Desenvolvimento do botão floral e estresse hídrico do cafeeiro

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A maioria das plantas emitem as inflorescências na primavera e frutificam no mesmo ano fenológico

Peabirus

O cafeeiro arábica (Coffea arabica L.) é uma planta especial, que leva dois anos para completar o ciclo fenológico. No primeiro, formam-se os ramos vegetativos, com gemas axilares nos nós, durante os meses de dias longos. Em janeiro, quando os dias começam a se encurtar, as gemas vegetativas axilares são induzidas por fotoperiodismo em gemas reprodutivas (GOUVEIA, 1984).

Em abril, depois do equinócio de março, com os dias curtos com menos de 13 horas de luz efetiva (PIRINGER e BORTHWICK, 1955), intensifica-se a indução das gemas foliares existentes para gemas florais, que começam a se desenvolver. Essas gemas florais vão amadurecendo e, quando maduras, entram em dormência e ficam prontas para a antese, quando ocorre um aumento substancial do potencial hídrico nas gemas dormentes. O choque hídrico, causado por chuva ou irrigação, é o principal fator para desencadear a florada. Outros motivos, como um acentuado aumento da umidade relativa do ar, mesmo que os cafeeiros não recebam chuva diretamente, poderá também provocar a florada (CAMARGO e FRANCO, 1985). Esse fato pode também ocorrer em gemas mantidas molhadas, por vários dias, com uma mecha de algodão embebida em água (MES, 1957).

Na produção de café em regiões como o Oeste da Bahia, Cerrado Mineiro, caracterizadas pela utilização da irrigação, através de sistemas como o pivô central e gotejamento, é muito comum a prática do estresse hídrico controlado, uma técnica utilizada para paralisar e sincronizar o desenvolvimento dos botões florais garantindo alta produtividade e qualidade do café (GUERRA et.al., 2005). Através desse sistema o cafeeiro é submetido a condições de déficit hídrico em torno de 72 dias, entre os meses de junho e setembro. Ao se concluir que a maioria dos botões florais estão totalmente desenvolvidos, sempre levando em consideração as temperaturas máximas, que acima de 35ºC, chegam a queimar a flor antes que ela abra, impedindo que o grão de pólen ultrapasse o tubo polínico e faça a fecundação, com isso não haverá produção de grãos, retorna-se a irrigação, seja ela por sistema de pivô central ou de gotejamento, com uma lamina de 40 mm, e dentro de aproximadamente 12 dias acontece à abertura da florada.

O estresse hídrico foi uma técnica criada pela Embrapa Cerrados, em uma pesquisa que durou onze anos. Com essa uniformização da florada, obtemos um café de melhor qualidade, pelo fato de colher um índice médio de 80% de grãos cereja, com um melhor rendimento, menor percentual de grãos chochos ou mal granados, com menos defeitos, conseqüentemente obtendo um produto com maior valor agregado, além de economizar cerca de 35% no uso da água e energia elétrica, que seriam gastas com a irrigação.

 

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=desenvolvimento_do_botao_floral_e_estresse_hidrico_do_cafeeiro&id=63481

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