Efeito da Castração e da Idade de Abate na Carne Caprina

0
587

O efeito da castração na carne caprina não está muito claro, uma vez que esta pode afetar tanto o crescimento do animal quando a composição físico-química da carcaça. Diversos trabalhos têm sido realizados envolvendo o efeito da castração nos caprinos. Naudé & Hofmeyer (1981) defendem a tese de que os caprinos machos devem ser preferencialmente castrados, para que possam produzir carcaças maiores e mais pesadas, considerando que animais não castrados, quando atingem idade sexual adulta (5 aos 6 ou 9 meses), param de crescer e podem até mesmo perder peso. Norman (1985) citou que a castração geralmente reduz a idade em que a gordura se deposita na carcaça e que caprinos castrados podem produzir carcaças com pontuação de 1-2% maior do que os não castrados, principalmente quando a castração ocorre antes dos 6 meses.

Hutchison (1964) relacionou o aumento proporcional de alguns músculos de caprinos Boer da Tanzânia com o fator castração. Owen et al (1978) encontraram que caprinos machos castrados desenvolveram carcaças maiores, mais pesadas e com maior teor de gordura do que machos não castrados. Chawla & Nath (1979), analisando caprinos das raças Beetal e cruzas de Alpina X Saanen, relataram que o peso vivo de caprinos aos 9 meses de idade foi significativamente afetado pelo fator castração, mas não pela idade de castração (5 dias, 3 ou 6 meses). Kumar et al (1983) encontraram que a castração parcial não produziu nenhum efeito significante nas propriedades físico-químicas da carne caprina, porém melhorou suas propriedades organolépticas.

Louca et al (1977) citaram que cabritos machos não castrados cresceram mais rapidamente e apresentaram maior eficiência alimentar do que cabritos castrados, até que eles atingiram a idade de 9 meses ou 56 Kg de peso, quando ocorreu o início da atividade sexual.

Johnson et al (1995) relataram que pernil de caprinos não castrados apresentou menor percentual de ácidos graxos saturados e maior relação (PUFA:SFA) quando comparado com o de castrados. Kansal et al (1982) e Kumar et al (1983) reportaram que teores de umidade foram constantes em caprinos castrados e não castrados, porém teores de proteína foram maiores em animais não castrados e de gordura em caprinos castrados. Madruga et al (1998) encontraram que carne caprina de animais mestiços castrados apresentou menor teor de umidade e proteínas e maiores percentuais de gordura, ferro e cálcio, em relação aos animais não castrados.

Considerando que, no Nordeste brasileiro, o abate ocorre principalmente quando estes estão com idade de 8 a 12 semanas, pesquisas têm evidenciado que o abate de caprinos com idade mais avançada tem favorecido o rendimento das carcaças, sem que se comprometa a qualidade da carne caprina

Madruga et al (1998), após investigar a influência da idade de abate (175, 220, 310 dias) na qualidade sensorial e valor nutritivo de caprinos mestiços das raças SRD X Saanen, Bristish Alpina e Anglo Nubiano, do Cariri Paraibano, concluíram que o abate de animais mais velhos, isto é, com 310 dias, resultou em ganho nos parâmetros químicos (composição centesimal e mineral) investigados.

Anteriormente, Kamble et al (1989), investigando o efeito da idade de abate (6 a 14 meses) em caprinos nativos da África (Osmanabadi), declararam que não existe praticamente nenhuma vantagem em se abater caprinos com idade inferior a 10 meses, o que resultaria em um pequeno aumento no peso da carcaça e numa redução na percentagem de músculos.

Gaili et al (1972) observaram que animais jovens apresentaram maiores conteúdos de cinzas que animais velhos, com uma tendência geral de aumento de gordura com a idade, associado a uma redução nos teores de umidade e proteínas. Em outro trabalho comparando caprinos e ovinos com diferentes idades de abate (cabritos, jovens e adultos), observaram que os cabritos apresentaram menos gordura, mais umidade e proteínas.

Gonzalez et al (1983), Owen et al (1978) reportaram que o abate de caprinos Criollo, machos castrados pesando 24Kg ao invés de 8kg, não apresentou nenhum efeito negativo nas qualidades físicas (cor, perda de água, resistência ao corte) e químicas (composição centesimal, colágeno, pH) investigadas. Eles recomendaram que os caprinos não devem ser abatidos até que atinjam peso de 24Kg, para que produzam maior rendimento de carne e vísceras.

Fonte:

http://cico.org.br/2008/07/carne-caprina-verdades-e-mitos-a-luz-da-ciencia/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here