Cooperativa de leite em Alagoas ajuda agricultores familiares a aumentar a renda

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03/07
A Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) virou exemplo de casos concretos de agricultores familiares que seguiram as recomendações técnicas de convivência com os problemas causados pela estiagem, mostrando a viabilidade da indústria láctea no semiárido nordestino. São famílias que deixam de ser dependentes do Programa Bolsa Família do governo federal porque elevaram sua renda líquida mensal para dois a três salários mínimos, saindo da linha da miséria para a nova classe média rural em pleno semiárido nordestino. 

Desde 2001, a CPLA visa fortalecer os agricultores familiares para que possam escoar a produção no mercado alagoano de 32 mil produtores de leite. E para, cada vez mais, atender o maior número de produtores no estado, a cooperativa criou 71 associações em 102 municípios com mais de três mil agricultores associados. Para fazer o trabalho de beneficiamento e comercialização, a CPLA contratou 16 pequenas indústrias de laticínios que estão distribuídas na região da Zona da Mata, Agreste e Sertão de Alagoas.

As associações são responsáveis pelo recolhimento do leite com os agricultores e o transporte para os laticínios mais próximos. Cerca de 90 mil litros de leite por dia são pasteurizados, empacotados e entregues pelas indústrias que também são contratadas para fazer o transporte. Desse total, 80 mil litros de leite são comercializados por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e dez mil litros são entregues às prefeituras para o Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae), ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Por ano, a cooperativa produz 36,5 milhões de litros de leite, sendo responsável por 35% da produção em Alagoas. Os agricultores familiares da cooperativa também acessam as linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), como as de custeio e investimento, além do Garantia-Safra – ação voltada para a área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), majoritariamente semiárida.

Projeto
Apoiar a reestruturação da cadeia produtiva do leite no estado é o que impulsiona o trabalho da CPLA. “Aqui em Alagoas o clima é seco e tem luminosidade favorável à produção de leite. Com isso, queremos construir, de forma organizada, condições melhores de vida pelas mãos dos agricultores para que eles sobrevivam na região”, deseja o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro.

Ele contou que a cooperativa assumiu o projeto de reativação da fábrica Camila, no município de Batalha, que já foi a maior indústria de laticínios do estado e que será reaberta este ano. A ideia, segundo Aldemar, é agregar mais valor ao leite produzindo derivados como queijos, iogurtes, leite em pó, leite condensado. “Para isso, precisamos aumentar a produtividade e temos o projeto de disponibilizar uma metodologia de gestão e assistência técnica aos dois mil agricultores familiares que já estão melhorando as condições de vida tirando-os da extrema pobreza”, afirma Aldemar. Com o projeto, a cooperativa pretende atender 10% dos produtores agregando 23 milhões de litros/ano, contribuindo para o abastecimento do mercado local.

Exemplo disso é o agricultor familiar Marcelo Pereira que substituiu a fumicultura pela pecuária leiteira. Na comunidade Santa Rosa, zona rural de Craíbas no Agreste, Marcelo produzia 50 litros por dia e passou a produzir 230 litros no primeiro teste do projeto de gestão e assistência técnica que a cooperativa está engajada desde 2009. Com isso, trocou os R$ 70 que recebia do Bolsa Família por uma renda mensal em torno de R$ 1.800. “A meta da cooperativa é ter muitos ‘Marcelos’ e ser parceira do governo federal para as políticas públicas contribuírem com o crescimento da agricultura familiar produtora de leite em Alagoas”, conclui o presidente da CPLA.

Portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário