Impacto Econômico

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A partir da segunda metade do século 19, os “barões do café”, cujas propriedades se localizavam em terras fluminenses, estendendo-se para dentro de São Paulo pelo vale do Paraíba, vão perdendo espaço na esfera de decisões econômicas do Império para os produtores do interior paulista. Começava a surgir uma elite com nova mentalidade, interessada na criação de uma infra-estrutura comercial e financeira, na ampliação do sistema de transporte ferroviário para escoamento das safras e na substituição do trabalho escravo. A cafeicultura tornava-se, então, uma potente fonte geradora de divisas, o que permitiu a importação de máquinas e equipamentos destinados ao nascente processo de industrialização nacional.

Esse surto de progresso, porém, esbarrou na própria estrutura mantida no Brasil, que continuava girando em torno do setor agroexportador e dependia de uma política protecionista. Crises financeiras, de origem interna e externa, passaram a ser periódicas. De 1865 a 1870, por exemplo, a Guerra do Paraguai provocou um verdadeiro desastre na economia do país.

Desde o início do período republicano, os cafeicultores paulistas compunham o grupo econômico mais poderoso do Brasil. Quando Campos Salles assumiu a presidência da República, em 1898, as oligarquias de São Paulo e de Minas Gerais, grande produtor de leite, estabeleceram uma aliança que permitiu aos dois estados se revezarem no poder até 1930. Esse “arranjo” ficou conhecido como política do café-com-leite.

No final do século 19, as altas cotações internacionais estimulavam a expansão da cafeicultura nacional, o que provocou outro problema: a superprodução. Com a oferta superior à demanda, os preços despencaram. Para dar suporte aos produtores, foi adotada, então, uma política de desvalorização cambial pelo governo, que por causa disso foi obrigado a emitir papel-moeda para evitar uma crise de insolvência. As conseqüências dessas medidas foram inflação e aumento da dívida externa.

Em 1906, o Brasil mais uma vez colhia uma safra maior que as necessidades do mercado. Para impedir que os preços se deteriorassem, os estados produtores se reuniram para tomar medidas destinadas a evitar a desvalorização do café. Nesse encontro, que marca o início da intervenção oficial no setor e ficou conhecido como Convênio de Taubaté, estabeleceu-se que os excedentes seriam comprados pelos governos estaduais, com o objetivo de retirá-los do mercado, e que ficava proibida a expansão da lavoura cafeeira. Essa decisão obrigou o país a tomar um vultoso empréstimo no exterior para financiar o processo de estocagem, o que mais uma vez teve impacto na dívida externa.

Em 1929, quando ocorreu a quebra da Bolsa de Nova York e teve início a Grande Depressão, o Brasil se encontrava mais uma vez em clima de superprodução. Os estoques acumulados exigiam dos produtores maior capacidade de crédito e, com a falta dele, vieram as falências.

Segundo a historiadora Maria Aparecida Franco Pereira, desde 1920 os cafeicultores vinham gradativamente perdendo influência nas decisões governamentais, e, com o golpe que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930, termina sua hegemonia. Apesar disso, ao assumir o controle do país Vargas adotou medidas para recuperar a economia cafeeira, de modo a evitar um desastre maior: cancelou metade das dívidas hipotecárias das fazendas produtoras, limitou as taxas de juros, aboliu impostos e procurou expandir as exportações. Durante a primeira década de seu governo, para evitar a deterioração de preços, foram incinerados excedentes num total de mais de 70 milhões de sacas, quantidade suficiente para suprir o consumo mundial da época por três anos.

Nesse período, as operações comerciais do setor cafeeiro estavam centralizadas na Bolsa Oficial de Café de Santos, cujas funções eram classificar os grãos, estabelecer normas reguladoras e divulgar informações referentes a estoques, preços e a situação do mercado. O órgão funcionou de 1922 até o final da década de 1950, num prédio suntuoso, com piso de mosaicos de mármore importados da Europa e mobiliário de madeira de jacarandá. Hoje está instalado no edifício o Museu dos Cafés do Brasil, inaugurado em 1998, que abriga registros históricos do produto que foi por muito tempo a base da economia do país. A decoração e as características originais da construção foram mantidas, incluindo obras de arte, entre as quais se destacam três painéis e um vitral assinados por Benedito Calixto.

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