Controlando a pressão do pastoreio

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Um olho no gato, outro no peixe! O ditado popular pode ser encaixado perfeitamente à pecuária moderna, guardados os seus devidos personagens. Nesse caso seria um olho no boi, outro na pastagem! Na pecuária moderna, o segredo do sucesso está nos detalhes. Qualquer descuido no manejo da atividade pode ser decisivo, principalmente na pastagem.

Errar o manejo do pasto pode significar deficiências na alimentação dos animais, irregularidades na pastagem e, conseqüentemente, prejuízos no bolso do criador. Entre as ferramentas que o produtor dispõe para verticalizar a criação de bovinos está o controle da pressão de pastejo. A metodologia é utilizada principalmente por quem já implantou na propriedade o sistema de pastejo rotacionado.

Controlar a pressão de pastejo, segundo o médico veterinário Hérico Alexandre Rossetto, do Detec da Coamo em campo mourão, é saber o quanto sobra de pasto no piquete tão logo os animais são remanejados para outro piquete. “Com uma boa avaliação, o criador pode garantir um maior aproveitamento da pastagem”, revela. Na avaliação de Rossetto, esse controle é fundamental durante o período de verão, uma vez que há condição altamente favorável para o desenvolvimento das pastagens. “O capim cresce vigorosamente. Então o produtor deve planejar o pastejo no piquete de acordo com o número de animais e a quantidade de massa no pasto. Não pode haver sobra nem falta de pasto. O ideal é que o capim seja pastejado na altura ideal e na quantidade certa, para garantir que na próxima entrada do gado ele estará novamente no ponto de pastoreio”, orienta.

O controle da pressão de pastejo, segundo Rossetto, é uma questão de planejamento. O criador deve elaborar uma planilha de trabalho anual com auxilio do veterinário que assiste a propriedade. Um planejamento bem feito pode garantir um bom manejo alimentar do rebanho e, conseqüentemente, um lucro maior para o produtor.

Verminose no verão – O calor e a alta umidade da estação podem contribuir para o desenvolvimento de um sério problema para quem lida com a bovinocultura de leite e corte. A época favorece a proliferação de parasitas internos, deixando a criação sob estado de alerta. “Quem fez o controle preventivo na primavera vai ter os animais mais bem preparados para enfrentar os desafios que vem pela frente. Mas quem deixou de desverminar o gado, terá jornada dupla neste verão”, alerta Hérico Rossetto.

O microclima do verão faz com que haja um aumento nas oviposições dos parasitas internos dos animais. Com isso, há uma aceleração na multiplicação verminótica e, por conseqüência, um maior ataque aos bovinos. “Os vermes gastro-intestinais podem causar queda na produção dos animais e, com o déficit nutricional, muitos podem ser acometidos por doenças e até mesmo vir à morte”, explica o veterinário da Coamo.

O ideal, segundo Rossetto, é o produtor manter um esquema preventivo de controle de parasitas na propriedade, que pode variar de acordo com os índices pluviométricos e de temperatura da região. Com a estratégia, a carga verminótica será melhor e os animais sofrerão menos no verão.

Combatendo o desperdício de ração

Um guia australiano oferece meios para reduzir um caro problema

Estratégias para diminuir o desperdício de ração em granjas tem sido desenvolvido na Austrália, após monitoramento, onde conclui-se que 7 entre 10 granjas naquele país, desperdiçam mais que 10% do total de ração farelada ou peletizada fornecida aos animais. Estes trabalhos têm, inclusive, mensurado o valor de sistema de comedouros bem eficientes e bem manejados, informando diferentes graus de desperdícios entre os modelos existentes.

Os pontos principais das estratégias foram compilados por Sara Willis, consultora em nutrição animal, em conjunto com The Agency for Food and Fibre Sciences, em Queensland’s Department of Primary Industries, que conduziu os estudos para investigar quanto de ração foi perdida em cada um dos modelos de comedouro e diferentes tipos de ração.

“O desperdício é algo difícil de ser mensurado, ainda que contribua significativamente para aumentar os custos de produção”, comenta. “Um suíno que desperdice apenas 80 gramas de ração por dia, ou o equivalente a medida de uma colher de chá de ração por hora, acarreta um aumento em 5% na diferença do total desperdiçado na granja, além de elevar em 6% a conversão alimentar das engordas”, contabiliza.

