estou com pressa”, disse Trump a repórteres na Casa Branca nos últimos dias.

Nesta quinta-feira, a Bloomberg informou também que Donald Trump e Xi Jinping deverão adiar seu novo encontro, pelo menos até o início de abril, segundo fontes que acompanham as duas delegações nas conversas sobre o acordo.

Há quem diga ainda que somente no final do mês que vem é que os líderes das duas maiores economias globais devem se reunir novamente, provavelmente na propriedade de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, apesar dos rumores de que as negociações estariam rapidamente evoluindo.

Ainda de acordo com as fontes ouvidas pela Bloomberg, a nação asiática estaria pressionando os americanos a realizarem uma visita forma para que haja uma cerimônia onde o acordo seja assinado, e não somente uma “aparição discreta”.

Com isso, desde o começo do presente ano comercial – que se encerra em 31 de agosto – a China comprou dos EUA somente 11 milhões de toneladas de soja, contra mais de 28 milhões do mesmo período do ano passado.

E mesmo com todos os indícios de que a demanda ainda demora a voltar aos EUA, pelo menos o tempo da finalização do acordo, de sua implementação e da mudança na dinâmica atual do comércio da soja – há ainda produtores americanos que acreditam que consumo chinês de soja americana precisa e vai continuar.

“Eu acho que a demanda vai continuar. Eles tomaram gosto por essa ‘dieta'”, diz um produtor de 66 anos, Roger Hadley, de Indiana, à Reuters.

Corrida contra o tempo

Prestes a começarem a plantar a nova safram e apesar do otimismo, os produtores americanos enfrentam uma corrida contra o tempo. Os silos norte-americanos estão abarrotados de grãos e a soja, principalmente, já começa a perder qualidade e também tirar dinheiro do agricultor.

Agora, além de estarem atentos ao planejamento da safra 2019/20 e ao início dos trabalhos de campo, os agricultores têm de dividir seu tempo ainda com a comercialização – de forma que seja eficiente – e com a qualidade dos grãos que estão armazenando.

“Os produtores têm de estar mais vigilantes à manutenção da qualidade dos grãos que possuem em suas fazendas. Nossa vantagem agora é o inverno, ao menos nos quesitos insetos e mofo, estas não têm sido preocupações agora até que o tempo fique um pouco mais quente”, disse Bob Zelenka, diretor executivo da Minnesota Grain and Feed Association ao portal internacional StarTribune em uma entrevista na semana passada.

A imagem abaixo é de John M. Steiner, do jornal The Sun, mostrando as condições nos EUA em outubro último. Pilhas de soja e milho estavam no chão na Dakota do Norte, na propriedade Woodworth Farmers Grain Co.

Pilhas de soja e milho nos EUA

Há oito dias, o Notícias Agrícolas já havia trazido uma outra reportagem relatando a situação:

>> Soja começa a apodrecer nos EUA com armazéns cheios e falta de demanda 

Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas