Ceres lança primeira variedade de sorgo biomassa

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12/11/2013

Sorgo alta biomassa permite aumentar oferta de bioenergia na entressafra da cana e ampliar produção de etanol celulósico

Subsidiária da norte-americana Ceres, Inc., a Ceres Sementes do Brasil ruma para a terceira safra comercial envolvendo seus híbridos Blade® de sorgo sacarino no País. A cultura que possibilita às usinas produzir etanol na entressafra da cana-de-açúcar foi adotada por mais de 30 empresas do País no período 2012/13, incluindo os maiores grupos sucroenergéticos.

De acordo com sua direção, a Ceres focalizará duas estratégias centrais para o próximo ciclo produtivo de sua linha de híbridos de sorgo, que começa no mês de novembro e termina em abril do ano que vem. A empresa fará o lançamento comercial do primeiro híbrido de sorgo alta biomassa registrado no Brasil, da marca Blade® CB 7520 e oferecerá suporte técnico no manejo de seu portfólio de híbridos a um grupo de clientes selecionados.

Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo Gullo, gerente de marketing e desenvolvimento de negócios da Ceres Brasil, o híbrido de sorgo alta biomassa que está chegando ao mercado reúne atributos que o tornam “altamente recomendável” como complemento ao bagaço da cana, na cogeração de energia elétrica e na produção de etanol celulósico (etanol de segunda geração).

Essa cultivar, assinala o executivo, apresenta até 23% de fibra em sua composição e registra produtividade de até 70 toneladas por hectare.

No tocante ao potencial de queima (ou poder calorífico), os testes comerciais e as pesquisas de campo da Ceres mostraram que a biomassa do híbrido Blade® CB 7520 proporciona desempenho igual ou superior ao do bagaço da cana-de-açúcar.

Gullo explica ainda que o sorgo de alta biomassa Blade® CB 7520 tem custo médio de produção de R$ 57 por tonelada, enquanto o bagaço da cana-de-açúcar sai por cerca de R$ 65/t durante a safra, “podendo chegar a valores superiores na entressafra, uma época em que o sorgo pode ser colhido e processado”, complementa.

“A biomassa do sorgo não apenas assegura disponibilidade de matéria-prima na entressafra da cana agrega uma solução de ponta e altamente viável economicamente nas unidades em que há grande demanda por cogeração de energia elétrica, ou uso intenso do calor para diferentes finalidades”, continua Gullo, “esses benefícios também podem ser obtidos com a biomassa ou o bagaço do sorgo sacarino”, afirma.

O executivo explica que ao contrário do bagaço da cana, que demanda estocagem e tratamento, o sorgo biomassa atinge 50% de umidade enquanto está em pé, na lavoura. “Portanto, pode ser colhido e levado diretamente à caldeira.”

Nas especificações divulgadas sobre o híbrido CB 7520, a Ceres destaca ainda que seu produto favorece a chamada ‘peletização’ – ou a transformação da biomassa em grânulos, uma tecnologia que permite elevar o desempenho da matéria-prima no processo de queima.

Etanol na entressafra – Para estimular o avanço da cultura de sorgo sacarino no País, a Ceres está lançando seu Programa de Segurança da Produtividade, que contempla um pacote de incentivos e assistência técnica para usinas parceiras. O modelo, cujos detalhes são mantidos em segredo, será estendido a unidades que cultivarem mais de200 hectares dos híbridos Blade® no ciclo 13/14, bem como atenderem a requisitos técnicos especificados pela empresa.

“Sabemos que hoje o maior desafio da cultura no Brasil é o manejo agronômico. Ao ajudar as empresas a encontrar as melhores e mais produtivas práticas de cultivo e colheita, demonstraremos a viabilidade da cultura e aumentaremos a rentabilidade de nosso negócio nas próximas safras”, complementa Gullo.

Uma projeção da consultoria Datagro, divulgada recentemente pela Agência de Notícias CMA, indica que a cultura do sorgo sacarino pode adicionar aos números da indústria sucroenergética brasileira um volume situado entre 3,5 mil e 5 mil litros de etanol por hectare ao ano, o que equivaleria hoje a um acréscimo de 5 bilhões de litros do biocombustível à produção nacional, que é da ordem 25 bilhões de litros anuais.

O gerente da Ceres lembra que a produção de etanol de sorgo sacarino – assim como a combustão do sorgo alta biomassa – não demanda alterações nos equipamentos empregados na área industrial das unidades produtoras, como relataram grandes unidades que processaram comercialmente o produto.

A Ceres informou recentemente que as usinas brasileiras que adotaram sua tecnologia nas últimas safras de sorgo sacarino – e seguiram orientações técnicas quanto a práticas de manejo – apresentaram resultados promissores.

De acordo com Gullo, a Ceres também planeja aproveitar o ciclo 2013/14 da cultura para avaliar o comportamento de centenas de híbridos pré-comerciais, tendo em vista a ampliação de seu portfólio de produtos nas próximas safras.

“O Brasil é um país estratégico para o negócio da Ceres, pelo porte do setor sucroenergético e pelo potencial que apresenta ao desenvolvimento de matrizes bioenergéticas, daí a empresa ter optado por concentrar aqui seus principais esforços de negócios no plano global”, finaliza Marcelo Gullo.

Parte da estratégia da Ceres no Brasil está ancorada em parcerias firmadas com a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – e a Syngenta, líder mundial do setor de proteção de cultivos e biotecnologia. A Embrapa licenciou com exclusividade à Ceres a comercialização da variedade BRS511 de sorgo sacarino.

Fonte: Agrolink