Ração desperdiçada também aumenta a poluição ambiental e a geração de odores desagradáveis. Além disto, toneladas de ração são jogadas fora. Observa-se no chão em frente aos comedouros e abaixo do piso ripado das baias suspensas. Outras perdas são devido a formação de pó que se vai, ou que fica e colabora com a proliferação de fungos.

A quantidade desperdiçada dos comedouros é de difícil mensuração em granjas comerciais, diz Sara. Mas como regra geral, no mínimo 10% está sendo desperdiçada se forem observados indícios de ração perdida no chão. Desperdícios da ordem de 10% em um rebanho com 200 fêmeas pode chegar a perdas de 110 toneladas de ração por ano, suficientes para alimentar outras 20 fêmeas e suas progênies.

No estudo australiano, a quantidade total de ração fornecida durante o período de crescimento e terminação nas dez granjas monitoradas foi registrada e comparada com a quantidade sugerida por um modelo matemático (AUSPIG), como necessário para o crescimento ideal, sob condições particulares de cada granja. A diferença entre a quantidade atual de ração fornecida e a ideal sugerida pelo modelo matemático, foi considerada como desperdício.

As dez granjas representaram praticamente todos os diferentes tipos de comedouro mais comumente usados na Austrália.

Os comparativos indicaram níveis individuais de desperdício, de 5 até 27% do total fornecido aos animais.

Esta é uma extrapolação dos resultados que levam a sugerir que 70% das granjas desperdiçam mais que 10% do total de ração fornecida, um valor comumente aceito pelas granjas de engorda na Austrália.

Apenas 3 em cada 10 granjas usa ração peletizada. Também 3 usam os comedouros por competição. Um comedouro por competição é aquele compartilhado por duas baias, o qual leva os animais a comerem em grupos e os encoraja a competir pela comida.

Notadamente, estas empresas que alimentam com pelets foram as únicas onde o estudo conduzido apontou para desperdícios ao redor de 10% ou menos.

Em outro extremo, o pior caso foi a granja que fornece alimentação seca em comedouros de múltiplo espaço para a fase de crescimento e fornecimento de ração no chão durante toda a terminação. Nestes casos, comum o “consumo” ser maior que 27% da necessidade prevista pelo modelador de crescimento AUSPIG.

A maioria das outras unidades arraçoa através de comedouros de espaço único, ração seca/molhada (a critério do próprio animal) nas fases de crescimento e de terminação. Nestes casos, previsto um desperdício de 12 até 20%, demonstrando a importância do controle de manejo dos comedouros.

“Nas unidades com alto nível de desperdício evidenciou-se que o mecanismo de regulagem de fornecimento era de difícil ajuste” diz Sara. “Isto demonstra que na prática, observando que alguns comedouros possuem muita ração no prato ou bandeja enquanto que outros apresentam muito pouca ração. Na maioria dos casos, os comedouros são sempre ajustados mais ‘generosamente’ aos animais”.

Na maioria dos casos de desperdício exacerbado, constatou-se que os trabalhadores das engordas não estavam fazendo a checagem diária de todos os comedouros, como tarefa de rotina. Num exemplo prático, observamos um prato cheio de ração até a borda, mesmo os leitões tendo sido alojados apenas dois dias atrás.

Generalizando, deve haver um mínimo de ração farelada ou peletizada disponível em frente aos animais, porém eles devem trabalhar para obter o alimento. É importante, entretanto, que a boca do comedouro não seja muito estreita. Por outro lado, o fluxo de ração pode ser restringido ao ponto em que os animais apenas possam comê-la sem desperdiçá-la.

Frequentemente, a resposta a restrição no comedouro pode ser um maior número de vindas ao mesmo, para consumir a quantidade necessária diária, o que também não é desejável.

Ou seja, monitoramento e checagem diária de todos os comedouros, em diferentes horários do dia, é parte fundamental e integrante da rotina diária de manejo em granjas.

Fonte: http://www.coamo.com.br/jornalcoamo/janfev04/pecuaria.html

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