Alimentação de ovinos criados intensivamente

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Mauro Sartori Bueno

Luiz Eduardo dos Santos

Eduardo Antonio da Cunha

Ovinos são animais ruminantes e devem ser alimentados com forrageiras de boa qualidade, produzidas a baixo custo. Um sistema intensivo de produção animal, com grande número de cordeiros produzidos durante o ano inteiro, necessita de alimentos de boa qualidade, o que pode ser conseguido através de uma produção vegetal eficiente. Deve-se planejar o plantio de boas pastagens para as ovelhas, com correção de solo (acidez e fósforo) e aplicação de nitrogênio para aumentar a capacidade de suporte e o valor nutritivo da forrageira. Também é necessário o cultivo de forrageiras de corte para animais estabulados. Deve-se planejar o plantio de milho ou outro cereal, quando possível, para colheita e armazenamento em grão ou espigas, ou ainda a confecção de silagem para uso durante o período de estiagem.

Produção de leguminosas, para corte ou pastejo direto, na propriedade pode resultar em custos mais baixos que a produção de gramíneas, pois as leguminosas dispensam a adução nitrogenada. A produção desse tipo de forragem, na propriedade, resulta na diminuição da necessidade de aquisição de farelos protéicos, que tem preço elevado. Isto tudo diminui o custo da alimentação, item de grande expressão no preço final, na produção do cordeiro para abate precoce.

Machos adultos, fora da estação de monta e ovelhas sem crias ao pé, até a parição, em sistema de uma parição por ano têm as suas exigências nutricionais plenamente atendidas se alimentadas exclusivamente com volumosos de bom valor nutritivo. Todavia, animais em crescimento acentuado ou em atividade reprodutiva intensificada (intervalo entre partos de 8 meses ou menos), na fase final de gestação e na amamentação necessitam de suplementação alimentar com ração concentrada, devido à sua elevada exigência nutricional.

ALIMENTOS VOLUMOSOS

Assim são denominadas as forragens verdes (pasto, capim elefante, leguminosas, etc) ou conservadas, como silagens e fenos.

Pastagem

As espécies recomendadas são aquelas de bom valor nutritivo e alta produção por área como os capins dos gêneros Cynodon (coast cross, tiftons e estrelas) e Panicum (aruana, tanzânia, massai, áries, green panic, etc). Pode-se também utilizar ainda o pangola, rhodes, pensacola, etc.

As braquiárias apresentam baixo valor nutritivo e menor produção por área, sendo que a Brachiaria decumbens pode, ainda, causar intoxicação e, em algumas situações, fotossensibilização. Pequenas áreas com braquiária podem ser utilizadas, mas a predominância das pastagens com tal capim não é recomendado.

Volumosos de corte para o verão

Devem ser plantados próximos às instalações dos animais a serem alimentados, devendo ser adequadamente adubados, para se conseguir elevada produção por área.

Capim-elefante (capim-napier)

Excelente valor nutritivo quando colhido entre 35-45 dias (1,5-1,7 m de altura). Possui entre 8-12% de proteína bruta (PB) e 55-60% de nutrientes digestíveis (NDT) e bom teor de cálcio e fósforo. Produz entre 120-300 t de matéria verde/ha/ano.

Feijão guandu

Excelente volumoso para corte; rico em proteína e cálcio e de boa aceitação pelos animais. Diminui a necessidade de suplementação protéica com concentrados. No período seco perde as folhas e não pode ser utilizado. Susceptível à geada e deve ser replantado a cada 2 anos, pois seu rebrote fica prejudicado, apos vários cortes. Plantar em solo com pH corrigido, adensado: 5-8 sementes por metro linear e espaçamento entre linhas de 0,6 a 1 m. Não necessita de adubação nitrogenada.

Amoreira

Alimento de alta palatabilidade, de excelente nível de proteína (22% PB), produzindo cerca de 50 t de matéria verde/ha/ano. Deve-se plantar no espaçamento de 0,50 x 0,50 m, fornecendo as ramas picadas ou inteiras, em manjedouras. Ressalte-se que devido às características da própria planta, no período do inverno a seu crescimento é lento e quando as plantas estão altas as suas folhas caem. No verão, podem ser efetuados de corte entre 45-60 dias, podendo ser armazenada na forma de feno.

