Chuva prejudica sangria e reduz produção de borracha

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Produtores e usinas de borracha natural da região estão reclamando de uma redução na produção de 30% a 40% nos últimos meses devido às chuvas que diminuem o número de sangrias, além de prejudicar a qualidade do produto que chega com maior teor de umidade e tem menor remuneração. A usina Unilatex já cogita importar borracha e látex para atender compromissos com clientes.

De acordo com o diretor da Unilatex, empresa de Buritama, Jason Figueiredo Passos, o volume de chuvas que vem ocorrendo na região, desde outubro de 2009 é atípico e tem prejudicado sobremaneira a atividade de sangria dos seringais. Percival Costa Júnior, diretor da Heveatec, de Jaci, afirmou que em consequência das contínuas chuvas na região o número de sangrias que poderiam ser realizadas caiu em um terço. “Se num mês dá para fazer 30 sangrias, estamos fazendo 20”, disse.

O heveacultor Fábio Magrini faz a mesma reclamação. Segundo ele, o volume de sangrias caiu em até 40% nos últimos meses o que diminui consideravelmente a produção do seringal. “Fazer o quê? É a natureza”, disse. Figueiredo Passos afirmou que a redução da disponibilidade de matéria prima no período de outubro de 2009 a janeiro deste ano é de aproximadamente 35%, em relação a igual período do ano passado.

Percival Júnior afirmou que para a indústria, a falta de matéria prima impede o cumprimento dos contratos assinados. “Mês que vem, vou ter que sair comprando borracha para cumprir os compromissos e vou pagar mais caro pelo produto”. Segundo Percival Júnior, no próximo mês o quilo da borracha seca passa de R$ 4,58 para R$ 5,70. Ele vai ser obrigado a pagar aos fornecedores de matéria prima cerca de R$ 1,99 por quilos de coágulo com 53% de borracha seca e receber das indústrias o valor do mês de janeiro.

Já a Unilátex estuda outra solução para a falta de matéria prima. “Não estamos conseguindo atender de forma satisfatória os compromissos assumidos junto aos nossos clientes. Em alguma medida, deveremos repor, no curto prazo, a deficiência de fornecimento, nem que seja via a importação de látex ou borracha. Magrini, por sua vez, afirmou que após a sangria costuma manter o produto até cinco dias em caixas plásticas de 40,8 quilos sob bancas cobertas para reduzir a umidade. “Consigo DRC (do inglês, dry rubber concentration) entre 60% e 62%. Se entrego a borracha com DRC menor, estou perdendo dinheiro”.

Os fornecedores de látex e coágulo, segundo Figueiredo Passos, na maioria dos casos são parceiros, ou seja, recebem em função da produção. “No quadro atual, seus rendimentos sofreram redução significativa, que por sua vez está acarretando uma inflação de preços no campo. Primeiro pela escassez e uma maior necessidade das usinas cumprirem compromissos com seus clientes e, em segundo lugar, pelo desejo dos produtores em recuperar seus rendimentos perdidos pela não produção, via melhor remuneração.

Magrini lembrou que as chuvas também afetam a renda dos sangradores já que o pagamento ocorre pelo volume de borracha colhido que cai com o menor número de sangrias. A Unilatex informou que a falta de matéria prima obrigou a reduzir os turnos de trabalho. “Estamos trabalhando apenas 3 dias por semana com 1 turno. O que ocasiona um aumento significativo do custo de produção.” A AssociaçãoNacional de Indústrias de Pneumáticos (Anip) informou que 70% da borracha utilizada na produção de pneus é importada e que não dispõe de dados para comentar o assunto.

Fonte:

http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Economia/4397,,Chuva+prejudica+sangria+e+reduz+producao+de+borracha.aspx

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