Como combater a lagarta-do-cartucho?

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ALAVOURA

Manejo, observação e produtos biológicos podem ajudar

A lagarta Spodoptera Frugiperda, mais conhecida como lagarta-do-cartucho, é a principal praga da cultura do milho no Brasil. A infestação causa sérios danos à produtividade. No início apenas raspa a folha mas quando desenvolvida perfura por completo e destrói o cartucho. O inseto ataca a planta desde sua emergência, cortando-a rente ao solo e destruindo as espigas em formação. Porém, o período crítico é o próximo ao florescimento.

Nos últimos anos a resistência dos insetos vem crescendo, principalmente em decorrência da evolução à algumas toxinas transgênicas. O PortaL Agrolink conversou com a pesquisadora Lúcia Vivan, entomologista da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso ( Fundação MT). Confira:

Portal Agrolink: Hoje qual a incidência da praga? Que prejuízos pode causar?
Lúcia Vivan:
 a incidência de Spodoptera frugiperda está crescente e presente em várias culturas do sistema de produção como milho, soja e algodão, além de culturas como braquiária, milheto, sorgo entre outras gramíneas.
Essa polifagia em várias culturas faz com que tenha populações dessa espécie em todos os períodos do ano.
Na cultura do milho a Spodoptera frugiperda está presente no período vegetativo ocasionado desfolha nas folhas do cartucho e pode interferir no crescimento da planta se não for controlada no momento correto, também no milho ocasiona danos nas espigas, ocasionado perdas de produção. O ataque na espiga tem-se verificado em híbridos de ciclo mais curtos, também pode ocasionar danos no ponto da inserção da espiga no colmo ou na base da espiga deixando uma porta de entrada para patógenos.

Portal Agrolink: Como as tecnologias do milho podem combater a lagarta-do-cartucho?
Lúcia Vivan: 
as toxinas Bt efetivas que controlam a lagarta-do-cartucho do milho são as que compõem as tecnologias Power Core, VTPro e Vip. Atualmente temos sobrevivência de lagartas e danos nas plantas de milho que apresentam as toxinas nos materiais Power Core e VTPro, no entanto em índices inferiores a materiais não Bt. Para materiais com o toxina VIP temos 100% de controle de lagartas e nenhum dano nas plantas de milho.

Portal Agrolink: O que há de estudos que podem auxiliar o produtor no combate?
Lúcia Vivan:
 tem vários estudos de controle para essa praga. O momento correto de controle no milho na fase vegetativa é quando 20% das plantas apresentam notas entre 3 e 4 na escala de Davis, que é uma escala usada mundialmente para definir os danos da Spodoptera frugiperda. Para o dano na espiga a dificuldade está nas aplicações terrestres, sendo necessária aplicação aérea em alguns casos devido ao tamanho do milho. Muitos inseticidas podem ser utilizados para controle dessa lagarta, mas o mais importante é fazer o monitoramento das plantas e avaliar a nota de Davis, sendo que o controle que terá mais sucesso é com notas entre 3 e 4.

Portal Agrolink: Os biológicos podem ser aliados nesse caso ou o controle ainda é químico?
Lúcia Vivan: 
o uso de biológicos tem sido adotado para controle de Spodotpera frugiperda. Também há ocorrência de inimigos naturais como as tesourinhas Doru luteipes, que é um inseto predador de ovos e lagartas pequenas. A tesourinha coloca os ovos no cartucho das plantas e as formas jovens e adultos se alimentam de lagartas presentes no cartucho das plantas de milho. Também há produtos biológicos  a base de vírus, bactérias e fungos que podem ser utilizados para controle das lagartas, mas é importante que essas lagartas ainda não estejam encartuchadas e para isso é importante fazer o acompanhamento das áreas.

Portal Agrolink: O que se recomenda de produto e aplicação?
Lúcia Vivan: 
produtos fisiológicos, diamidas, espinosinas, carbamatos entre outros podem ser utilizados para controle de Spodoptera frugiperda. As aplicações devem ser realizadas quando as lagartas ainda não encartucharam. É recomendado um volume de calda maior a fim de escorrer produto para o cartucho.

Fonte Agrolink