China pode sustentar preços do milho até final do ano

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keem1201 (CC0), Pixabay

25/03/2019

A demanda de exportação de milho esfriou um pouco esta semana, mas ainda está latente. Diríamos que migrou dos portos do Sul (RS e SC) para os portos do Sudeste e do Norte do país, como mostram volumes dos negócios mais robustos. Esta é a avaliação da T&F Consultoria Agroeconômica, ao apontar que a demanda chinesa pode sustentar preços do milho até final do ano.

A longa queda consecutiva dos preços das últimas duas semanas foi interrompida nos dois últimos dias desta semana devido aos grandes volumes comercializados no Centro-Oeste do País, que afetou o diferido negociado em São Paulo. Com isto, a pesquisa diária do Cepea registrou alta de 0,13% nos preços médios da principal praça de referência do país, Campinas, cuja demanda absorve o milho local e o milho tributado do Centro-Oeste. O preço subiu para R$ 37,49, reduzindo as perdas de março para 8,69%.

“A atual demanda de exportação poderá confirmar os números da Conab e dar sustentação aos preços. Uma leve sustentação, diríamos, mas, é possível que os preços do milho não caiam aos níveis tão baixos quanto se pensava inicialmente, no segundo semestre, se a produção da Safrinha for próxima das condições ideais”, explica o analista Luiz Fernando Pacheco, da T&F.

A Conab sustentou desde o início um volume de exportação de milho pelo Brasil ao redor de 31 milhões de toneladas para a safra 2018/19, contra 23 milhões de toneladas exportadas no ano passado. No início do ano não havia a expectativa de uma grande demanda no mercado internacional, embora a maioria dos traders afirmasse que “mercado há”, mas o Brasil não era exatamente competitivo.

“Com o advento da peste suína na China, e a consequente demanda por mais milho para refazer os plantéis que tiveram que ser sacrificados, voltou com força a demanda de milho para a exportação, desde o início de março. Primeiro foi para os portos de Rio Grande-RS e Imbituba-SC, devido aos fretes mais acessíveis. Mas nesta semana ela se voltou para o Paraná e o Centro-Oeste, com bons volumes negociados”, destaca Pacheco.

“Para esta demanda elevar muito os preços (digamos aos níveis de maio de 2018 a R$ 42,00 no interior), precisaria ser (bem) maior do que simplesmente as 31 MT já previstas e precificadas pelo mercado, porque os estoques finais da safra 2018/19 no Brasil foram aumentados em 1,5 milhão de toneladas pela Conab, no seu quadro de Oferta & Demanda de março. Assim, diríamos que as exportações deveriam beirar as 33 MT para puxar significativamente os preços para cima”, conclui.

 

Fonte: Agrolink