Elas acabam com o seu trigo!

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O potencial produtivo de uma cultura está intimamente ligado ao seu estabelecimento e desenvolvimento inicial. Isso não é diferente com o trigo, em que uma semente de boa qualidade e uma plântula sadia são os primeiros requisitos para se obter uma boa colheita. Por esta razão, é fundamental conhecermos as variáveis geradoras de insucessos nesta fase de desenvolvimento do cereal. Alguns fatores, como adversidades climáticas, são praticamente impossíveis de evitar. Por outro lado, existem outros agentes causais de baixa produtividade, que podem ser plenamente controlados com o uso da tecnologia, tais como doenças e pragas iniciais da cultura do trigo, citadas a seguir.

Doenças iniciais da semente

Manchas foliares-  são causadas pelos patógenos Bipolaris sorokiniana e Septoria nodorum. O micélio destes fungos pode colonizar todas as partes da semente. Na fase da germinação do trigo, o micélio continua a se desenvolver, atingindo o coleóptico e, na seqüência, a plúmula (primeira folha dentro do coleóptilo). Após a emergência, o patógeno, em alguns dias, já poderá ser visualizado através de lesões sobre as folhas. Estas lesões possuem esporos, que introduzirão a doença na lavoura, ocasionando perdas econômicas no rendimento de grãos.

Carvão – o agente causal dessa doença é o fungo Ustilago tritici. Esse patógeno afeta as sementes de trigo internamente. Estas sementes produzem plantas que, até o florescimento, mostram-se aparentemente sadias. Na floração, todo o tecido da espiga (com exceção ao ráquis) é infectado, apresentando espiguetas destruídas e cobertas por uma pulverulência escura, formada por esporos do fungo.

Fungos da parte aérea

Oídio – é uma doença facilmente reconhecida por apresentar nas partes aéreas das plantas formações acinzentadas, devido à massa de micélio do fungo. O patógeno causador dessa doença é o fungo Blumeria graminis f.sp. tritici. Seus esporos sobrevivem de uma safra para outra em plantas de trigo voluntárias e outras gramíneas, tendo como o vento seu principal meio de transmissão. Os principais danos à cultura são enfraquecimento e morte precoce das folhas. Os ataques de oídio podem se transformar na porta de entrada para o incidência de manchas foliares. A condição de temperaturas mais baixas para o desenvolvimento do oídio permite que esse fungo se desenvolva nos estádios iniciais do trigo.

Ferrugem da Folha – é outra doença de fácil diagnóstico em uma lavoura de trigo, pela presença de pústulas de coloração alanjada sobre as folhas contendo esporos do fungo Puccinia recondita f.sp. tritici. O agente causal da ferrugem da folha perpetua-se em uma lavoura de trigo nos mesmos substratos de oídio, igualmente utilizando o vento para disseminá-la. Essa doença provoca redução na área fotossintética das plantas e, conseqüentemente, na produção e qualidade dos grãos.

Pragas iniciais

Pulgões – existem diversas espécies de pulgões conhecidas por infestarem lavouras de trigo na fase inicial da cultura (Rhopalosiphum spp., Metopolophium dirhodum, Schizaphis graminum), mas a mais freqüente ao trigo no Brasil é o pulgão verde dos cereais (Schizaphis graminum). Como já é mencionado em sua denominação, possui a coloração esverdeada, com o corpo atingido, no seu máximo, 2,5mm de comprimento. Os pulgões são insetos sugadores e causam sérios danos na cultura do trigo. Além de sugarem a seiva do cereal, introduzem toxinas, originando manchas amareladas nas folhas, podendo também transmitir o vírus do nanismo amarelo da cevada (VNAC). Esta virose vem causando sérios danos à cultura do trigo, principalmente no estado do Paraná. Sendo transmitida pelos pulgões, a enfermidade produz uma descoloração foliar parcial ou total podendo chegar até a morte da planta. Quanto mais cedo ocorre o ataque dos pulgões e a infecção da virose, maior será a perda de rendimento nas lavouras.

Corós – outra praga que possui diversas espécies prejudiciais à cultura do trigo. São elas: Phyllophaga spp., Phytalus sanctipauli, Diloboderus abderus e Lyogenis sp. São coleópteros cujas larvas subterrâneas alimentam-se, na grande maioria das espécies, das raízes e sementes, podendo até chegar a consumirem toda a plântula do cereal. O prejuízo destas pragas inicia com a diminuição do estande e do afilhamento da lavoura, indo até a redução do tamanho das espigas.

Controle de doenças e pragas

Assim como existem estudos de danos econômicos de doenças e pragas iniciais na cultura do trigo, a tecnologia também vem fornecendo métodos de controle destes agentes. Exemplos, como a utilização de cultivares resistentes, escolha de épocas de semeadura mais apropriadas, redução de fontes de inóculo de doenças e pragas com a destruição dessas fontes ou rotação de culturas, controle biológico e químicos são alternativas que visam a diminuição da ação e dos efeitos negativos destes agentes.

Com relação ao controle químico das doenças e pragas iniciais, o tratamento de sementes do trigo com fungicidas e inseticidas sistêmicos, oferece uma série de vantagens em relação aos programas tradicionais de utilização de defensivos agrícolas:

• A dose do ingrediente ativo por unidade de superfície é relativamente mais baixa em comparação com pulverizações;

• Protege as plantas de trigo por um longo período, desde a sua germinação;

• Reduz o número de aplicações foliares, que muitas vezes precisam ser repetidas, em toda a superfície de tratamento.

Fungicidas sistêmicos, como Baytan SC, via sementes, além de controlar outros fungos associados às sementes, conferem um prolongado período de proteção às plantas e mantém por 50-60 dias a incidência foliar de oídio abaixo do nível de dano econômico.

O mesmo ocorre com o inseticida Gaucho, pertencente a um novo grupo químico (nitroguanidinas) que, em tratamento de sementes, protege a semente e planta de trigo, nas fases iniciais da cultura, contra o ataque de corós e pulgões e os posteriores danos do VNAC. Também do ponto de vista do manejo integrado, o tratamento de sementes com Gaucho é muito apropriado, já que os inimigos naturais das pragas do trigo (predadores, parasitóides e patógenos) são preservados.

Rodolpho S. Leal
Bayer

* Este artigo foi publicado na edição número 02 da revista Cultivar Grandes Culturas, de março de 1999.

 

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/artigos/artigo.asp?id=40

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