As forrageiras na alimentação de caprinos e ovinos

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A Embrapa Caprinos tem gerado e adaptado tecnologias eficazes para promover o desenvolvimento do agronegócio da caprinocultura e da ovinocultura brasileira, nestes 25 anos de sua existência. A coleta, avaliação e seleção de germoplasma forrageiro, especialmente para uso por caprinos e ovinos, têm mostrado resultados que demonstram que o uso racional dos recursos forrageiros adaptados e selecionados é viável. Combinados com a pastagem nativa, esses recursos permitem aumentar a eficiência e a sustentabilidade, e ainda fortalecer o processo produtivo do agronegócio da caprinocultura e da ovinocultura.

A Pecuária do Nordeste depende, basicamente, da pastagem nativa que teve a capacidade de suporte reduzida em decorrência do manejo inadequado da vegetação, apresentando, consequentemente, baixo desempenho. Contudo, o potencial para elevar a produção animal é amplo, principalmente através da manipulação da vegetação e/ou através do uso de pastagens cultivadas ou de pastagens com propósitos específicos tais como as legumineiras, as capineiras, e as cactáceas
Para formação de pastagens cultivadas no Nordeste brasileiro podem ser recomendadas as gramíneas dos gêneros Cenchrus, Cynodon, Andropogon e Urochloa. O capim-búfel (Cenchrus ciliaris) possui várias cultivares desenvolvidas na Austrália (Biloela, Gayndah, Molopo), e no Brasil ( Áridus e CPATASA 7754) além de ecotipos existentes na Bahia e Norte de Minas Gerais. Essas cultivares de capim búfel apresentam uma produção média de 4000 kg/há/ano com 8,5% de proteína bruta e 43% de digestibilidade , além de boa produção de sementes e alta resistência à seca.

O capim-gramão (Cynodon dactylon), cujo plantio é feito por mudas, apresenta excelentes características agronômicas, sendo uma boa opção para a formação de pastagens cultivadas, para o enriquecimento de pastagens nativas, e para a produção de feno. O capim-Andropogon (Andropogon gayanus) cv. Planaltina e o capim-Corrente (Urochloa mosambicensis) também se constituem como opções à formação de pastagens cultivadas, e para o enriquecimento de pastagens nativas.
Na formação de banco de proteína ou legumineira, a leucena é uma das forrageiras mais promissoras para a região semi-árida, principalmente pela capacidade de rebrota durante a época seca, pela adaptação as condições edafoclimáticas (solo e clima) do Nordeste e pela excelente aceitação por caprinos, ovinos e bovinos. O uso da leucena em banco de proteína para pastejo direto ou para produção de forragem verde, para produção de feno e de silagem, para o enriquecimento da pastagem nativa e da silagem de gramíneas, e para a produção de sementes, mostra-se como uma alternativa viável para a agropecuária.
O guandu (cultivar Taipeiro) e a cunhã também podem ser usadas na formação de banco de proteína, e também para as outras formas de uso da leucena. As leguminosas nativas, como a sabiá, a jurema preta, o juazeiro, o carquejo, e a camaratuba podem ser também usadas como bancos de proteína e para produção de feno. Leguminosas como a catingueira e a canafístula também podem ser usadas para a produção de feno. A jurema preta e jucazeiro, além de manterem as folhas, também frutificam em plena época seca, sendo esta folhagem e os frutos muito apreciados pelos caprinos e ovinos. As leguminosas introduzidas (leucena, cunhã e guandu) apresentam sob condições naturais de chuva uma produtividade de 4000 a 6000 kg/há/ano, já as nativas (sabiá, jurema preta,, jucazeiro, carquejo, camaratuba, catingueira, canafístula) produzem de 1200 a 2400kg/há/ano.

A formação de capineira, à semelhança do banco de proteína, é de fundamental importância em qualquer sistema de produção pecuário, o que irá permitir uma alta produção quantitativa e qualitativa de forragem ao longo do ano. Na formação de capineira, o capim elefante com várias cultivares é a forrageira mais cultivada no Nordeste. Outras gramíneas, tais como Canarana erecta lisa e as cultivares Tobiatâ, Tanzânia, Mombaça além do sorgo, do milheto, e da cana de açúcar, são também opções viáveis no Nordeste.
Para determinadas condições edafoclimáticas existentes no semi-árido, outra opção viável é o cultivo de cactáceas. No Nordeste são cultivadas duas espécies de palma: a Opuntia ficus-indica, com as variedades gigante e redonda, e a Napolea cochenillifera, com a variedade miúda ou doce. O consórcio de culturas anuais com as cactáceas deve ser usado como forma de diversificar o uso da área e de reduzir custos. Uma alternativa para as áreas onde não é viável o cultivo da palma forrageira, pode ser cultivada a melancia forrageira.

Outras plantas, como a mandioca e a maniçoba, podem ser usadas na alimentação animal. A mandioca pode ser na forma de raspa das raízes secas ao sol, e a parte aérea dela e da maniçoba pode ser fenada ou usada para melhorar a silagem do capim elefante.

O mais importante dessas forrageiras é que elas podem ser cultivadas usando apenas adubo orgânico, adubação verde, restos de culturas, cobertura morta, ou compostos orgânicos com uma produção de 4,0 a 8,0 toneladas/hectare/ano de forragem (matéria seca comestível) com qualidade e com sustentabilidade para caprinos e ovinos.

As plantas forrageiras também podem ser usadas em sistemas intensivos (com irrigação e com adubação) de produção de forragem para a produção de carne e de leite. Nesses sistemas são recomendados os capins Gramão, Búfel Aridus, Elefante, Tanzânia e Canarana lisa, além das leguminosas Leucena, Cunhã e Guandu

Fonte: http://www.cordeirobrasileiro.com.br/boletim3.htm

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