Efeito do teor de matéria seca, na ocasião da colheita, na quantidade e na qualidade da silagem

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São frequentes situações desfavoráveis de produção de silagem de milho devido à antecipação do momento ideal para a colheita, quando a planta ainda não apresenta teor de matéria seca desejado e os grãos ainda não acumularam quantidade suficiente de amido.

A época de colheita da lavoura para a silagem ou o ponto ideal de colheita para a produção de silagem é assunto que já foi bastante discutido entre produtores e técnicos, mas até hoje é considerado um dos principais erros na produção de silagem.

São muito frequentes situações desfavoráveis de produção de silagem de milho devido à antecipação do momento ideal para a colheita, quando a planta ainda não apresenta teor de matéria seca desejado e os grãos ainda não acumularam quantidade suficiente de amido.

Os agricultores ainda têm dificuldades de efetuar essa colheita no momento oportuno por uma série de razões exigindo, principalmente dos órgãos de fomento e de assistência técnica, uma melhor estratégia de abordagem para a resolução desse problema.

Quando o milho para silagem é colhido antes de completar seu ciclo, isto é, antes do milho atingir sua maturidade fisiológica, a data da colheita afeta a produção de massa seca total e a composição relativa das diferentes partes da planta, principalmente a percentagem de grãos na massa seca total.

O corte antecipado do milho para silagem resulta em perdas significativas na produção total de matéria seca e na percentagem de grãos na planta e, consequentemente, menor será a qualidade da silagem. Além disso, em função da menor quantidade de grãos, elevam-se os teores de fibra e reduzem-se sensivelmente os teores de energia da silagem.

Teor de matéria seca

Embora o teor de MS (matéria seca) reduzido (abaixo de 30%) seja indesejável, a colheita do milho com teor de MS acima de 35-37% também não é desejável, pois aumenta a resistência da massa de silagem à compactação durante a sua confecção, reduzindo a densidade.
Altos teores de MS (acima de 40%) também exigem maior potência do equipamento que realiza a colheita para manter o tamanho da partícula uniforme. Além destes fatores, quando o grão atinge a maturidade fisiológica a digestibilidade do amido decresce, principalmente em cultivares que apresentam textura de grãos do tipo duro.

O teor de matéria seca é considerado um dos mais importantes fatores que contribuem para a obtenção de uma boa silagem. Para se conseguir silagens com adequado teor de matéria seca, as plantas devem ser cortadas com os grãos entre a textura pastosa e a farinácea dura.

Existe uma faixa de percentagem de matéria seca que é ideal tanto para o consumo como para a produção e a conservação da silagem, que, no caso do milho, fica em torno de 30 a 35%.

Teor de MS inferior a 25% propicia ambiente favorável à proliferação e ao desenvolvimento de bactérias produtoras de ácido butírico e também a perdas de princípios nutritivos, por lixiviação, e intensa degradação de proteínas.

No ponto farináceo duro, a silagem produzida tem como principal característica o alto consumo, o que, sem dúvida, eleva o seu valor nutritivo. É interessante notar que a digestibilidade da matéria seca e o NDT (nutrientes digestíveis totais), como indicativos do valor nutritivo do alimento, sofrem pequenas alterações com a evolução da maturação fisiológica.

Este fato pode ser explicado pela maior participação percentual do colmo na qualidade da planta nos estádios iniciais de maturação. Nos estádios mais avançados, o colmo é gradativamente substituído pela fração de grãos, que assume maior participação na matéria seca da planta, caracterizada pela maior densidade energética e pelo maior teor de matéria seca.

Concursos de produtividade

A ensilagem do milho fora da faixa de teor de MS adequada foi observada em duas safras nas propriedades rurais participantes do Concurso de Produtividade de Milho promovido pela Emater-MG na região Centro de Minas Gerais. Na safra 2006/07, 59% dos agricultores colheram o milho para silagem com teor de matéria seca inferior a 30%, sendo que 20% colheram o milho com teor de MS inferior a 25%.

Em 2007/08, houve agricultor que colheu o milho com menos de 20%, enquanto 27% dos agricultores colheram o milho com menos de 25% de MS. Naquela safra, 80% dos agricultores colheram o milho com menos do que 30% de MS; 18% e 3% dos agricultores colheram o milho para silagem com teor de MS superior a 35%, em 2006/07 e em 2007/08, respectivamente.

Na maioria das situações, o produtor faz a opção pelo corte mais cedo da planta mais verde por quatro motivos: a ensiladeira corta mais fácil; a compactação no silo é facilitada; os animais consomem mais; e perde-se menos grãos nas fezes. Outra razão seria devido ao fenômeno de clorose das folhas inferiores das plantas, causada pela adubação inadequada, principalmente com nitrogênio e enxofre. Esse fenômeno daria uma falsa impressão de que a planta está secando, o que levaria muitos agricultores a iniciar a colheita de forma antecipada.

No caso do Concurso de Produtividade de Milho para Silagem, pode-se também creditar a ensilagem precoce da lavoura à falta de colheitadeira própria e ao receio de que a lavoura passasse do ponto ideal de ensilagem.

Para melhorar o corte do milho no ponto ideal de colheita, o agricultor deverá trabalhar a colheitadeira, fazendo a afiação das facas no mínimo duas vezes ao dia, bem como fazer a aproximação das facas com contrafacas de maneira a se obter tamanhos regulares de partículas e a máxima quebra dos grãos.

Geralmente, as regulagens de corte recomendadas para as ensiladeiras disponíveis no mercado variam entre 4 e 6mm, proporcionando partículas com tamanho entre 1 e 3cm e com boa eficiência na quebra de grãos. Eventualmente, regulagens até menores são recomendadas se os teores de matéria seca forem mais elevados.

por José Carlos Cruz¹, Walfrido Machado Albernaz², José Joaquim Ferreira³, Miguel Marques Gontijo Neto¹ e Israel Alexandre Pereira Filho¹

¹Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), ²Extensionista da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais), ³Pesquisador da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais)

Fonte:

http://www.grupocultivar.com.br/artigos/artigo.asp?id=969

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