Estresse Calórico em gado de leite gera perda na produção

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São quatro os fatores que estão diretamente relacionados à produção na atividade leiteira: genética, nutrição, sanidade e conforto proporcionado aos animais. Em condições de elevada temperatura o animal sofre um desequilíbrio orgânico, já que a vaca produz elevado calor metabólico, gerando uma sobra de calor corporal e ainda recebe uma alta temperatura ambiental, não conseguindo dissipar o calor corporal do seu metabolismo para o ambiente. A partir desse momento o animal encontra-se sob a condição de estresse calórico. De maneira geral as vacas de alta produção consomem mais alimentos e produzem maior quantidade de calor na digestão dos mesmos e, em função disso, estão mais suscetíveis ao estresse calórico. Os principais sintomas de cada animal com estresse calórico são: animais ficam mais à sombra; diminuição da ingestão de alimentos; aumento do consumo de água; os animais descansam menos, pois tendem a permanecer em pé; apresenta sintomas de extremo cansaço; ficam com a respiração acelerada; o aumento da temperatura retal; animais começam a babar (salivação excessiva); diminuição na produção de leite e temperatura corporal acima de 39°.

Na tabela 1, podemos verificar a relação entre alterações da temperatura retal, da frequência respiratória (movimentos/minutos) e níveis de estresse

Frequência respiratória Temperatura Níveis de Estresse
23/minutos 38,3 °C Não há estresse
45 a 65 minutos 38,4 a 38,6 °C O estresse está sob controle; o apetite, a reprodução e a produção estão normais
70 a 75 minutos 39,1 °C Inicio do estresse térmico; menor apetite, mas a reprodução e a produção estão estáveis
90 minutos 40,1 °C Estresse acentuado; cai o apetite; a produção diminui, os sistemas de cio quase desaparecem. É o inicio do problema.
100 a 120 minutos 40,9 °C Estresse sério; grandes perdas na produção; a ingestão diminui 50% e a fertilidade pode cair para 12%
> 120 minutos 41 °C Estresse mortal; as vacas expõem a língua e babam muito; não conseguem beber água e se alimentarem.

                                                                                  Fonte: Embrapa – Gado de leite

Uma das principais consequências imediatas do estresse calórico são as perdas severas na produção de leite que podem ser superiores a 25%. Isto ocorre pela redução na ingestão de alimentos e, além disso, cresce a ocorrência de mastites por quebra de imunidade do animal e também o estresse provoca alterações hormonais com consequência na fertilidade das vacas, com queda nos índices reprodutivos. Uma situação de estresse severo pode levar à morte do animal.  Além disso, a queda na ingestão de alimentos pode ocasionar também enfermidades metabólicas como febre do leite, acidose, cetose e laminite, sendo todo este quadro desfavorável para a vaca leiteira, sintetizando os efeitos do estresse térmico.
É necessário que o produtor entenda o que está ocorrendo com os animais e busque orientação técnica, no sentido de tomar medidas que amenize o estresse a que estão sendo submetidos. A primeira medida que se deve tomar é procurar melhorar o conforto dos animais com utilização de sombras suficientes nos horários de elevadas temperaturas e forte radiação solar. Deve-se fornecer uma área de no mínimo 10 m² de sombra por animal, caso não seja possível conseguir isso, naturalmente é necessário construir sombrites dentro da orientação leste-oeste, colocando a 4 metros do solo. Outra medida interessante é quando se utilizam os galpões de alimentação ou de confinamento para abrigar os animais, no qual deve-se usar ventiladores,  buscando melhorar a circulação do ar e empurrar o ar quente para fora do ambiente. Associado a isto, é importante a observação da recomendação técnica correta para o mínimo de altura do pé-direito dos galpões, bem como projetar telhados com lanternin, podendo assim facilitar ainda mais a dissipação do ar quente para o exterior. Porém, mais importante para as vacas que os ventiladores é montar equipamentos que molhem as vacas para resfriá-las. 
Em clima muito quente, molhar os animais faz a grande diferença. Pesquisas mostram que em climas quentes e úmidos, as vacas que recebem chuveiradas com água, ventiladores na sala de espera ou na linha acima do canzil, têm reduzido significativamente as perdas de produção de leite e também a ocorrência de mastites. Para o consultor técnico de nutrição de bovinos de leite Engenheiro Agrônomo Augustinho Bottega “o correto manejo nutricional nos períodos de estresse calórico, contribui para amenizar os efeitos negativos de estresse para os animais”. Entre as principais recomendações o nutricionista recomenda o seguinte: manter a proteína degradável no rúmem dentro do nível mínimo recomendado, ou seja, qualquer excesso de proteína degradável no rúmem da dieta tem um grande custo enérgico para a vaca, o que deve ser evitado no período de estresse calórico, já que as vacas tenderão a diminuir o consumo nesse período; usar forragem de boa qualidade e dar prioridade para fontes de carboidratos com fibra altamente digestível; podendo ainda aumentar o nível de concentrado da dieta, porém, sem esquecer o nível mínimo de fibra na dieta para a boa saúde e funcionamento rúmen para evitar acidose ruminal; dar preferências para o fornecimento de dietas totalmente misturadas (TMR), o que vai impedir que as vacas selecionem alimentos em dietas totais e aumentar o número de vezes que a alimentação será fornecida por dia, fazendo uma suplementação de vitaminas e minerais de maneira especial, para o período de estresse calórico; aumentar a densidade energética da dieta com gordura de degradação ruminal e de gordura protegida; usar aditivos na dieta como tamponantes e probióticos para aumentar a digestão da fibra e manter estabilidade na ingestão de alimentos e não esquecer que a água é o principal nutriente para a produção de leite e que seu consumo pelos animais chega a dobrar em períodos de altas temperaturas. Portanto, fornecer água potável aos animais e manter bebedouros suficientes com fluxo de água adequados nas áreas de maior trânsito dos animais principalmente na saída da ordenha onde os animais bebem até 50% do seu consumo/dia requerido de água.

Existem fórmulas matemáticas, baseadas nos índices de temperatura ambiente e umidade do ar, que possibilitam quantificar as perdas de produção e mesmo determinar os meses do ano em que deverão ser tomadas medidas preventivas de segurança ou mesmo de emergência, para evitar o estresse.

 Fonte: http://mercadoleiteiro.wordpress.com/2010/01/15/estresse-calorico-em-gado-de-leite-gera-perda-na-producao/

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