Pesquisa avalia viabilidade do couro de peixe na indústria da moda

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Material alternativo ao de outros animais está na mira de grandes marcas

Publicado em 02/05/2019

A unidade da Embrapa Pecuária Sudeste (SP) está desenvolvendo o primeiro protocolo para avaliar a resistência do couro de peixe destinado à indústria da moda sustentável. A ação faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil”, iniciado no ano passado e que envolve mais de 20 centros de pesquisa da Embrapa e R$ 57 milhões em recursos financeiros.

À frente do projeto, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Manoel Antônio Chagas, diz que o protocolo a ser adotado deverá ajudar a compor normas internacionais para retirada de amostras de animais não mamíferos para pesquisas. Atualmente, não há metodologia específica para coleta de amostras de peles de aves, répteis, anfíbios e peixes.

Para os testes, o pesquisador tem utilizado tilápias com peso mínimo de 3,5 quilos, com superfícies maiores para viabilizar os estudos. Normalmente, para o mercado tradicional, os peixes são abatidos com 700 a 800g, que é o peso mais viável para a carne e em função do custo para o produtor. No entanto, nos últimos anos, os fabricantes de produtos de couro de peixe – especialmente marcas internacionais como a Hermès, Armani e Osklen, que já produzem peças com o material – têm preferido couro de peixes maiores, como o pirarucu.

Em novembro de 2018, a modelo Gisele Bündchen desembarcou no Brasil com uma bolsa feita de couro de peixe de R$ 3,9 mil. O custo alto é explicado pela logística complicada, mas ainda é uma forma mais sustentável de consumo, já que a produção dos peixes não está ligada diretamente ao desmatamento.

Fonte Revista Globo Rural