SILAGENS E FENOS

Durante a “época das secas” as pastagens e as forrageiras de corte diminuem seu crescimento e seu valor nutritivo. Para uma exploração racional da ovinocultura é essencial a conservação de alimentos produzidos na “época das águas”, para uso no período de escassez.

Silagem de milho

É alimento de valor energético muito bom, mas apresenta baixo teor protéico, necessitando ser suplementado com fontes de proteínas (farelo de soja ou de algodão, uréia, etc) para ser eficientemente aproveitado pelos animais. Deve-se colher no ponto certo, quando apresentar grãos farináceos, ser picado, compactado eficientemente e coberto com lona plástica até o momento de seu uso. Não necessita de aditivos, pois sua fermentação é muito boa, produzindo alimento de ótima aceitação pelos animais. O milho a ser plantado deve ser o de maior produção de grãos para a região. Quando bem plantado e fertilizado adequadamente, produz 30-50 t/ha de massa verde a ser ensilada.

Silagem de sorgo

Excelente alimento volumoso conservado. Pode ser utilizado em substituição à silagem de milho, pois apresenta valor energético similar. Deve-se optar por variedades graníferas e mistas, pois estas apresentam valor energético superior às demais. Boa silagem é feita com ponto de colheita adequado (grãos farináceos).

A silagem de sorgo tem um custo de produção menor que a de milho, visto ser uma cultura menos exigente em termos de tratos culturais e pode produzir até dois cortes.

Silagem de capim-elefante

O capim-elefante apresenta bom valor nutritivo quando colhido precocemente, entre 35 a 45 dias. Contudo neste estádio apresenta teor elevado de umidade o que dificulta sua ensilagem, produzindo alimento com fermentação inadequada, resultando em baixa aceitação pelos animais. Para se obter silagem de boa qualidade deve-se diminuir o teor de umidade, fazendo o emurchecimento no campo, todavia esse sistema é trabalhoso e pouco eficiente. Pode-se adicionar, no momento da ensilagem, algum material seco, objetivando o aumento do teor matéria seca da massa ensilada para 25-28%. Pode-se utilizar para esse fim milho moído ou rolão de milho ou polpa cítrica desidratada na quantidade de 5-10%.

Silagem de girassol

Apresenta-se como opção para plantio na “safrinha”, principalmente após a colheita do milho, e em regiões ou épocas com maior probabilidade de deficiência hídrica, pois seu sistema radicular pivotante garante maior profundidade de exploração do solo. Sua silagem é de boa aceitabilidade pelos animais, com teor protéico (11%) e em óleo (10%) mais elevado que silagens de cereais (milho ou sorgo), todavia seu teor energético é inferior. Deve ser colhido quando os seus receptáculos (flores) estão voltados para baixo, com a parte dorsal na coloração amarelo escuro e grande quantidade de folhas secas.

FENOS

Fenos de gramíneas são alimentos volumosos de boa aceitação pelos animais. Um bom feno tem cor esverdeada, grande quantidade de folhas, macio ao tato e com mais de 10% de proteína bruta. Fenos pálidos, duros e com grande quantidade de talos são inferiores. Coast-cross, Tifton, Rhodes, Áries e Aruana produzem feno de boa qualidade e devem ser colhidos com 28-40 dias de vegetação.

A chuva é o grande problema na produção de feno, pois fenos “chuvados” são de qualidade muito inferior.

Feno de alfafa é de excelente qualidade, mas é caro para ser adquirido. Sua produção necessita de excelente fertilidade do solo.

Para pequenas criações, o capim-elefante e outras forrageiras (guandu, leucena, colonião, etc…) também podem ser desidratados e produzir fenos de boa qualidade. Devendo ser picados e secos em terreiro em camada fina, revirando varias vezes ao dia e cobrindo a noite. Após secos podem ser ensacados ou armazenados a granel. Confecção contínua de pequenas quantidades durante o verão é o mais adequado.

CANA-DE-AÇÚCAR

Forrageira que se conserva “in natura”, pois seu maior valor energético é no período “da seca”, quando deve ser utilizada. Produz até 120 toneladas de massa verde/ha/ano. Apresenta o inconveniente de possuir grande quantidade de açúcar altamente solúvel no rúmen, que prejudica a digestão da fibra do bagaço. Possui, ainda, baixo teor protéico, devendo ser suplementada com farelos de oleaginosas ou uréia (0,5-1,0 % na matéria original, após período de adaptação). Pode ser utilizada para animais menos exigentes como ovelhas “secas” e animais adultos em geral.

