Ciclo do capital de giro e fontes de financiamento disponível

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As empresas de suco de laranja estão entre as mais penalizadas pelos longos ciclos e descompasso entre o custeio da safra – em função do desembolso de recursos aos fornecedores de matéria-prima – e os recebíveis dos clientes internacionais. A necessidade de capital de giro das indústrias de suco é equivalente a nove a 11 meses e quanto maior forem seus estoques de passagem de uma safra para a outra, maior será a necessidade de capital de giro. Ao contrário do boi, que é fornecido aos frigoríficos durante todo o ano, processado e exportado, a laranja por ser sazonal só chega às indústrias no segundo semestre, com isso, todo suco entregue aos envasadores a partir dos terminais marítimos na Bélgica, Holanda, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, no período entre janeiro a setembro, é proveniente de laranja paga pela indústria, e processada entre julho e dezembro do ano anterior. Portanto, em função dos adiantamentos aos citricultores antes do início da colheita, e dos prazos de pagamento

concedidos aos envasadores após a entrega do produto físico no exterior a indústria brasileira acaba assumindo um papel importante no financiamento da produção de toda a cadeia produtiva. O fortalecimento da atuação creditícia do governo seria importante, especialmente para aqueles produtores que direcionam a sua produção para consumo de mesa ou para maior liberdade para produtores negociarem sua produção com a  indústria.

Segundo o Anuário Estatístico do Crédito Rural, divulgado pelo Banco Central, em 2009 o sistema financeiro nacional concedeu R$ 75 bilhões para o financiamento da agropecuária através de 2,5 milhões de contratos. Desses, R$ 54 bilhões foram utilizados para a agricultura, sendo 47% para o custeio, 19% para comercialização (EGF, précomercialização, CPR e desconto de NPR e DR), 2% para investimento, 1% para beneficiamento e industrialização, 1% para estocagem, entre outros.

Entretanto, apenas um percentual pequeno dos financiamentos é aplicado na citricultura.

Dos recursos para custeio, 3% foram destinados para a cultura do citros, contra 32% para a soja, 17% para o milho, 11% para o café e 9% para a cana-deaçúcar; dos recursos para comercialização, 0,1% foi destinado para a cultura do citros, contra 25% para o milho, 17% para o arroz, 10% para a cana-de-açúcar, 6% para a soja e 3% para o café. Dos financiamentos para beneficiamento ou industrialização, a citricultura recebeu menos de 0,1% do volume, contra 44% da cana-de-açúcar e 41% do café; e para a finalidade investimento para a formação de cultura perene 8% foram aplicados para pomares citrícolas, contra 33% para a cana-de-açúcar e 10% para o café. A concessão de crédito para estocagem é dificultada pela alta perecibilidade do fruto citrícola, que impede sua estocagem por períodos prolongados.

Para a citricultura, foram direcionados um total de R$ 948,5 milhões por meio de 13.853 contratos com valor médio de, aproximadamente, R$ 68.500; sendo que 95% do volume foi aplicado na cultura da laranja. Os recursos financeiros foram distribuídos por meio da concessão de custeio (R$ 855 milhões); investimento para a formação de

pomares citrícolas (R$ 85,5 milhões); recursos para comercialização, através de descontos de NPR e DR (R$ 5,4 milhões); CPRs (R$ 2,5 milhões); e recursos

para beneficiamento e/ou industrialização (um único contrato no valor de R$ 150 mil). Vale ressaltar que as CPRs aqui mencionadas referem-se apenas àquelas registradas no sistema financeiro nacional, não incorporando as CPR´s de balcão, que têm importante papel como instrumento de financiamento. O Estado de São Paulo foi o que mais recebeu recursos de financiamento liberados para a citricultura, cerca de 90% do custeio da produção e 54% do recurso para investimento. Além disso, 100% do volume financeiro das CPR´s foi destinado para os pomares paulistas de laranja. O Estado da Bahia foi contemplado com 16% dos recursos destinados para o investimento nos pomares citrícolas. Entretanto, enquanto o valor médio do contrato em São Paulo foi de R$ 133 mil, na Bahia foi de R$ 22 mil. A citricultura definitivamente merece mais atenção.

Fonte: http://www.citrusbr.com.br/download/Retrato_Citricultura_Brasileira_Marcos_Fava.pdf

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