Carne Caprina: verdades e mitos à luz da ciência

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O caprino, com sua adaptabilidade climática e nutricional, produz carne de aceitabilidade universal, apresentando-se desta forma como uma fonte alimentar proteíca com um grande potencial a ser explorado, nos próximos anos. Este potencial justifica-se no fato de que os caprinos, dentre os animais domésticos, apresentam maior capacidade de sobreviver em muitas das regiões mais inóspitas do mundo, devido principalmente à sua resistência ao calor.

Norman (1985) apresenta cinco razões para justificar a grande tolerância ao calor apresentada pelos caprinos:

  • resistência à absorção de calor através do couro caprino;
  • habilidade de ingestão de grande quantidade de alimentos, com conseqüente produção de água metabolizável;
  • capacidade pequena, mas significante, de armazenar calor;
  • habilidade de reduzir perdas de água através das fezes e urina, por concentrações osmóticas;
  • habilidade de armazenar gordura internamente, ao redor das vísceras.

É importante também observar que os baixos requerimentos nutricionais dos caprinos permitem que estes se alimentem de vegetação que se apresentam impróprias ao sustento de animais de maior porte. Por estas razões, o grande valor dos caprinos como produtores de carne está muito mais associado a sua habilidade de crescer e produzir carne em condições que se apresentam por demais estressantes à grande maioria dos animais, do que à sua habilidade em produzir carne de boa qualidade, em termos de rendimento.

Afora sua habilidade de sobreviver em condições drásticas, os caprinos apresentam uma atividade sócio-ecônomica de grande importância, devido a fatores como: – não requerer praticamente nenhum investimento econômico; – sua venda sempre representar um ganho de capital sem que nenhum risco de investimento esteja presente; – o abate dos caprinos de pouca idade apresentar-se também como um retorno de capital rápido; – a produção de carcaças de pequenos portes ser mais propicia às necessidades de subsistência familiar. Por estas razões, na maioria dos casos, os caprinos são criados de acordo com as necessidades de subsistência das famílias produtoras. Devendra & Burns (1970) reportaram que, em diferentes partes do planeta, comunidades de países em desenvolvimento e/ou subdesenvolvidos são, em maior ou menor grau, dependentes dos caprinos como provedores de carne, e desta forma, fazem uso de todas as partes do animal, independente de sua qualidade.

Em outro trabalho, Devendra (1983) relatou que existem três tipos de carne caprina, produzida e consumida nos trópicos; são elas:

Carne de “cabrito”: consumida na América Latina e/ou Oeste da Índia; geralmente os animais são abatidos com idade entre 8 – 12 semanas, pesando de 6 a 8kg;

Carne de animais jovens: este período apresenta-se como a idade mais importante para a produção de carne, quando os animais estão com idade entre 1 a 2 anos, pesando de 12,9 a 24,7kg (machos) e 11,2 a 19,7kg (fêmeas), estes animais são abatidos em alguns locais da África, Oriente Médio e Sudoeste Asiático;

Carne de animais velhos: quando os animais já têm passado seu pico de produção, e estão com idade de 2 – 6 anos, pesando de 20 a 30kg; estes podem ser animais criados para produção de carne, leite ou couro; a carne apresenta-se mais dura e menos aceitável, sendo consumida principalmente em países africanos.

Desde 1970, diversos trabalhos têm sido publicados sobre o potencial caprino para produção de carne. Dentre estes, citam-se as revisões de Naudé & Hofmeyr (1981); Devendra & Burn (1983); Lokeshar (1992). Embora a pesquisa envolvendo aspectos da produção caprina de carne, juntamente com os fatores que afetam sua produção e os atributos físico-químicos e sensoriais deste tipo de carne, tenha sido realizada em países em desenvolvimento como: Congo, Gana, Tanzânia, Sudão, Malásia, Fiji, Índia, Filipinas, México, etc, poucos trabalhos têm sido publicados sobre a carne caprina no Brasil. Algumas informações estão disponíveis nos trabalhos de Madruga et al (1998); Figueiredo (1989); Almeida (1990); Santana & Simplicio (1992); Zapata et al (1995); Timbó (1995); Monte (1996).

 Fonte:

http://cico.org.br/2008/07/carne-caprina-verdades-e-mitos-a-luz-da-ciencia/

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