Alimentação de ovinos: Atualidades na Produção Ovina em Pastagens

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O ovino sempre teve a sua imagem ligada à produção de lã, todavia essa associação vem sofrendo uma mudança acentuada, seja em função dos baixos preços alcançados pela lã, tanto no mercado interno como externo, seja pelo crescente aumento na demanda da carne ovina, mais especificamente pela carne de cordeiro. Face a isso os criadores tem procurado direcionar a criação neste sentido.

Apesar de ainda não estar definitivamente estabelecido, nem adequadamente dimensionado, o mercado de carne ovina vem apresentando crescimento inconteste, o que se reflete nos preços relativamente altos observados a nível de mercado consumidor. Essa maior demanda, todavia, é específica para carcaças de boa qualidade, ou seja, carcaças com peso médio de 12 a 13 kg, provenientes de animais novos, com no máximo 120 dias de idade. Até essa idade os animais mostram alta velocidade de crescimento e maior eficiência no aproveitamento de alimentos menos fibrosos que animais mais velhos, apresentando um nível adequado de gordura corporal, suficiente para propiciar uma leve cobertura da carcaça, protegendo-a contra a perda excessiva de umidade durante o processo de resfriamento e um mínimo de gordura intra-muscular, a qual garante o paladar característico da carne ovina e, aliado a pouca maturidade dos feixes musculares do animal jovem, garante um bom nível de maciez.

Mesmo na região sul do país, onde grande parte dos planteis possui na lã o objetivo maior da criação, tem se verificado uma maior preocupação na exploração mais intensiva da produção de carne. Para isso, utiliza-se reprodutores de raças com maior potencial para ganho de peso, sobre os planteis já existentes de ovelhas de raças lanígeras.

Busca-se assim a obtenção de cordeiros mais precoces e com melhor caracterização de carcaça, mantendo-se, ainda a produção de pelas matrizes.

Na região sudeste tem-se tornado usual a utilização de matrizes comuns, sem raça definida, ou ainda de animais deslanados, notadamente da raça Santa Inês, mantidas em pastagens e cruzadas com reprodutores de raças de corte, notadamente Suffolk e Ile de France. As crias são amamentadas em pastagens exclusivas para matrizes com crias ao pé, sendo confinadas do desmame ao abate. Em algumas criações adota-se o confinamento das mães e crias já a partir do nascimento, o que possibilita a adoção do desmame precoce aos 45 dias o que resulta em níveis de ganho de peso bastante elevados, além de menor mortalidade de crias.

Vários trabalhos mostram a possibilidade de obtenção, através desse sistema de criação, de animais com peso vivo entre 28 e 30 kg, considerado ideal para abate, com idades inferiores aos 100 dias. Para tanto o peso ao nascer deve estar em torno dos 4,0 kg com o desmame ocorrendo entre 45 – 50 dias, e os animais pesando entre 15 e 17 kg. Para tanto a expectativa de ganho diário de peso vivo irá aproximar-se de 280 e 240 g, respectivamente nos períodos de pré e pós desmame.

Esses índices, todavia, não são obtidos unicamente pela utilização de bons reprodutores de raças de corte. Há ainda que se considerar vários outros pontos, igualmente importantes, tais como o nível alimentar e sanitário, tanto das matrizes como das crias; o uso de instalações adequadas e de técnicas corretas de manejo.

Do ponto de vista econômico vale frisar que o ganho do produtor depende, de um lado, da maior disponibilidade de produtos para comercialização, ou seja, deve-se buscar obter o maior número possível de cordeiros por ano e por hectare de área utilizada para produção de forragem (pastagens, capineira e para material para ensilagem) e de outro lado deve-se buscar o menor custo de produção possível, todavia sem prejuízo da qualidade, Dessa maneira, para se obter resultados positivos na ovinocultura é preciso, além do bom desempenho e qualidade individual dos cordeiros, ter-se ainda uma elevada disponibilidade de animais para abate, o que quer dizer, elevado número de cordeiros nascidos (eficiência reprodutiva e desmamados (baixa mortalidade e alta aptidão materna) e, principalmente, um baixo custo de produção.

