Café ganha em produtividade com adensamento de plantio

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Gerson Silva Giomo
Engenheiro Agrônomo, Pesquisador Científico do Centro de Café do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), na área de Fitotecnia e Pós-colheita do café

De modo geral considera-se como plantio adensado aquele em que a população de plantas varia entre 5 a 10 mil plantas por hectare. O plantio adensado requer o planejamento de podas sistemáticas para a manutenção da lavoura em bom estado produtivo. Já no plantio de livre crescimento as podas são realizadas esporadicamente, para recuperação do vigor da planta e renovação de ramos produtivos.

Para ajuste dos espaçamentos entre linhas e entre plantas na linha devem ser levadas em consideração as características das cultivares, a fertilidade do solo, condições climáticas, manejo da lavoura e grau tecnológico do cafeicultor, dentre outros.

Vantagens

– aumento da produção por área em curto prazo                           

– retorno mais rápido do capital investido

– melhor aproveitamento das áreas de cultivo

– maior proteção do solo e melhoria de algumas características físicas, químicas e biológicas

– melhor distribuição de raízes e maior aproveitamento de água e nutrientes

– menor esgotamento de plantas

– maior estabilidade de produção com redução do ciclo bienal

– menor incidência de bicho mineiro

– menor desenvolvimento de plantas infestantes, com consequente redução do uso de capinas ou herbicidas 

Desvantagens

– maiores investimentos iniciais no plantio e formação das lavouras

– dificulta ou impede a mecanização dos tratos culturais

– maturação tardia e desuniforme pode piorar a qualidade do café

– maior incidência de ferrugem e broca

– uso intensivo de mão de obra

– requer podas antecipadas e mais frequentes 

O custo de produção do café adensado tende a ser menor que no plantio não adensado devido à maior eficiência produtiva.

Manejo de plantio adensado 

Os espaçamentos devem ser definidos já no planejamento da implantação da lavoura cafeeira, respeitando as características das cultivares, principalmente quanto ao porte, diâmetro da copa e exigências nutricionais, as condições edafoclimáticas e o nível tecnológico do cafeicultor.

Com base nessas informações definem-se os espaçamentos entre linhas e entre plantas na linha, considerando o intervalo entre os valores mínimos e máximos recomendados. Ressalta-se que esses valores mínimos e máximos não devem ser alterados a revelia, pois são recomendados com base em dados técnicos obtidos pela pesquisa agronômica de longo prazo.

Apenas para exemplificar, para algumas cultivares de porte baixo como Catuaí, Obatã e Tupi, podem ser utilizados os espaçamentos de 3,0 a 3,5 m x 0,5 a 0,7 m para sistemas de livre crescimento e de 2,0 a 2,8 m x 0,5 a 0,7 m para sistemas adensados.

Outro ponto a ser considerado é se o adensamento vai ser temporário ou permanente:

a) No adensamento temporário são eliminadas linhas/ruas intermediárias após algumas safras, geralmente quando ocorre o fechamento da lavoura e, ao invés de manejar a lavoura com podas, eliminam-se linhas alternadas. Nesse caso o espaçamento entre linhas deve ser a metade do espaçamento definitivo. Por exemplo, para uma lavoura que se deseja um espaçamento definitivo de 3,2 m entre linhas o plantio adensado é feito no espaçamento de 1,6 m. Com isso aproveita-se o máximo potencial produtivo da lavoura nas primeiras safras, com ganhos de produtividade.

b) No adensamento permanente é mantido o mesmo espaçamento durante todo o ciclo da lavoura, adotando-se podas sistemáticas para o manejo da lavoura, lembrando que o tipo de poda deve ser escolhido em função do estado geral da lavoura, levando-se em consideração o vigor vegetativo e o potencial produtivo. Normalmente a poda é aplicada quando há um declínio da produtividade ou quando há algum impedimento a determinados tratos culturais mecanizados. 

Fonte:

http://www.revistacampoenegocios.com.br/anteriores/10-05/index.php?referencia=em_negrito11

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