Embrapa busca organização do setor de trigo pão

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Produção somente de trigo pão pode ser alternativa para o Rio Grande do Sul ter maior liquidez, exportando o excedente da produção para o mercado internacional

Diário da Manhã – Passo Fundo

Depois de entrar em contato com mais de 10 cooperativas do Estado além de produtores de sementes, o chefe geral da Embrapa Trigo, Sergio Dotto, está buscando a organização do setor tritícola no Rio Grande do Sul. A intenção é a produção para a próxima safra somente de trigo pão, para que o excedente, que nesta safra deverá ser de 1,2 mil toneladas, já que a demanda gira em torno de 800 mil t, seja exportado pra outros países. A conquista de mercados da Africa e Oriente Médio pode viabilizar maior liquidez do produto, remunerando melhor os produtores, sem que haja necessidade de intervenção do governo na aquisição do cereal.

Conforme Dotto, adotando esta medida não será preciso segregar de trigo doméstico, melhorador ou trigo pão. “Se produzirmos somente uma classe, vamos ter no Estado, um trigo uniforme, o que acaba reduzindo custos ao produtor, já que não será preciso fazer a segregação”, destaca. Atualmente, a produção na região e demais municípios do Rio Grande do Sul é mesclada (pão e brando).

Já enviar o excedente da produção para mercados consumidores internos como Norte e Nordeste do país acaba sendo inviável devido à logística e encarecendo o preço do produto.

“Este é o passo inicial da organização da cadeia tritícola. Precisamos produzir um cereal de alta qualidade, com liquidez e conquistar um mercado comprador. Pois o trigo é fundamental dentro do sistema de produção agrícola”, enfatiza.

Ainda em agosto, durante reunião da Embrapa em Dourados, foi aprovada a lista das cultivares apropriadas de acordo com a nova classificação comercial do trigo, regulamentada pelo Mapa, a IN 038, que estabelece exigência de maior força de glúten para o trigo brasileiro, sendo esta uma demanda do mercado. Esta listagem compõe as variedades para cada região produtora do Brasil. No Rio Grande do Sul, são em torno de 25 cultivares aptas ao plantio para a próxima safra.

Dotto destaca que, apesar da nova classificação entrar em vigor somente em julho de 2012, no Cerrado a semeadura ocorre em fevereiro e março e no Paraná em abril, por isso, é importante que os produtores tenham atenção em já adquirir as cultivares adequadas as novas normas.

Outra orientação é para os produtores de sementes (privados ou cooperativas), registrados no Mapa, que já façam essa produção para atender a demanda, tendo em vista a demanda e que não haja falta para a safra 2012. A multiplicação já está sendo feita e a colheita ocorre em novembro – já visando atender esta necessidade.

Com relação a entrada em vigor da nova classificação comercial, Dotto diz que não haverá encarecimento no custo de formação da lavoura para os produtores.

“Essa classificação vem atender uma busca que o mercado comprador já exigia, mas a produção não atendia e vai beneficiar também a liquidez do produto”, conclui.

Na última semana em reunião no Sindicato Rural de Passo Fundo, com a presença da Embrapa, membros da Comissão de Trigo da Farsul, Emater, 6ª Regional de Sindicatos da Farsul, e a Associação dos Cerealistas do Estado. O presidente do Sindicato Rural, João Batista, enfatiza que considerou o encontro positivo e necessário para que o Estado tenha a produção de um cereal de qualidade e com poucas variedades, facilitando a segregação. Assim, o mercado será atendido com a farinha desejada. “A indicação é que outros órgãos de pesquisa fomentem e reduzam a quantidade de variedades. Além de incentivar o cultivo do cereal. Precisamos buscar um mercado fora do país, porque pelas políticas nacionais, a idéia é de que o produto nacional é de qualidade inferior e por isso a indústria acaba adquirindo em outros países. Entretanto, isto ocorre porque o governo fornece carta de crédito com até um para pagamento, com isso, a indústria moageira acaba optando pelo trigo de fora, mesmo ele não tendo a mesma qualidade do que o produto nacional. Para justificar a importação, a indústria aponta que a qualidade do trigo nacional é inferior”, enfatiza.

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=embrapa_busca_organizacao_do_setor_de_trigo_pao&id=61431

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