Castração depende do manejo

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Beckhauser

Renato dos Santos

Médico Veterinário e consultor da Beckhauser


A castração na pecuária de corte é um dos problemas mais controvertidos do manejo. As dúvidas mais freqüentes são sobre sua necessidade ou não, melhor idade, época e método mais eficaz. A discussão aumentou nos últimos dez anos, por causa das mudanças na qualidade do acabamento do gado.

Várias pesquisas já estudaram a dor e o estresse a que o animal é submetido na operação. Alguns estudiosos dizem não haver evidências que esses traumas são menores em animais mais novos. Além disso, o uso de medicamentos para minimizar essas conseqüências nas 12 horas seguintes à castração aumenta o custo do processo.

Quando a castração é feita pela secção transversal do ápice do escroto, conhecida por tampão, há mais exposição de estruturas nervosas e vasculares, aumentando o risco de hemorragia. Como é feito um corte no sentido contrário às linhas de tração do tecido escrotal, a dor aumenta consideravelmente.

PARA MINIMIZAR A DOR

Quando a castração é feita com dois cortes longitudinais, a dor e o risco de hemorragias e outras complicações são reduzidos. Para que essa prática seja bem conduzida, a contenção é de suma importância, pois minimiza as chances de acidentes e outros possíveis problemas.

Como os animais inteiros são menos dóceis, a idade mais conveniente para o abate dos bovinos não-castrados, de modo a evitar queda na qualidade da carne, é de 16 a 18 meses, não ultrapassando os dois anos.

COMPARATIVO

Antes de castrar o rebanho, porém, o produtor deve verificar se essa é a melhor prática para seu tipo de criação. Algumas pesquisas já mostraram diferenças significativas entre a produção de animais inteiros e castrados sob diferentes situações.

A análise da conformação física de bovinos permitiu verificar que a castração causa:

Pequena, mas significativa redução no desenvolvimento dos ossos dos quartos dianteiros e aumento dos ossos traseiros;

– Maior altura de cernelha;

– Hipertrofia dos músculos do pescoço e maior acúmulo de gordura no abdômen;

– Melhor qualidade de carcaça.

Por outro lado, não-castrados têm:

– Ossos longos menores;

– Melhor conversão alimentar, maior crescimento e melhor taxa de ganho em peso em pastagens de qualidade nutricional elevada;

– Em valores percentuais, uma conversão alimentar entre 9,5% e 28,8% maior, desenvolvimento de 12,3% a 24 % mais rápido e 38.6% mais ganho de peso, com rendimento de carcaça semelhante aos castrados;

– Carcaças com mais carne vermelha comerciável e menos gordura;

– Em experimento controlado, mais músculos e menos gordura;

– Em média, 12% mais contra-filé.

Antes de castrar, o produtor deve verificar se essa é a melhor prática para seu rebanho.

Fonte: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=23753&secao=Manejo

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