Cuidados na aquisição de matrizes e reprodutores

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1 – A escolha da raça, leite, carne ou dupla aptidão, é de caráter pessoal . O que importa é a alimentação, os cuidados no manejo e a constante seleção zootécnica do rebanho.

2 – Além da compra ser feita em criatório idôneo , cabe ao comprador examinar os animais ou estar acompanhado de técnico competente (veterinário, agrônomo ou zootecnista) e que realmente conheça a espécie.

3 – Em primeiro lugar, deve-se avaliar o estado nutricional dos animais, a higiene das instalações, o desenvolvimento e estado corporal do rebanho, pois uma caixinha de surpresas pode se esconder atrás de uma compra na qual se pense unicamente em preço ou valor genético dos animais.

4 – Examinar a pele e pêlos , para verificar a presença de piolhos. Examinar a coloração das mucosas, principalmente a ocular. Magreza significa fome, baixa produção de leite, endo ou ecto parasitas ou ambos (como vermes de diferentes tipos ou piolhos). Nos dois primeiros meses pós-parto, cabras de alta lactação ou especialmente na raça Alpina, a fêmea parida se mostra bastante magra e a recuperação é vista nítida e gradativamente após o pico da lactação, que ocorre após o segundo mês pós-parto. Não confundir, portanto, espoliação por parasitas, má nutrição e demais problemas sanitários, com fêmeas bem nutridas e hígidas, que perderam peso após o parto devido à lactação.

5 – No caso de compra de animais PO (puros de origem), examinar as características raciais como pelagem, chanfro, tamanho e/ou comprimento das orelhas, específicos de cada raça e, para todos os animais, dentição e defeitos como agnatia ou prognatismo.

6 – Avaliar aprumos (como o animal pisa, estado dos cascos, harmonia dos membros, artrite, sensibilidade ao toque nas articulações…).

7 – Avaliar o úbere das adultas e o desenvolvimento corporal das jovens; no úbere deverá ser observada a conformação (globosa, assimétrica, tetas excessivamente grossas ou pequenas ou bipartidas, presença de tetas supranumerárias funcionais, má inserção em relação ao períneo, ligamentos firmes ou excessivamente relaxados…), textura (maciez, que deve ser sentida por palpação antes e após a ordenha) e presença de nódulos, cicatrizes ou enfartamento ganglionar.

8 – No caso específico das raças Boer, Savanah e Kalahari , machos e fêmeas, poderão apresentar taras de tetas inadmissíveis nas raças leiteiras e de dupla aptidão, como tetas supranumerárias ou bipartidas e duplo orifício; porém, a seleção dessas três raças deve ser feita para animais que não apresentem esses defeitos, principalmente nos reprodutores; observar ainda a pigmentação do rabo, diretamente correlacionada a pigmentação da pele do restante do corpo, e que deve ser escura ou com, no mínimo 70% de pigmentação negra desde o nascimento.

9 – Nos machos , evitar a compra de cabritos antes dos 4 meses de idade, pois deverá ser observada a exposição do pênis, a conformação dos testículos e sua presença na bolsa escrotal, integridade dos epidídimos, libido e desenvolvimento corporal, além do estado sanitário; examinar detalhadamente boca e tetas; animais que sofreram problemas sanitários graves como verminose, eimeriose ou diarréias de diferentes origens, provavelmente terão um retardo no crescimento.

10 – Nos bodes , muita atenção aos testículos , que deverão ser bem desenvolvidos, simétricos, sem ferimentos e cortes na bolsa escrotal; atenção redobrada aos epidídimos, que não poderão apresentar granulomas; examinar a boca, o padrão racial, caixa torácica e abdominal, aprumos, articulações e, principalmente, as tetas, pois todos os machos deverão apresentar uma única teta de cada lado da região inguinal , semelhante as fêmeas; exceção às raças de corte, como citado anteriormente.

11 – N as cabritas de raças leiteiras e de dupla-aptidão, examinar as tetas , visando avaliar a presença de tetas supranumerárias, que podem ser funcionais ou possuírem duplo orifício, ou seja, funcionais quando da lactação, o que, além de ser um defeito zootécnico grave, incorrerá na desclassificação do animal no momento do registro genealógico. Para fêmeas de menor valor zootécnico, cuja função seja exclusivamente produção e formação de rebanho, essa característica deve ser igualmente observada.

12 – Jamais adquirir uma fêmea de 2 ou mais anos de idade não parida ou que não esteja ao menos mojando, pois a cabrita torna-se púbere aos 4 meses e deverá ser acasalada a partir dos 7 meses (desde que tenha 65 a 70% do peso adulto da raça), ou seja, deverá estar obrigatoriamente parida antes dos 2 anos de idade.

13 – Sempre que possível, requisitar ao vendedor todos os dados zootécnicos dos animais, bem como o RGN ou RGD, no caso de rebanho submetido ao Registro Genealógico Caprino (SRGC).

14 – Quando da compra de animais mestiços, para formação de plantel, os mesmos cuidados devem ser observados, com menores exigências quanto à capacidade leiteira, mas nunca deixando de observar as características sanitárias dos mesmos.

15 – Muito cuidado com a linfadenite caseosa : jamais adquirir animais com enfartamento ganglionar (principalmente adiante da paleta, na cara, embaixo da mandíbula, etc.) ou cicatrizes de abcessos drenados e já secos na região esses defeitos, principalmente nos reprodutores; observar ainda a pigmentação do rabo, diretamente correlacionada a pigmentação da pele do restante do corpo, e que deve ser escura ou com, no mínimo 70% de pigmentação negra desde o nascimento.

16 – Verificar qual o manejo nutricional do rebanho, para que após a eventual mudança na qualidade ou marca do concentrado, bem como no volumoso (capim verde picado, feno, silagem, leguminosas verdes, etc.) seja feito gradativamente, do contrário poderá ocorrer mortes por enterotoxemia. Nunca utilizar o farelo de trigo como fonte de proteína (e de barateamento da ração) pois ele ocasionará a formação de cálculos renais, que obstruirão a uretra peniana, levando à morte do reprodutor. No caso de utilização de concentrado não comercial (formulações caseiras) e/ou de firma não idônea, não colocar mais de 30% desse farelo e SEMPRE adicionado de 2% de farinha de ostra ou carbonato de cálcio.

17 – Nunca transportar os animais por muitas horas ou dias sem oferecer água limpa e, se possível, volumoso limpo. Nunca cortar capim em beira de estradas movimentadas, totalmente contaminados de poluição, fumaça e gazes de escapamentos; no caso de importação direta do exterior, exigir a presença de um técnico competente e idôneo, além dos exames sanitários exigidos pelo M.A.

18 – Não esquecer que o leite é produzido a partir daquilo que o animal come, não apenas de um bom pedigree. As condições ideais de produção de leite são climas amenos, com temperatura de conforto de 12 a 18 ° C, o que dificilmente conseguimos em nosso país; portanto, animais adquiridos no sul do Brasil ou exterior poderão apresentar produção leiteira aquém do esperado ou desejável, exatamente pelo fato do calor e/ou umidade elevada diminuírem a ingestão de alimento e, consequentemente, da produção.

Profa. Dra. Anneliese de Souza Traldi – Departamento de Reprodução Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – USP

Fonte:

http://www.ovinocaprino.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=21#07

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