Cresce a incidência de nematoides em milho e soja

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Cláudia Regina Dias-Arieira

Engenheira agrônoma, Fitopatologista/Nematologista

Fernando M. Chiamolera

Engenheiro agrônomo e mestrando em Proteção de Plantas

UEM – Campus Regional de Umuarama

 

Nas últimas safras têm sido crescentes os prejuízos ocasionados por nematoides nas grandes culturas, como o milho e a soja. Isto ocorre porque estas duas espécies apresentam suscetibilidade comum a alguns nematoides. A rotação de soja com o milho é muito interessante para reduzir a população do nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines). No entanto, pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste fazem um alerta: que a substituição da rotação soja-milho safra pela sucessão soja-milho safrinha tem agravado os problemas com o nematoide de cisto nos últimos anos.

Os nematoides das galhas, principalmente as espécies Meloidogyne javanica e M. incognita merecem destaque entre os parasitos da soja, tanto pelos danos que ocasionam à cultura como pela ampla gama de hospedeiros, o que dificulta o seu manejo.

Para essas espécies, variedades específicas de milho e milheto são importantes opções de rotação. Aqui vale destacar que a resistência do milho vai variar de acordo com o híbrido, porém, em geral, os resultados da rotação tem sido satisfatórios.

Com menor expressão na sojicultura nacional, o nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis), conhecido também como nematoide do algodoeiro, tem comprometido a produtividade de soja em algumas regiões do Brasil, especialmente no Mato Grosso do Sul. Sua patogenicidade a diversos híbridos de milho já foi comprovada em trabalhos realizados por diferentes pesquisadores do País.

Uma quarta espécie importante para a soja é o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus), que penetra a raiz e movimenta-se pelo córtex, formando galerias que prejudicam a absorção de água e nutrientes. O milho, por ser altamente suscetível a este nematoide e por ter sido utilizado durante muitos anos em rotação com a soja com o objetivo de reduzir o nível populacional Meloidogyne spp. e H. glycines, possibilitou o aumento de P. brachyurus em diversas áreas, e atualmente figura entre os nematoides de maior importância para a sojicultura.

 

Prejuízos

 

Os prejuízos ocasionados por fitonematoides nas culturas da soja e do milho são variáveis em função de uma série de fatores, entre eles: as espécies e a população inicial de nematoides no solo, a cultivar ou híbrido plantado e as condições de solo e clima.

Contudo, de acordo com pesquisadores da Embrapa, o prejuízo médio anual ocasionado na cultura da soja no Brasil gira em torno de 10%, sendo que quando as condições climáticas são favoráveis e as cultivares suscetíveis, os problemas podem ser drasticamente agravados, chegando a 90% de perdas.

No milho há relatos de aumento de 39% na produção de grãos devido ao controle de nematoides. Os maiores prejuízos são registrados na região central do Brasil. Na região Sul, os problemas são minimizados por fatores como temperaturas amenas durante parte do ano, a prática da rotação de cultura e o maior acúmulo de matéria orgânica no solo.

 

Sintomas

 

Os sintomas de nematoses no sistema radicular são variáveis, e dependem especialmente da espécie presente na área. Os nematoides das galhas, por exemplo, provocam o engrossamento das raízes na forma de nódulos (que diferem dos nódulos de rizóbio por não se desprenderem quando puxados).

Nas raízes com nematoides de cistos é possível observar, com auxílio de uma lupa de bolso, a presença de fêmeas na forma de limão, com coloração variando de branco leitoso até marrom escuro. Já os nematoides das lesões causam manchas alongadas e avermelhadas nas raízes, sendo difícil a diagnose no campo, e talvez este seja um dos motivos pelo qual a ocorrência desta espécie tem passado despercebida.

Na parte aérea os sintomas ocasionados pelas diferentes espécies são semelhantes: observam-se reboleiras de plantas com tamanho reduzido, amarelecimento e menor resistência ao estresse hídrico. Tais sintomas muitas vezes são confundidos com deficiência nutricional e isso acaba atrasando a adoção de medidas de controle, agravando os problemas.

Além da soja e do milho, outras culturas que integram as lavouras de diversas regiões do País são suscetíveis às espécies de nematoides aqui discutidas. O algodoeiro e o feijoeiro, por exemplo, são suscetíveis aos nematoides reniformes, das galhas e ao nematoide das lesões radiculares. O girassol é muito suscetível aos nematoides das galhas; as pastagens especialmente ao nematoide das lesões radiculares e a cana-de-açúcar ao nematoide das galhas e das lesões radiculares.

 

Fonte: http://www.revistacampoenegocios.com.br/anteriores/2011-03/index.php?referencia=em_negrito02

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