Análise dos custos de produção de café arábica e robusta no Estado do Espírito Santo

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Flávia Maria De Mello Bliska
Instituto Agronômico
 

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Celso Luis Rodrigues Vegro
Mestre em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade e Pesquisador do IEA
 
 

No Estado do Espírito Santo, a avaliação dos custos de produção, como instrumento de gestão para acompanhamento da economia cafeeira, foi realizada mediante aplicação de questionário in loco, a representantes de informantes-chave da cadeia produtiva do café neste Estado, em suas principais regiões cafeeiras: Alto Caparaó (região de Venda Nova do Imigrante, Domingo Martins e Iúna – arábica); Caparaó (região de Alegre – robusta); Noroeste (região de São Gabriel da Palha – robusta) e Norte Litorâneo (região de Linhares – robusta).

O levantamento se refere à safra 2006 e permite a comparação dos resultados entre as regiões cafeeiras, em uma mesma safra, utilizando-se a mesma metodologia.

Os resultados apresentados no quadro1 indicam que o custo médio total de produção de café observado na região do Alto Caparaó, onde está concentrada a produção de café arábica do Estado, foi de R$191,50/sc. Quanto ao café robusta, o maior custo de produção foi obtido na região do Caparaó, R$135,10/sc, onde a utilização de sistemas de produção irrigados tem sido observados.

Quadro 1. Custos operacionais totais de produção do café arábica e café robusta nas principais regiões produtoras do Estado do Espírito Santo (R$/ha e R$/saca de 60kg), safra 2006.

* Médias aritméticas por região.
Fonte: Centro de Café ‘Alcides Carvalho’ – Instituto Agronômico / IAC.
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No quadro 2, os resultados são subdivididos por atividade do sistema de produção (total gasto com insumos e com operações em cada atividade), o que permite ao produtor visualizar os pontos de seu sistema de produção que merecem maior atenção ou reestruturação.

Quadro 2. Estrutura de custo de produção de café arábica e café robusta (operações + insumos), em R$/sc e R$/ha*, nas principais regiões cafeeiras do Estado do Espírito Santo, safra 2006.

Fonte: Centro de Café ‘Alcides Carvalho’ – Instituto Agronômico / IAC.

Com relação à nutrição dos cafezais, o maior percentual gasto com a utilização de fertilizantes (formulados, elementos simples, micronutrientes e adubos orgânicos), em relação ao custo total de produção, por saca beneficiada de 60kg, foi obtido na produção do café robusta, na região do Caparaó (37%). Com relação às capinas (químicas, mecânicas ou manuais), o maior percentual também foi obtido para o café robusta nessa mesma região (11,8%).

Com relação à colheita, na cultura do café robusta essa atividade chegou a representar 39,9% do gasto total por saca produzida no Norte Litorâneo do Estado (região de Linhares), percentual superior, inclusive, ao gasto com a colheita do café arábica na região do Alto Caparó, onde essa atividade representou 31,8% do custo total por saca produzida.

O percentual gasto com o preparo do café robusta, em relação ao custo total por saca, variou de 4% no Caparaó e 7% no Noroeste do Estado. Esses valores são superiores ao percentual gasto com o preparo de café arábica no Estado do Espírito Santo, estimado em 3%.O menor percentual de gasto com beneficiamento do café robusta foi obtido no Caparaó (2,9%) e o maior valor na região Noroeste (4,5%). Esses valores são superiores ao percentual gasto por saca beneficiada de café arábica no Alto Caparaó (2,1%).

Os percentuais gastos com preparo e beneficiamento do café arábica no Estado do Espírito Santo, em média inferiores aos identificados na cultura do robusta, podem indicar deficiências nos processos utilizados nessa etapa da produção, e, consequentemente necessidade de implantação de melhorias visando a obtenção de café arábica de qualidade superior.

Os gastos percentuais com o item “Outros custos”, que inclui podas (recepa, esqueletamento, decote, condução, limpeza), transporte (produtos, insumos, terreiro, mão-de-obra), irrigação, energia, arruação, conservação de carreadores, análises de solo, utensílios (custeio e colheita), na cultura do robusta chegaram a 28,3% no Noroeste do Espírito Santo e 24% no Caparaó, enquanto no Norte Litorâneo correspondeu a 17,9%. Na cultura do arábica, no Alto Caparão atingiu 18,2%. Esses percentuais podem refletir o peso dos gastos com irrigação do robusta nas regiões Noroeste e Caparaó.

A diferença fundamental na estrutura de custos de produção dos cafés arábica e robusta neste Estado foi observada no aspecto fitossanidade, uma vez que, de modo geral, os produtores não utilizam controle fitossanitário na cultura do robusta. O percentual gasto com esse item na cultura do arábica, no Alto Caparão, é estimado em 6,3% do custo total da saca beneficiada.

Fonte: http://www.revistacafeicultura.com.br/index.php?mat=28665&tipo=ler

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