É hora de controlar a ferrugem asiática da soja

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Por *Alexandre D. Roese

Evitar que uma lavoura de soja tenha ferrugem é praticamente impossível. Mas é possível evitar que a doença atinja altas severidades, ou seja, evitar que a situação fuja do controle do agricultor. Para isso, é importante que o agricultor esteja pronto para realizar a pulverização de fungicidas assim que for necessário, seja pela ocorrência da doença ou de forma preventiva.

Não é novidade que fungicidas do grupo dos triazóis, quando aplicados sozinhos, não têm proporcionado um controle eficiente da ferrugem. Os fungicidas, na verdade, não sofrem nenhuma mudança, mas o fungo sofre alterações que lhe permitem sobreviver ao fungicida. Esse processo é acentuado com o uso constante de fungicidas com o mesmo princípio ativo, com o emprego de doses diferentes das recomendadas, com aplicações mal realizadas ou em momentos inadequados. E é justamente por esses motivos que a escolha do fungicida e os cuidados no momento da aplicação são fundamentais para a eficiência do controle.

Com relação à escolha do fungicida, dois fatores devem ser observados. O primeiro deles é a composição química: recomenda-se optar por fungicidas formulados com misturas de princípios ativos de grupos químicos diferentes, como triazol e estrobilurina, porque cada um tem um modo de ação diferente sobre a doença, o que faz aumentar a chance de sucesso no controle. O segundo fator a ser observado na escolha do fungicida é a exposição dos princípios ativos citados ao fungo. Devemos evitar o uso repetitivo de um mesmo fungicida ou seu uso em áreas muito extensas.
A lógica por trás dessa recomendação é que, como já mencionamos, o fungo que causa a ferrugem pode se adaptar às condições adversas (a aplicação de fungicida é uma condição adversa à sobrevivência do fungo) e desenvolver populações resistentes. Existem diferenças de eficiência entre fungicidas do mesmo grupo químico (triazóis, por exemplo). Ou seja, mesmo pertencendo ao mesmo grupo químico, alguns fungicidas são mais eficientes que outros, e alguns deles têm sua eficiência reduzida mais precocemente. Isso ocorre porque, apesar de pertencerem ao mesmo grupo químico, o mecanismo de reconhecimento do fungicida pelo fungo é diferente para cada produto desse grupo. Com base nisso, a recomendação é que se faça uma alternância de fungicidas.
Mesmo que um determinado produto tenha proporcionado o melhor controle da ferrugem em condições experimentais, não é aconselhável aplicar esse produto por diversas vezes consecutivas, pois isso pode induzir o fungo causador da ferrugem a desenvolver resistência ao fungicida. O ideal é fazer a rotação de produtos, com princípios ativos diferentes a cada aplicação. Além de melhorar a eficiência do controle, essa estratégia ajuda a manter a eficiência dos fungicidas por mais tempo.
Mas não é só isso, pois outros cuidados também são importantes. Com relação ao momento da aplicação do fungicida, devemos lembrar que a eficiência de aplicação, e consequentemente o controle da doença, diminui muito quando a operação é realizada com ventos acima de 8 km/h, temperaturas acima de 30 graus celsius ou umidade relativa do ar abaixo de 55%. Por isso as aplicações devem, preferencialmente, ser realizadas no início ou no final do dia, quando as condições atmosféricas são mais favoráveis. Essas condições atmosféricas podem ser facilmente monitoradas com o uso de aparelhos portáteis, ou através da internet, pois diversas estações meteorológicas disponibilizam essas informações instantaneamente.
Observadas essas recomendações, as chances de sucesso no controle da ferrugem asiática da soja são, certamente, muito maiores.
*Engenheiro Agrônomo, M. Sc. Fitopatologia.
Embrapa Agropecuária Oeste, Caixa Postal 661, 79804-970, Dourados – MS. E-mail: alex@cpao.embrapa.br.
Fonte: http://www.agrolink.com.br/culturas/soja/artigo/e-hora-de-controlar-a-ferrugem-asiatica-da-soja_138300.html

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