RESTOS DE CULTURA E SUBPRODUTOS AGRÍCOLAS

Alguns resíduos produzidos durante ou após a colheita de cereais, oleaginosas, tubérculos ou raízes e mesmo do processamento de frutíferas, podem ser utilizados para alimentação de ovinos. As palhadas são, geralmente, pobres em proteína, com baixo valor energético e palatabilidade. Podem ser utilizadas para manutenção de ovelhas secas, devidamente suplementadas com alimentos protéicos. A utilização de palhas e cascas de arroz não é recomendada devido a sua baixa digestibilidade. Palhadas de milho, sorgo, aveia e trigo podem ser utilizadas para manutenção de ovelhas secas, suplementando-se com uréia (0,5-1,0%, com período de adaptação) e farelos de oleaginosas ou ração concentrada com elevado teor protéico (18-20%). Devem ser picadas ou moídas e misturadas a alimentos mais palatáveis. Palhadas de soja e feijão apresentam teor mais elevado de proteína bruta que as palhadas de cereais, mas também apresentam baixo teor energético, podendo ser utilizadas se complementadas neste aspecto. As vagens apresentam valor nutritivo mais elevado e as cascas dos grãos tem bom valor nutritivo.

Não é recomendada a utilização do bagaço de cana cru na alimentação de ovinos devido seu baixo valor nutritivo e palatabilidade, porém, quando hidrolizado, o bagaço de cana apresenta maior digestibilidade e, consequentemente, um valor energético maior, podendo ser utilizado na alimentação de ovelhas secas e animais pouco exigentes. Pode compor dietas para ovelhas secas, em até 40% na matéria seca e para cordeiros, em pequena proporção (10 a 20%), em dietas com elevada proporção de concentrados.

As ramas de mandioca, após a colheita das raízes e aproveitamento das manivas para novo plantio, podem ser utilizadas. Deve-se aproveitar o terço superior, que apresenta maior quantidade de folhas e menor de talos. Apresentam bom valor nutritivo e alta palatabilidade; possui entre 9-15% de proteína bruta e bom valor energético. Podem ser picadas e secas ou conservadas como silagem, sem necessidade de aditivos ou emurchecimento. As variedades de mesa (mansas) apresentam baixo teor de ácido cianídrico, mas as variedades para farinha, denominadas bravas, apresentam teor elevado desta toxina; picagem, secagem e ensilagem diminuem o teor desta substância e assim não causam problemas aos animais. Para fornecimento “in natura” deve-se picá-la com antecedência (12 horas) para que o processo de autólise enzimática diminua a toxidez. Também é aconselhável a introdução gradativa das ramas na dieta, visando adaptar os animais ao seu consumo.

Resíduos de farinheiras são ricos em amido e podem ser utilizados para todas as categorias. Apresentam baixo teor de proteína bruta e minerais, principalmente cálcio e fósforo, mas bom valor energético, que varia em função do seu teor em amido e fibra. Substitui, parcialmente, o milho ou polpa cítrica e pode combinar-se com uréia ou farelos. Cascas de mandioca podem ser utilizadas, desde que seu conteúdo de solo aderido seja pequeno.

O resíduo de cervejaria úmido tem ao redor de 25% de proteína bruta e 60-65 % de NDT na matéria seca, podendo ser fornecida até 3 kg por ovelha/dia. Tem elevado teor de fibra e é bem aceito pelos animais, sendo considerado um alimento muito bom para ruminantes. A forma úmida, geralmente a mais disponível no mercado, apresenta o inconveniente de ter que ser utilizada rapidamente, pois sofre degradação rápida e acentuada, com o desenvolvimento de fungos, com o passar do tempo, podendo ser armazenada na forma de ensilagem. Utilização por mais de 5 dias deve ser evitada por perigo de intoxicação.  A forma desidratada apresenta a vantagem de poder ser armazenada mais eficientemente, pode ser fornecido até 1,0 kg/ovelha/dia, todavia o custo é superior.

