Censo Rural – Produtores de Leite

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Os produtores de leite no Brasil (e a cadeia em geral) têm tido pouca atenção das agências responsáveis pelas estatísticas nacionais. O último censo rural nacional foi realizado em 1995.0 IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em seu último censo, mostrou que existiam cerca de 1 milhão de estabelecimentos envolvidos na produção de leite. Em São Paulo, existem aproximadamente 78.000 estabelecimentos.

Atualmente, os 16 maiores receptores de leite captam 117.494 produtores de leite, com uma media diária de 205 litros/produtor. O número total de produ­tores (formais e informais) é maior que este. Além disso, de acordo com o IBGE (2005), existe a predominância de pequenos e médios produtores. Entretanto, de acordo com especialistas no setor, existe uma forte tendência à concentração da produção.

Somente as regiões Sul e Sudeste têm média de produtividade acima da mé­dia nacional (5,6 litros/vaca/dia). Entre os maiores Estados produtores, Santa Catarina detém a maior produtividade (8,6 litros/vaca/dia). Os Estados de São Paulo e Goiás têm produtividade abaixo da média nacional (respectivamente 5,2 e 5,4 litros/vaca/dia). Em comparação com a produtividade da Nova Zelândia, a produtividade do rebanho nacional é três vezes menor. Estes simples indicadores podem demonstrar necessidade de melhorar as condições de genética e alimen­tação do rebanho brasileiro.

Uma interessante e controversa constatação da pesquisa é que a atividade de produção de leite pode ser uma das mais lucrativas do agronegócio, quando com­parada com outras importantes atividades, como plantio da soja, milho, cana-de- açúcar, ou recria e engorda de gado de corte. Segundo dados da Scot Consultoria, em 2004 era possível gerar lucro de cerca de R$ 1.500,00/ha/ano com a produção de leite (3,9 vezes maior que a lucratividade da cana-de-açúcar). Entretanto, a produção de leite demanda um investimento maior – R$ 21.400,00/ha (2,5 vezes maior que o investimento no plantio de cana-de-açúcar).

Dentre os agentes da cadeia, as cooperativas têm grande importância para os pequenos produtores e de maneira geral para o agronegócio do leite brasileiro. Entre os países do mundo, o Brasil encontra-se na sexta posição em termos de participação na coleta total de leite (40% da produção). De acordo com a Orga­nização das Cooperativas Brasileiras (OCB) (2002), existem 353 cooperativas no Brasil (47% na região Sudeste, 27,5% no Sul, 15,3% no Nordeste e 9,9% no Cen- tro-Oeste). Entre todas as cooperativas, 288 captam leite. Muitas destas captam mais de 55.500 litros/dia.

Em suma, as discussões mostraram que os fatores que têm pesado negativa­mente para a competitividade da produção rural e da cadeia produtiva do leite são: eficiência das pastagens, rebanho (relacionado à produtividade) e logística.

Fonte: Estratégias para o Leite no Brasil – Editora Atlas S.A – Coordenadores: Matheus Alberto Cônsoli, Marcos Fava Neves

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