Cochonilha da roseta ataca cafezais de todo o Brasil

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A cochonilha da roseta é um complexo de espécies, das quais se destacam, principalmente, a Planococcus citri e a Planococcus minor (Hemiptera-Pseudococcidae). Também conhecida como cochonilha branca, esta é uma praga cosmopolita, isto é, ocorre no mundo todo, em diversas culturas e plantas associadas, sendo polífaga, ou seja, se alimenta em diversas culturas, sem preferência. Uma das suas culturas preferidas é o citros, mas tem causado prejuízos consideráveis agora ao cafeeiro.

Sua expansão se deu, provavelmente, às condições ideais de clima, incluindo principalmente a temperatura e a umidade relativa do ar. Ela ataca principalmente na época quente, quando as temperaturas começam a subir, coincidindo com a época que se iniciam as chuvas do verão. Outro problema pode ser a pesada adubação associada às altas produtividades obtidas na cultura do café conilon.

Prejuízos

Entre os prejuízos causados pelo inseto, destaca-se a acentuada redução na produtividade das lavouras de café conilon, atacando desde plantas em primeira produção até plantas já completamente desenvolvidas.

Em termos numéricos, os experimentos de controle da praga, realizados por Fornazier, mostraram que onde ela foi bem controlada houve produtividade três a quatro vezes superior às áreas onde não foi aplicado o controle. Traduzindo, o dano é superior a 60-80% (real) da produtividade, podendo atingir 100% quando a infestação é muito precoce (na flor e frutos muito novos). Porém, no caso do café conilon, parece haver uma diferenciação entre os materiais genéticos utilizados nas composições clonais (que formam as variedades de café conilon lançadas pelo Incaper). Supomos que a cochonilha da roseta tenha causado prejuízos anuais superiores a 20% da safra capixaba de conilon, que significaria algo em torno de 1,5 milhão de sacas/ano.

Consequências

Atacando desde a época da floração, este inseto pode causar o murchamento e queda prematura das flores, bem como de frutos novos e mesmo daqueles já formados. Os frutos mais desenvolvidos sofrem sua ação por meio do chochamento, isto é, da má formação e enchimento dos mesmos, provocando redução da produtividade, tanto pelo abortamento das flores e frutos mais novos como pelo enchimento deficiente daqueles que não caem.

A primeira atitude, ao lidar com um inseto, deve ser fazer sua correta identificação, principalmente para que seja possível buscar informações que outros pesquisadores já tenham elaborado, como a biologia, hábito, culturas atacadas, manejo, associações com inimigos naturais e, principalmente, seu manejo fitossanitário.

Como detectar sua presença

Para detectar a praga na lavoura é preciso estar atento aos seguintes sintomas:

– Presença dos insetos nas rosetas, tanto as formas jovens, chamadas de ninfas, quanto os adultos, que se diferenciam dos primeiros pelo tamanho;

– Apresentação de cerosidade branca, que é outro aspecto a ser observado;

– Queda prematura de flores;

– Queda prematura de frutos;

– Deficiente enchimento dos frutos;

– Presença de formigas pretas ou lava-pés, que vivem do excremento açucarado das cochonilhas.

Resume-se que, após o ataque, tanto com a queda das flores quanto dos frutinhos novos, as rosetas ficam com apenas alguns frutos e são conhecidas popularmente como “rosetas banguelas”.

Ataque geográfico

Em termos de regiões geográficas, a cochonilha ataca o café conilon em todas as regiões de plantio do estado do Espírito Santo, tanto no Norte (maior produtora) quanto na Central e na Sul, onde a cultura deste café tem crescido em importância econômica, ocupando regiões de até 600 m de altitude, onde tradicionalmente se cultivava café arábica. Interessante é que, nessa região de cultivo de café arábica e conilon na mesma propriedade, a cochonilha causava danos no primeiro e não se estabelecida no conilon, segundo constatação de campo.

O inseto basicamente ataca as raízes e as rosetas – na parte aérea – do cafeeiro, causando dano econômico. As raízes parecem ser um abrigo para os insetos na época de outono/inverno, um tipo de alojamento provisório.

Maurício José Fornazier,

engenheiro agrônomo, e pesquisador do Incaper.

Fonte: http://www.jornalmundorural.com.br/artigos/artigos.php?subaction=showfull&id=1284059586&archive=&start_from=&ucat=1

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