CONCENTRADOS

São denominados os ingredientes de elevado teor energético ou protéico utilizados como complemento das dietas volumosas. São concentrados energéticos o milho e outros cereais (aveia, trigo, arroz), os altamente protéicos os farelos de soja, de algodão e de girassol, e os de valor protéico inferior os farelos de trigo e arroz.

CONCENTRADOS ENERGÉTICOS

Milho grão: Excelente fonte energética por ser rico em amido. Possui baixo teor de proteína e cálcio, moderado de fósforo, devendo ser combinado com farelos de oleaginosas para compor rações com adequado teor protéico.

Rolão de milho (milho desintegrado com palha e sabugo): Apresenta valor energético e protéico inferior ao milho-grão devido a presença do sabugo e palha.

Polpa cítrica: possui valor energético similar ao do milho e pode substituí-lo integralmente em rações para ovinos. Deve ser utilizada quando apresentar preço de até 85% do milho. Possui elevado teor de cálcio e baixo de fósforo e proteína. Deve ser armazenado adequadamente, pois absorve umidade com facilidade, o que leva a proliferação de fungos e bolores prejudiciais aos animais.

Mandioca raiz: Bom valor energético, mas pobre em proteína e minerais. Pode ser utilizada para compor a dieta em até 30%, ou até 1,5-2kg de raiz úmida/animal/dia para ovelhas de 60kg. Deve ser fornecida picada, devendo os animais serem previamente adaptados ao seu consumo, iniciando com um terço da quantidade que se desejar fornecer e aumentar progressivamente até atingir o máximo em sete a dez dias. Pode ser armazenada na forma seca: picar em pedaços pequenos ou em raspas e secar em terreiro; ou na forma de ensilagem, não necessitando de aditivos.

CONCENTRADOS PROTÉICOS

Farelo de soja:  é uma das melhores fontes protéicas utilizadas na alimentação de animais domésticos. Possui 45 a 47% de proteína bruta. Deve compor preferivelmente rações para cordeiros (creep-feeding e confinamento), devido seu preço elevado.

Farelo de algodão: Fonte protéica de boa qualidade para ruminantes, utilizado para todas categoria, inclusive machos reprodutores , pois apresenta-se detoxificada. No comércio pode ser encontrada com 28 ou 38% de proteína bruta.

Farelo de trigo: Possui teor protéico médio (16%) e maior teor de fibra que as demais fontes protéicas. É excelente fonte de micro-elementos minerais, como selênio, zinco e outros. Possui elevadíssimo teor de fósforo e desta maneira não deve ser utilizado em grande quantidade, máximo de 20-25% da ração concentrada, pois a ingestão elevada de fósforo pode causar a urolitíase obstrutiva (cálculos na uretra), principalmente em machos.

Uréia: É uma fonte de nitrogênio-não-protéico que pode ser convertido, pelos microrganismos ruminais, em proteína microbiana e ser, assim, aproveitada pelos animais. Deve ser direcionada, preferivelmente para animais adultos, com grande capacidade de fermentação ruminal, como ovelhas e animais em fase final de crescimento. Pode compor rações a base de cereais, como milho, trigo ou cevada, ou ainda polpa cítrica, na proporção de 1% e no máximo 2%. Pode, ainda, ser utilizada para aumentar o teor protéico de volumosos úmidos, como silagem de milho ou sorgo, cana-de-açúcar, na quantidade de 1%.

Fenos de qualidade inferior, palhas em geral e pastagens pobres a fim de melhorar seu aproveitamento pelos animais. Pode-se, neste caso, preparar mistura de 2 partes de sal mineral e uma  de uréia e deixar disponível em saleiros. Animais adultos, quando já adaptados podem consumir até 0,5 g/kg de peso vivo/dia. Consumo excessivo (10g de uma só vez), por animais não adaptados, pode levar a intoxicação por amônia. Os sintomas de intoxicação por consumo excessivo de uréia são salivação excessiva, incoordenação motora e levando a óbito. O fornecimento de uréia deve ser acompanhado da utilização de fonte de enxofre (S), na quantidade de 10 partes de N para uma de S (flor de enxofre, sulfato de amônio ou de cálcio), dessa maneira podemos utilizar 8 partes de uréia para duas de sulfato de cálcio ou uma parte de sulfato de amônio. Não deve ser utilizado para cordeiros desmamados precocemente até 90 dias.

