Ambiência e conforto térmico em bovinos de leite

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Vacas leiteiras sob estresse calórico perdem drasticamente desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário. É quase uma regra no campo: rebanhos leiteiros especializados têm a produção e todos seus índices zootécnicos piorados de novembro a abril e uma recuperação constante e gradativa de maio a outubro.

Se nada for feito para que se amenizem os efeitos do calor no rebanho, esta fase do ano será sempre o gargalo da atividade, pois ela representa 50% do ano. Sem atuarmos efetivamente nesse momento crítico do desempenho, podemos encontrar o rebanho em um ciclo vicioso, no qual a propriedade leiteira pode trabalhar a estação mais amena do ano para voltar ao que perdeu nas estações mais quentes e, por isso, não evoluir em produtividade, descartes, reprodução, etc.

Na época mais quente, sempre se espera uma perda de desempenho do rebanho. A magnitude dessa queda, porém, é que fará toda a diferença, pois, se ela for muito grande, levará um residual para a melhor época do ano, o que acarreta atraso na recuperação do rebanho. Não é incomum encontrarmos rebanhos que perdem de 30% a 40% na produtividade, fechando abril com algum nível de claudicação, reprodução péssima, células somáticas aumentadas, baixo escore de condição corporal e consumo voluntário muito abaixo do ideal. O problema é que existe um efeito residual que leva meses para trazer o rebanho de volta à normalidade.

O ano sempre será marcado por essas duas estações bem distintas e que devem ser analisadas separadamente pelo produtor e seus técnicos. O que faz a maior diferença entre as fazendas de ótimo resultado em relação às fazendas médias é perder o mínimo possível de desempenho na estação quente, comparado com o melhor período produtivo (de maio a outubro), com o intuito de entrar acelerando na estação mais amena desde o primeiro mês.

Para isso, é preciso entender o estresse calórico e tudo o que ele representa e investir sempre no conforto térmico do rebanho. Em um país tropical de clima quente e úmido, mensurar o impacto do calor, entender como combatê-lo e ter sucesso efetivo na ambiência dos animais faz toda a diferença na lucratividade final e pode ser o limiar entre o lucro ou o prejuízo no negócio do leite.

Vacas em estresse térmico apresentam maior exigência de mantença devido à maior taxa respiratória para dissipação do calor. Práticas de alteração do ambiente, como fornecimento de sombra e climatização das áreas de sombra e de alimentação, têm grande impacto na redução dos efeitos negativos do estresse calórico sobre o desempenho de vacas leiteiras.

Entretanto, além das medidas de alteração no ambiente, práticas de manejo nutricional − mais especificamente de alterações na formulação das rações e qualidade de volumoso − também podem contribuir para reduzir o impacto negativo do estresse calórico no desempenho de vacas leiteiras. Porém, nesta edição, vamos nos ater somente ao manejo ambiental.

 Fonte: http://www.nftalliance.com.br/ambi-ncia-e-conforto-t-rmico-em-bovinos-de-leite/

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