Considerações sobre o potássio na cultura da cana-de-açúcar

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Autor: Márcio Luiz Chaves, Graduando em Agronomia na UFLA, membro da Equipe ReHAgro

Em outros artigos publicados nesta mesma seção,  descrevemos importantes aspectos da cultura da cana-de-açúcar, dando grande ênfase às práticas de correção do solo e adubação, que são os alicerces fundamentais à produção de alimentos de qualidade, além de altas produtividades.

Finalizando a série de artigos sobre adubação da cana-de-açúcar, neste artigo descreveremos sobre a importância do potássio (K), cuja principal fonte é o cloreto de potássio (KCl). O manejo adequado desse nutriente é de suma importância na redução dos custos de produção, uma vez que 90% deste fertilizante é importado.

O K é o nutriente exigido em maior quantidade pela cultura da cana-de-açúcar (Tabela 1), apesar de não fazer parte de nenhum composto orgânico presente na cultura (Orlando Filho, 1993). Participa da síntese de açúcares e proteínas, no aumento da clorofila bruta e conversão de energia nos cloroplastos, e na abertura e fechamento de estômatos. É cofator de aproximadamente 60 enzimas, principalmente ligadas ao metabolismo de açúcares, transformações anabólicas e catabólicas de sacarose e hexose. Baixos níveis de sacarose são associados à deficiência de K. A cana-de-açúcar, mais que a maioria das outras plantas, parece ter maior necessidade de metabolizar glicose em seus primeiros meses de crescimento e desenvolvimento (Alexander, 1965; Vieira, 1983).

TABELA 1: Extração e exportação de nutrientes para a produção de 100 toneladas de colmos.

O teor de K nos fertilizantes é expresso na forma de equivalente K2O, que é uma expressão padrão do teor relativo de K. Para transformar K2O em K multiplicar por 0,83 e transformar K em K2O multiplicar por 1,2.

A palhada deixada pela cana colhida sem queima é uma importante fonte de nutrientes. Devido ao fato de o K não ser constituinte de nenhum composto existente na planta e estar presente na forma iônica, o que facilita sua saída da célula após o rompimento da membrana plasmática, sua liberação é elevada (Malavolta et al., 1989).

Essa liberação pode atingir 85% do inicialmente existente na palhada, o que irá depender da variedade utilizada, idade do canavial, clima e práticas culturais adotadas. Em avaliação feita com 10 variedades de cana-de-açúcar encontrou-se um valor médio de 130 kg.ha-1 de K acumulados na palhada, ressalvando que essa palhada era constituída por folhas secas e ponteiros, produzindo em média 15,2 t.ha-1de matéria seca (Buzolin, 1997; Oliveira et al., 1999; Oliveira et al., 2003). Esses dados mostram a importância de se fazer análise de solo da cana-soca, o que possibilita uma adubação equilibrada.

Algumas sugestões de adubação de plantio e de cana-soca são baseadas nos teores de K no solo e nas expectativas de produção, procurando sempre observar uma relação N: K2O da adubação de 1:1 a 1,5 (Tabela 2, 3 e 4) (Vitti, 2003).

Tabela 2 – Adubação potássica de plantio com base na análise de solo visando altas produtividades (Boletim 100)

*Em areias quartzosas e latossolos aplicar, no máximo, 100 Kg de K2O no sulco de plantio e o restante em cobertura, antes do fechamento do canavial.

Tabela 3 – Adubação mineral da cana-soca, em função da expectativa de produtividade

Tabela 4 – Recomendação de adubação mineral de cana-soca baseada na análise de solo

Quando da implantação do canavial e adubação de soqueira o produtor deve procurar as recomendações que sejam mais adequadas ao seu nível tecnológico, região, tipo de solo e clima, tendo sempre em mente que a produtividade é uma importante ferramenta para baixar o custo de produção por unidade de matéria seca.

Referências Bibliográficas

Alexander, A. G. Physiological studies of enzymes catalyzing the synthesis and hydrolysis of sucrose, starch and phosphorylated hexose in sugar cane. Journal of Agriculture of the University of Puerto Rico. Rio Pedras, vol. 48, n. 3, p. 165-231, 1965

Buzolin, P. R. S. Efeitos da palha residual da colheita mecanizada associada a fontes de potássio e doses de nitrogênio, no solo e nas socas de cana-de-açúcar. Jaboticabal, 1997. 89 p. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

Malavolta, E.; Vitti, G. C.; Oliveira, S. A. Avaliação do estado nutricional das plantas. Piracicaba: Associação para Pesquisa da Potassa e do Fosfato, 201 p., 1989.

Orlando Filho, J. Calagem e adubação da cana de açúcar. In: Câmara, G. M. S. & Oliveira, E. A. M. (eds). Produção de cana-de-açúcar. Piracicaba: FEALQ/USP, 1993. p. 133-146.
Oliveira, M. W.; Trivelin, P. C. O.; Penatti, C. P.; Piccolo, M. C. Decomposição e liberação nutrientes da palhada de cana-de-açúcar em campo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.34, n. 12, p. 2359-2362, 1999.

Oliveira, M. W.; Barbosa, M. H. P.; Mendes, L. C.; Damasceno, C. M. Matéria seca e nutrientes na palhada de dez variedades de cana-de-açúcar. Stab – Açúcar, Álcool e Subprodutos, v. 21, n. 3, p. 30-31, 2003.

Vieira, I. M. S. Efeito do potássio sobre a atividade de invertases, teores de açúcares e compostos nitrogenados em cana-de-açúcar (Saccharum spp. Var. NA56-79) cultivada em solução nutritiva. Piracicaba, 1983. 97 p. Dissertação (Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo.

Vitti, G. C. – Nutrição e adubação da cana-de-açúcar. In: Curso Agrícola “Uso eficiente de fertilizantes na cana-de-açúcar” Araçatuba: UFSCar, 2003, 28 p.

 

Fonte: http://www.rehagro.com.br/siterehagro/publicacao.do?cdnoticia=118

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