Cadeia de produção do suco de laranja

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Cadeia de suprimentos

Na cadeia de produção do suco de laranja há diversas etapas e atores envolvidos – do produtor e colhedor de laranjas ao consumidor final. Dificilmente há verticalização integral da produção, ou seja, realização de todas as etapas sob um único teto, não apenas por fatores geográficos mas também pela forma como a indústria evoluiu com o tempo.  A tendência é que cada elo da cadeia torne-se mais independente, como conseqüência da crescente demanda e da especialização de cada etapa, além de fatores comerciais.

Produtores de Laranja

São organizados em diversos tipos, de pequenos agricultores independentes que vendem sua produção a comerciantes (intermediários) de frutas ou cooperativas, a médios e grandes agricultores que suprem diretamente as indústrias de processamento. Para os processadores, é essencial ter fornecimento contínuo de laranjas. Esse mercado passa por mudanças constantes de acordo com as condições comerciais e políticas no mundo. Na Flórida, por exemplo, houve uma mudança na relação entre fazendeiros independentes e companhias do agronegócio que são ativas na comercialização e interessadas em relacionamentos de longo prazo. Durante os anos 90, os processadores estabeleceram parcerias de longo prazo com os produtores para garantir fornecimento contínuo.
No Brasil cerca de 20% do fornecimento de frutas para os grandes produtores de suco vem de suas próprias plantações, ao passo que o restante é obtido por meio de contratos de longo prazo com produtores de médio e grande portes. Uma parte significativa da produção é contratada na própria safra vendida no “spot”.
As frutas são geralmente vendidas a granel, mas utiliza-se a caixa equivalente a 40,8 kg. de laranjas (ou 90 pounds) como sistema de peso e medida.
Na Flórida, os agricultores são pagos com base na quantidade de sólidos solúveis (açúcares do suco) obtidos da fruta. Isso é calculado pelo volume de suco extraído, multiplicado pelo grau Brix do mesmo. A quantidade de suco extraída é determinada por meio da extração de suco de amostras de laranja. Frutas rejeitadas durante o processo de inspeção inicial não são pagas.
No Brasil, o pagamento era tradicionalmente feito com base no peso bruto da fruta entregue, incluindo as frutas danificadas. Hoje a forma de contrato mudou, e há negociações livres entre produtores e processadores, utilizando como referência os preços mundiais de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ).

Tipos de processadores de suco

Podem ser divididos em dois grupos:

– Processadores e Engarrafadores – vendem suco embalado sob suas próprias marcas, o que requer estrutura de varejo e marketing para consumidores finais.
– Processadores de suco a granel – vendem seus produtos em grandes quantidades a engarrafadores de sucos de frutas, o que requer eficiente infra-estrutura de logística de distribuição e comercialização de commodities agrícolas. Os maiores processadores e engarrafadores mundiais estão presentes na Flórida: eles processam o fruto em suco e embalam em suas próprias fábricas, além de comprar suco em grandes quantidades de outros processadores.

No Brasil, os processadores não possuem marcas próprias, inclusive para evitar concorrência com seus clientes de suco a granel. Entretanto, há indústrias aqui que engarrafam produtos para venda no varejo em suas marcas próprias, ou engarrafam para terceiros que possuem produtos para consumo final, cadeias de distribuição e comercialização adequadas para este fim.

Os produtos a granel são transportados em navios-tanque, caminhões-tanque ou contêineres individuais. O transporte eficiente é essencial para esses produtos. Diversos terminais no mundo são especializados em receber e transportar suco de laranja concentrado congelado (FCOJ) utilizando tanques. Os principais produtores brasileiros possuem terminais no Brasil, Europa, EUA e Japão, além de navios próprios para transporte. Os processadores lucram na diferença entre o preço da fruta e o preço do suco concentrado a granel – a margem de processamento a granel.
As ligações entre Flórida e Brasil estreitaram-se na década de 90. Os maiores produtores de suco brasileiros adquiriram diversas instalações na Flórida e operam 4 fábricas (2009) que contribuem para cerca de 40% da produção da Flórida. Operar em dois mercados traz benefícios como maior eficiência na comercialização e qualidade no suco.

MISTURADORES (BLENDING HOUSES)
A busca por maior consistência e uniformidade na qualidade dos sucos levou a indústria a criar o segmento dos misturadores (blending houses), que fornecem aos engarrafadores sucos que atendam a aplicações muito específicas requeridas pelo mercado, o que é conseguido por meio da mistura de concentrados de origens diferentes, adição de outros ingredientes, entre outros. Os grandes processadores de suco brasileiros que possuem terminais próprios para exportação também possuem facilidades para a mistura. Outra atividade desenvolvida pelos misturadores é o preparo de bases para bebidas diversas. Em geral, é mais caro comprar o suco dos misturadores do que de processadores, mas há a garantia de que o suco atende às características específicas exigidas pelo engarrafador.

ENGARRAFADORES

Os engarrafadores recebem o concentrado em grandes quantidades, o reconstituem, formulam e embalam para fornecimento ao consumidor final. Há duas categorias principais de engarrafadores: os que comercializam suas marcas próprias e os que embalam para marcas de terceiros. Esse trabalho requer um profundo conhecimento da dinâmica do mercado na hora de comprar (pois o custo dos concentrados constitui-se na maior parte do custo total). A qualidade do suco e o posicionamento das compras são vitais para manter a cadeia de suprimento em boas condições financeiras. O processamento, a embalagem para manter a qualidade do produto e reduzir o nível de perdas e o custo de distribuição e marketing também representam parte importante na estruturação do custo final do produto para o consumidor.

PRODUTORES DE BEBIDAS DE FRUTAS
São os produtores de bebidas – carbonatadas ou não – à base de frutas, também chamados de produtores de refrescos ou de refrigerantes. Podem usar o suco de laranja concentrado em baixo volume (menos de 10%) como matéria-prima, ou podem comprar uma base preparada por empresas misturadoras.

Fonte: http://www.citrusbr.com.br/exportadores-citricos/setor/cadeia-de-suprimentos-150837-1.asp

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