Com baixa no millho, trigo vira alternativa para safrinha no Cerrado

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10/12/13 – 17:28
A recente baixa no preço do milho tem levado alguns agricultores a procurar alternativas para a chamada “safrinha”. Nesse cenário, surge como alternativa para o Centro-Oeste brasileiro o cultivo de trigo – o único dos principais grãos no qual o País não é um produtor auto-suficiente.

Atualmente, nada menos que 90% do trigo do Brasil é produzido na região Sul, em função das condições climáticas mais propícias. No entanto, há pesquisas indicando que o cereal de inverno também pode ser produzido na região do Cerrado, seja sob irrigação ou como sequeiro.

Para estimular essa produção, foi apresentado projeto de lei no estado do Mato Grosso com o objetivo de formar um fundo de apoio à pesquisa da cultura. A proposta do deputado José Riva (PSD) institui uma reserva através da contribuição no valor de 0,1 (um décimo) da UPF/MT por tonelada de farinha de trigo comercializada no estado que tenha origem de fora, alem de doações, convênios e créditos consignados no orçamento estadual.

“Temos que fomentar esta cultura importantíssima que já vem sendo testada em Mato Grosso com muito sucesso e pode gerar mais arrecadação, empregos e oportunidades para produtores e industrializadores, beneficiando inclusive o consumidor”, defende Riva.

De acordo com o pesquisador da Empaer Hortêncio Paro, o estado já possui tecnologia para o plantio eficiente do cereal. “Mato Grosso importa hoje 120 mil toneladas de farinha/ano a um custo enorme e esse recurso pode ficar aqui, gerando emprego e renda. Já temos tecnologia e municípios como Primavera do Leste, com mais de 25 mil hectares de área irrigada e que poderia ter um moinho das próprias cooperativas”, explica.

Estima-se que a produção de trigo no Mato Grosso pode chegar a 70 sacas por hectare, o que faria o estado a superar a Região Sul. Um programa semelhante foi realizado há muitos anos para estimular a produção de algodão, e hoje o MT é o maior estado produtor da cultura no Brasil.

Agrolink
Autor: Leonardo Gottems