Custo de produção de laranja

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Custo de produção é um tema relevante, pois é uma excelente ferramenta de  planejamento, podendo ser utilizada pelo produtor para decidir sobre investimento em uma cultura ou outra, além de auxiliá-lo na gestão e decisão sobre a permanência na atividade. As culturas perenes apresentam maiores custos de produção, mas, geralmente também apresentam as maiores rentabilidades. É o que mostrou a análise comparativa dos custos operacionais de produção de café, cana-de-açúcar e soja, utilizando dados do Agrianual/AgraFNP para os anos de 2005 a 2009. Confrontando com a laranja, os custos operacionais de produção destas culturas foram menores, com exceção do ano de 2006 (Gráfico 17).

No entanto, a rentabilidade média da laranja neste período só perdeu para o café, que foi 193% superior, mostrando a atratividade da laranja em relação à cana-de-açúcar e soja, cujas rentabilidades foram, respectivamente, 41% e 81% menores em relação à laranja, apesar de ser uma cultura que exige alta especialização (Gráfico 18).

Além de relevante, o custo de produção é um tema controverso, em função da grande

abrangência de fatores, que envolve um conjunto de atividades e técnicas de manejo em insumos, variando consideravelmente a quantidade, frequência e rendimento em razão da tecnologia adotada, características edafoclimáticas, pressão das pragas e doenças e exigências sanitárias de cada local. Além dos aspectos citados, a produtividade alcançada pode proporcionar grandes impactos no custo de produção, pois, apesar dos custos de colheita e transporte serem variáveis, os demais gastos e despesas de cultivo em quase sua totalidade são fixos por árvore e hectare. Portanto, quanto maior a produtividade de uma árvore ou de um hectare, menor é o custo de produção da laranja na árvore. A conseqüência deste grande número de variáveis encontra-se na discrepância dos custos de produção de laranja encontrados no setor (Gráfico 19).

Pela primeira vez apurou-se o custo operacional médio de produção de 100% das laranjas produzidas pelas indústrias em cada uma das safras, desde 2002/03 até 2009/10. A compilação destes dados também foi feita sob sigilo e individualmente por uma das maiores empresas internacional de auditoria independente.

Estes valores representam o custo operacional de produção de cerca de 35% da laranja processada pela indústria paulista, que é oriunda dos seus próprios pomares espalhados em todo o cinturão, desde Itapetininga, no sul do Estado de São Paulo, até Uberlândia, no Triângulo Mineiro (Tabela 17). Por se tratar de um custo operacional estão excluídos: custo de formação de pomares com idade entre zero e três anos (CAPEX e

financiamentos), custos de arrendamento de terras, custos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos, custos de depreciação ou ganhos de valorização de terras, taxas do Fundecitrus, despesas de financiamento para capital de giro da safra e receitas ou despesas financeiras. A partir da análise deste custo operacional de produção ao longo dos últimos oito anos, fica evidente o motivo pelo qual tanto tem se falado no

setor sobre monitoramento de custo de produção e a busca de alternativas para reduzi-lo em função do aumento do custo dos insumos. O preço do diesel, por exemplo, aumentou em mais de 100% entre os anos de 2002 e 2009, elevando os gastos com atividades mecanizadas e frete. Neste mesmo período, o custo de colheita subiu aproximadamente 160% (incluindo os valores pagos em salário, encargos compulsórios e facultativos, medidas de adequação à NR 31 e EPIs). Em 2009, a colheita foi duas vezes mais cara do que o transporte. Contudo, historicamente, eram custos que apresentavam patamares semelhantes. Entre as safras 2002/03 e 2009/10, os custos com colheita e frete passaram de 35% do custo operacional de produção de laranja para 44% (Gráfico 20). Ao todo o encarecimento do custo operacional de produção foi cerca de 70% entre as safras 2002/03 e 2009/10, saindo de R$ 4,25/caixa para R$ 7,26/caixa. Nesse período destaca-se a safra 2008/09, na qual aconteceu um incremento significativo de aproximadamente 25% em relação ao ano-safra anterior, puxado principalmente pelo aumento dos preços dos fertilizantes.

Na safra 2002/03, os pomares da indústria brasileira em São Paulo e no Triângulo Mineiro apresentavam custo de produção mais competitivo do que os pomares na Flórida (3,3 vezes inferior), mas esta vantagem a favor da indústria brasileira foi reduzida na safra 2008/09 (Gráfico 21).

O encarecimento do custo de produção de laranja evidencia a necessidade de repensar a gestão do empreendimento citrícola, a adoção de planejamento da produção, envolvendo a determinação de metas e objetivos de longo prazo, o estabelecimento de

ações e a alocação de recursos para atingi-las. Cabe também ao setor público ações integradas de apoio neste repensar da atividade produtiva, pela importância do setor na geração de renda e empregos.

Fonte: http://www.citrusbr.com.br/download/Retrato_Citricultura_Brasileira_Marcos_Fava.pdf

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