Demanda exige novas matrizes energéticas

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26/11/2013

Na Fazenda Vereda, em Goiatins, trabalhador carrega plantadeira que entra na metade final do cultivo de 4,3 mil hectares de soja.

Além do crescente consumo de alimentos – determinado pelo aumento da população mundial de 7 bilhões para 9 bilhões de habitantes até 2050 e pelo crescimento da renda –, a expansão do uso de bioenergia desafia o agronegócio. O assunto foi detalhado por Miguel Almada, analista do Ministério da Agricultura da Argentina, durante o 1º Fórum de Agricultura da América do Sul. A participação na matriz energética global tende a passar de 1% para 4% até 2030, o suficiente para alavancar as atividades de regiões que produzem etanol e biodiesel, segundo os dados apresentados pelo especialista.

A demanda por energia vem aumentando principalmente nos países em desenvolvimento. O consumo dessas nações, que representava um quarto do índice mundial na década de 1970, deve chegar a 50% daqui a 17 anos, projetou Almada, citando dados da Agência Internacional de Energia. Em sua avaliação, “65% do crescimento no consumo de energia ocorrem nesses países, onde o crescimento econômico e populacional é maior”.

Brasil e Argentina registram forte crescimento no próprio consumo interno de biodiesel, citou. O mercado brasileiro deve passar de 2,8 milhões para 4 milhões de metros cúbicos em dez anos, apontou. A Argentina está consumindo perto da metade da produção, acrescentou, o que tem feito a exportação, direcionada à Europa, voltar a patamares de 2009 (1,1 milhão de toneladas). A matéria-prima utilizada é a soja, disputada também para a produção de carnes.

O uso cada vez maior de produtos da agricultura para produção de energia – que ocorre também nas destinarias de etanol – estimula não só a produção se soja, milho e cana. Na análise de Almada, será necessário também diversificar as matérias-primas e ampliar setores como o de biomassa.

Fonte: Gazeta do Povo
Autor: José Rocher