A maior eficiência reprodutiva é obtida pela seleção rigorosa das matrizes, dandose preferência àquelas oriundas de parto múltiplo e descartando-se aquelas que apresentem idade à primeira cobertura e intervalo entre partos superiores a doze meses. Deve-se buscar ainda peso ao nascer igual ou superior a 3,0 kg e peso ao desmame igual ou superior a 15,0 ou 19,0 kg, respectivamente aos 45 ou 60 dias de idade. Também um bom manejo reprodutivo e nutricional, como a realização do “flushing” e o uso de adequado nível nutricional no terço final da gestação, devem receber especial atenção, de forma a se trabalhar com índices de fertilidade e prolificidade acima dos 85% e 150 % respectivamente.

Também a opção pela utilização de matrizes de raças menos estacionais, tais como a Santa Inês e a Poll Dorset, em sistema de monta a cada oito meses, pode levar a melhores resultados.

A maior disponibilidade de cordeiros para abate é obtida ainda com a diminuição da mortalidade das crias, resultado da utilização de esquemas de manejo sanitário e técnicas criatórias adequadas, incluindo a vacinação preventiva, seleção de fêmeas com maior habilidade materna e a adoção de práticas de manejo cuidadoso das crias, desde o parto até o abate.

Já a diminuição do custo de produção depende das medidas anteriores e, mais ainda, da produção de alimentos em quantidade e qualidade adequadas, mas a baixo custo.

Para isso, a base da alimentação deve ser constituída de volumosos de boa qualidade, ou seja, de alto valor nutritivo, o que quer dizer: alta concentração em nutrientes, alta digestibilidade e alta aceitabilidade pelos animais.

PRINCÍPIOS BÁSICOS

Considerando-se as condições de clima e solo e ainda as características da estrutura e divisão fundiária predominantes na região sudeste, a utilização de pastagens formadas por forrageiras de elevada produtividade e bom valor nutritivo, utilizadas em regime de pastejo intensivo, mostra-se como uma das alternativas de maior interesse para a ovinocultura intensiva.

E’ importante ressaltar que as ovelhas em fase final de gestação, principalmente aquelas com crias múltiplas no ventre, apresentam altos níveis de exigência nutricional, o que quer dizer, necessidade do aporte de quantidades consideráveis de proteína, energia, minerais e vitaminas.

Pastagens com elevada disponibilidade de forragens, de alto valor nutritivo, podem suprir a totalidade de nutrientes necessários, tanto à manutenção corporal das matrizes, como às demandas da gestação. Já em condições de pastagens mais fracas, seja em termos de disponibilidade de matéria seca (MS), ou baixa qualidade da espécie forrageira predominante no pasto, há necessidade de suplementação alimentar de forma a se fornecer, em quantidade e qualidade, os nutrientes que a pastagem não consegue suprir.

Nessas condições é necessária a utilização excessiva de concentrados na alimentação das matrizes, o que eleva significativamente o custo de produção e pode comprometer a viabilidade econômica da atividade.

A obtenção de boas pastagens, para a utilização com ovinos, depende do atendimento de alguns pontos básicos:

  • uso de forrageiras produtivas e de elevado valor nutritivo, ou seja, com alta aceitabilidade pelos ovinos, elevada concentração em nutrientes (energia, proteína, minerais e vitaminas) e boa digestibilidade.
  • utilização de gramíneas de porte médio a baixo, com altura inferior a 1,0 m, são mais adequadas ao comportamento do ovinos em pastejo.
  • manutenção de níveis de fertilidade de solo adequados às exigências da forrageira utilizada, com reposição dos nutrientes removidos pelo pastejo e lixiviação, através de adubações em épocas estratégicas.
  • adoção do sistema de pastejo rotacionado como forma de melhorar e uniformizar a utilização da forragem e, principalmente, diminuir o nível de infestação por larvas de helmintos (endoparasitas).
  • diversificação das forrageiras utilizadas, seja pelo uso da consociação com leguminosas, seja pela formação de áreas com gramíneas diversas, em pastos exclusivos, garantindo a diversificação dos nutrientes disponíveis e aumentando o nível de ingestão de matéria seca pela variação da dieta. Isto resulta ainda em maior segurança em termos de problemas de ordem climática (secas e geadas) e fitossanitária (pragas e doenças), em função da diferenciação das características e potencialidades das diversas forrageiras.
  • uso preferencial de forrageiras de hábito de crescimento cespitoso (porte ereto), que em função da sua arquitetura, favorecem a inativação de larvas e ovos de helmintos (endoparasitas), em razão de possibilitarem um maior insolação (dessecação das larvas pela diminuição da umidade e ação de radiação ultravioleta).

 

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