Soja em grão: Apresenta elevado teor protéico e energético; contudo devido ao seu elevado teor de óleo e presença de princípios não nutritivos tem seu consumo restrito. Animais adultos podem receber até 20% da dieta total (MS),ou até 400-500g dia/ovelha.

Caroço de algodão: Como a soja grão, tem bom valor energético e protéico, rico em óleo e com presença de substancias tóxicas. Jamais fornecer para machos reprodutores, pois possui elevado teor de gossipol, que pode causar infertilidade. Pode ser utilizado em quantidades moderadas para ovelhas e borregas, na quantidade de 200-500g/dia, por períodos não muito longos para se evitar problemas hepáticos devido ao gossipol.

MISTURA MINERAL

Utilizada para suprir as carências minerais encontradas nas pastagens, pois as gramíneas geralmente apresentam baixos teores de fósforo e os animais, quando em pastejo, estão sujeitos a deficiências desse elemento, que deve ser suplementado na forma de mistura mineral. A suplementação de micro-elementos minerais é também necessária, principalmente cobalto, selênio, zinco, cobre e outros, pois muitas vezes estão deficientes na forrageira, dependo da região e solo onde são cultivadas.

As misturas minerais, prontas para uso, encontradas no comércio são, em sua maioria, compostas de sal iodado (NaCl) e fontes de  minerais (cálcio, fósforo e micro-elementos). Devem estar sempre à disposição dos animais em saleiros adequados. Atenção especial deve ser dada ao teor de cobre da mistura, pois ovinos são susceptíveis à intoxicação por excesso deste elemento. Uma boa mistura mineral pronta deve conter ao redor de 8% de fósforo e no máximo entre 300 ppm de cobre.

Ovelhas adultas consomem entre 20-40g/dia desta mistura mineral, dependendo do seu peso, categoria, etc.

Animais em confinamentos e suplementados com ração concentrada a base de grão de cereal não necessitam esta suplementação, pois, como já mencionado, grãos de cereais são ricos em fósforo e os outros minerais normalmente são encontrados em quantidades adequadas na maioria dos componentes de rações.

Machos reprodutores que consomem ração concentrada e ainda tem mistura mineral à disposição, podem apresentar consumo diário excessivamente elevado de fósforo, o que  pode levar ao aparecimento de urolitíase (cálculo uretral).

VITAMINAS

Ruminantes geralmente não necessitam de suplementação com vitaminas do complexo B, pois as sintetizam através dos microorganismos ruminais. Em algumas situações, animais consumindo quantidades muito elevadas de concentrado, podem apresentar deficiência de vitamina B1 e apresentar necrose corticocerebral, com sintomas nervosos (cabeça virada para cima). As vitaminas E e K são encontradas nos alimentos usuais, não havendo necessidade de suplementação, no entanto, a carne de cordeiros suplementados com vitamina E apresenta escurecimento menos intenso no processo de armazenagem a frio. Nesse caso a suplementação pode ser utilizada para melhorar a apresentação do produto final. A vitamina C é sintetizada pelos tecidos em quantidade suficiente, não havendo necessidade de suplementação.

A vitamina D é sintetizada pela pele, a partir da luz solar, não sendo necessário suplementá-la, todavia, se os animais permanecerem confinados por muito tempo em ambiente fechado e sem acesso à luz solar, podem apresentar sintomas de deficiência. Fenos curados ao sol, de boa qualidade, são boas fontes alimentares precursores de vitamina D.

A suplementação com a vitamina A pode ser necessária, quando os animais, principalmente fêmeas em lactação e animais em crescimento, forem, por longos períodos (mais de 3 meses), sujeitos à alimentação pobre nesta vitamina. Forragens verdes, assim como o milho amarelo, são fontes excelentes de vitamina A. Já os volumosos com pouca coloração são pobres: palhas, pastagens velhas, fenos amarelados, com pouca pigmentação, silagens de baixa qualidade e outros alimentos sem pigmentação.

A forma adequada de suplementar é adicionando as vitaminas à ração concentrada. No caso de animais que não se alimentam de ração pode-se adiciona-las à mistura mineral ou adquirir formulações prontas.

Fonte: BUENO, M. S.; SANTOS, L. E. dos; CUNHA, E. A. Alimentação de ovinos criados intensivamente. 2007. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2007_2/alimentovinos/index.htm>

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